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Espécies de ratos-do-brejo esclarecem conexões entre áreas alagadas da América do Sul, revela estudo

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Estudo reconheceu sete espécies dos roedores.
Foto: Claudemir Pelicice Rodas/Fickr/Reprodução

Uma pesquisa da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de São Paulo), em Piracicaba, estabeleceu novos limites das espécies de ratos-do-brejo e de sua distribuição geográfica. O estudo reconheceu sete espécies dos roedores, uma a mais do que era conhecido pela ciência, provenientes do Nordeste brasileiro em áreas úmidas na Floresta Atlântica e Caatinga.  O trabalho trouxe ainda uma nova visão que sugere a existência de distintas conexões temporais entre as áreas úmidas dos biomas florestais da América do Sul. Segundo os pesquisadores, o reconhecimento dessas espécies e de suas distribuições geográficas tem implicações para a conservação delas e de seus biomas.

A pesquisa foi realizada pela pós-doutoranda Joyce Rodrigues do Prado e pelo professor Alexandre Reis Percequillo, ambos do Departamento de Ciências Biológicas da Esalq e do Esalq/Cena (Programa de Pós-Graduação Interunidades), junto à professora Lacey Knowles, da University of Michigan.

Roedores vulneráveis às alterações na paisagem

Os ratos-do-brejo, do gênero Holochilus, são amplamente distribuídos pelos biomas da América do Sul e exibem hábito de vida semi-aquático, ocupando áreas abertas das planícies tropicais. Segundo Joyce, a especificidade de habitat e hábito faz com que esses roedores se tornem vulneráveis às alterações na paisagem devido às mudanças climáticas e pela ação antrópica; “Essas ações estão transformando as paisagens ocupadas pelos roedores, principalmente devido à expansão da agropecuária e o aumento considerável dos incêndios em uma das nossas maiores planícies alagadas, o Pantanal.”

A pesquisadora ainda explicou que o trabalho sugere que estas espécies de rato-do-brejo apresentam histórias independentes para cada um dos biomas sul-americanos e, com a atual crise da biodiversidade e as taxas de extinção sem precedentes, a eliminação de uma única espécie representará a perda de importante parte de histórias evolutivas únicas.

“A América do Sul abriga uma fauna única e diversa de mamíferos, mas a origem e a história destes animais nos biomas do continente ainda são pouco conhecidas e seu estado de conservação merece muita atenção face às drásticas mudanças ambientais das últimas décadas”, disse a pós-doutoranda.

Métodos genômicos

O estudo foi o primeiro no Brasil a utilizar métodos genômicos para delimitar espécies de roedores e descrever sua diversidade. Os pesquisadores se basearam no exame de espécimes preservados em diversos museus de história natural e coleções científicas do Brasil, EUA e Europa. A maioria dos espécimes da nova espécie no Nordeste é resultante de extensos trabalhos de campo realizados pelo SNP (Serviço Nacional de Peste), depositados no Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) durante a década de 1950.

“O incêndio que devastou esta instituição nos privou de importantes e insubstituíveis exibições e coleções. Gostaríamos de destacar que os museus e coleções brasileiras são testemunhos de nossa história e fornecem um acesso crítico em nossa busca pelo conhecimento de nossa biodiversidade”, finaliza a pesquisadora.

O trabalho recebeu apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Fonte: Esalq