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As harpias podem estar sob ameaça maior do que se pensava

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Ave possui envergadura de aproximadamente 2,5 metros e pode pesar de até 12 quilos.
Foto: Pixabay

As harpias (Harpia harpyja) são consideradas por muitos como uma das aves mais espetaculares do planeta. Elas também estão entre os animais mais elusivos, geralmente evitando áreas perturbadas pela atividade humana – portanto, já tendo desaparecido de porções de sua distribuição – e listados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como espécie sendo ‘Quase Ameaçada’.

No entanto, uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Plymouth (Reino Unido), sugere que as estimativas da distribuição atual da espécie estão potencialmente superestimando o tamanho da área.

Usando uma combinação de avistamentos físicos e dados ambientais, eles desenvolveram uma estrutura de modelagem espacial que visa estimar as distribuições atuais e passadas com base nas condições de habitat preferidos das aves.

Os autores então usaram o modelo para estimar um tamanho de faixa atual 11% menor do que o referenciado pela IUCN, com a alta umidade climática sendo o fator mais importante que influencia a distribuição, seguida por uma temperatura mínima do mês mais quente de aproximadamente 27°C.

Com base em projeções climáticas passadas e futuras, os pesquisadores mostraram que a distribuição da harpia permanecerá estável na Amazônia central, Guiana, leste da Colômbia e Panamá, tornando essas regiões especialmente importantes para sua conservação.

A fim de garantir sua persistência futura, os autores sugerem que as políticas de conservação atuais e futuras, como a redução do desmatamento e a abordagem de questões de perseguição, devem levar esses modelos espaciais em consideração.

A pesquisa foi publicada na revista “Ecology and Evolution” e contou com a colaboração internacional de pesquisadores do The Peregrine Fund (Equador, Panamá, EUA) e da Universidade de KwaZulu-Natal (África do Sul), com sede no Brasil.

“As harpias são difíceis de observar e vivem em baixas densidades populacionais, portanto, há pesquisas limitadas sobre quais fatores ambientais influenciam seus limites de alcance. Nosso estudo mostra que a estabilidade climática futura prevista será em áreas centrais com extenso habitat de floresta tropical de várzea. Isso significa que a perda de habitat como resultado do desmatamento é a maior ameaça que eles enfrentam, e os planos de conservação precisam assumir tudo isso em conta”, explicou Luke Sutton, um estudante de doutorado na Escola de Ciências Biológicas e Marinhas da Universidade de Plymouth e principal autor da pesquisa.

O autor sênior, Dr. Robert Puschendorf, conferencista em Biologia da Conservação, acrescentou: “Mais da metade de todas as espécies de raptores globais têm populações em declínio. Portanto, compreender mais sobre onde eles escolhem viver e por que deve ser um fator crítico quando estamos procurando a melhor forma de continuar a conservar as populações de aves de rapina. O tipo de modelo que apresentamos aqui está ausente para muitas espécies raras e ameaçadas, particularmente em regiões tropicais, mas pode ser uma maneira econômica e rápida de direcionar o planejamento de conservação para espécies ameaçadas. “

Uma das maiores aves de rapina do mundo

As harpias (ou gavião-real, gavião-de-penacho, uiruuetê, uiraçu, uraçu, uiracuir, uiraquer, cutucurim e uiraçu-verdadeiro) estão entre as maiores e mais poderosas aves de rapina do mundo – com envergadura de 2,5 metros e peso de até 12 quilos – e historicamente se espalharam por florestas tropicais de planície, do México no norte à Argentina no sul.

No entanto, foram extintas localmente em partes da América Central e do Brasil durante o século 20. Atualmente, existem vários programas de conservação em vigor para entender melhor a dinâmica populacional e conservar o habitat da floresta tropical para ajudar a garantir sua sobrevivência futura.

Fonte: Science Daily