Quando pensamos na família dos canídeos — que inclui cães e lobos —, a imagem que nos vem à cabeça é de animais estrangeiros. No entanto, o Brasil é lar de uma rica diversidade de canídeos brasileiros, adaptados aos mais variados biomas. A história dessa família no continente sul-americano é antiga, com seus primeiros representantes chegando há cerca de 3 milhões de anos.
Hoje, seis espécies diferentes habitam o nosso território. Vamos conhecê-las?

1. O Lobo-guará: o gigante solitário do Cerrado
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior e mais icônico dos canídeos brasileiros. Com suas pernas longas, adaptadas para se mover entre a vegetação alta do Cerrado, ele pode chegar a medir 1 metro de altura. Sua pelagem vermelho-dourada e sua crina escura o tornam inconfundível. Ao contrário de outros lobos, o lobo-guará é um animal solitário, formando casais apenas na época de reprodução. Embora seja um símbolo do nosso bioma, ele está classificado como Vulnerável devido à destruição de seu habitat.

2. Cachorro-do-mato: o onívoro adaptável
Presente em quase todos os biomas do país, o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um dos canídeos mais versáteis. Sua pelagem varia entre o cinza e o castanho, e ele se destaca por sua dieta generalista. Por ser noturno e se alimentar de frutos, insetos e até carcaças, ele é um importante dispersor de sementes. Sua capacidade de se adaptar a áreas modificadas pelo ser humano o torna uma espécie frequentemente avistada em beiras de estradas, onde, infelizmente, muitos são vítimas de atropelamentos. A espécie também é classificada como Vulnerável.

3. Raposa-do-campo: a caçadora de insetos
Esta é a única espécie de canídeo endêmica do Cerrado, ou seja, só pode ser encontrada neste bioma. De hábitos predominantemente noturnos, a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus) se alimenta principalmente de insetos, como cupins e formigas. Ela também se delicia com pequenos roedores e frutos. Além disso, é um animal que pode ser visto em pequenos grupos, especialmente quando há abundância de alimento. Sua preservação está diretamente ligada à conservação do Cerrado, e a espécie é classificada como Quase Ameaçada.

Foto: Wikimedia Commons
4. Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas: o misterioso canídeo amazônico
Este é, sem dúvida, o mais discreto e menos conhecido dos canídeos brasileiros. Com suas orelhas pequenas e cabeça alongada, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis) habita as florestas tropicais da bacia Amazônica. Sua dieta é variada, incluindo mamíferos, peixes e répteis, o que demonstra sua incrível adaptabilidade. A perda de habitat na Amazônia é a maior ameaça a essa espécie, que está classificada como Vulnerável.

5. Graxaim-do-campo: o canídeo dos pampas
Muito parecido com o cachorro-do-mato, o graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus) se diferencia por sua coloração mais clara e a pelagem densa. Ele habita as paisagens abertas do Pampa e do Cerrado, e sua dieta generalista varia de acordo com a disponibilidade de presas. Curiosamente, sua alimentação pode ser alterada pela presença humana. Felizmente, sua situação é a menos preocupante entre os canídeos, sendo classificado como Menos Preocupante.

6. Cachorro-vinagre: o caçador social da floresta
Esta espécie vive em uma variedade de tipos florestais, e é frequentemente encontrada próximo de rios. Além do Brasil, há registros de ocorrência no Panamá, Equador, Colombia, leste do Peru, Venezuela, Guiana, Paraguai, nordeste da Argentina e leste da Bolívia. O cachorro-vinagre (Speothos venaticus) possui uma aparência distinta, com pequenas orelhas arredondadas e pernas e cauda curtas. Sua dieta é predominantemente carnívora, focada em roedores grandes e pequenos veados. Eles usam tocas de tatu ou troncos ocos como abrigo e caçam em grupos durante o dia. A espécie está classificada como Quase Ameaçada.
Por MB.
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