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270 milhões de anos: cientistas descobrem o mais antigo animal dente-de-sabre

Reprodução da criatura em ilustração do artista Henry Sutherland Sharpe. Imagem: Reprodução

Paleontólogos descobriram o que acreditam ser o mais antigo animal dente-de-sabre já registrado – um predador sem pelos, tamanho robusto e de uma linhagem “fantasma” de antigos parentes mamíferos.

Estima-se que essa estranha criatura tenha vivido por aqui entre 280 milhões e 270 milhões de anos atrás e pode auxiliar os pesquisadores a desvendar os segredos da nossa antiga árvore genealógica.

Cientistas revelaram recentemente os restos fossilizados do animal ao periódico “Nature Communications”. De acordo com a publicação, embora eles não pudessem determinar sua espécie, o animal pertencia a um ramo de antigos parentes mamíferos chamados gorgonopsianos.

Os gorgonopsianos não eram ancestrais diretos dos mamíferos vivos, nem deram origem aos felinos dentes-de-sabre que existiram até cerca de 10.000 anos atrás. No entanto, esses animais faziam parte do grupo mais amplo dos terapsídeos, que tinham algumas características semelhantes às dos mamíferos e eventualmente deram origem a essa linhagem.

O coautor do estudo, Kenneth D. Angielczyk, curador de paleomamalogia no Museu Field de História Natural em Chicago, informou ao portal “Live Science” que os fósseis de terapsídeos mais antigos possuem cerca de 270 milhões de anos, mas os pesquisadores acreditam que eles provavelmente evoluíram há cerca de 300 milhões de anos.

Isso indica que há uma lacuna no registro fóssil, que os autores do estudo descrevem como uma “linhagem fantasma”. Com cerca de 280 milhões a 270 milhões de anos, o gorgonopsiano recém-descoberto é um membro dessa linhagem perdida. “Nosso novo gorgonopsiano ajuda a preencher uma grande lacuna de tempo no registro fóssil de antigos parentes mamíferos”, destacou Angielczyk.

Paleontólogos descobriram os novos fósseis de gorgonopsianos na ilha de Maiorca, na Espanha. Na era dos gorgonopsianos, esta ilha mediterrânea teria sido parte de Pangeia – supercontinente que existiu entre 300 e 200 milhões de anos atrás, durante a Era Paleozoica e a Era Mesozóica -, segundo um comunicado divulgado pelo Field Museum. Os restos fossilizados incluíam fragmentos de um crânio, dentes serrilhados em forma de lâmina, ossos da mandíbula, costelas e uma pata traseira. A partir desses ossos, os cientistas deduziram que o predador teria aproximadamente o tamanho de um cão.

Angielczyk e sua equipe teorizam que os fósseis pertencem a uma espécie até então desconhecida. Porém, como estão fragmentados, a equipe não conseguiu identificar características únicas o suficiente para ter certeza.

Fósseis mais antigos

Embora haja incertezas sobre onde a criatura se situa na árvore genealógica dos gorgonopsianos, sua descoberta contribui para que os cientistas juntem as peças das origens dos gorgonopsianos e, por extensão, do maior grupo dos terapsídeos. Os fósseis são mais antigos do que o mais antigo gorgonopsiano conhecido e potencialmente o mais antigo terapsídeo conhecido — Raranimus dashankouensis -, de acordo com o estudo.

Este gorgonopsídeo, que ostentava dentes assustadores, teria sido um grande predador em sua época e demonstra que os terapsídeos estavam se diversificando em diferentes formas do que fósseis anteriores mostraram.

“[A diversificação dos terapsídeos] estava bem encaminhada há cerca de 280 milhões de anos, o que é mais distante do que se pensava anteriormente, e pode ter acontecido após um evento de extinção que removeu concorrentes anteriores”, concluiu o coautor do estudo.

Fonte: Live Science e Nature Communications