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Biomas em perigo: o desmatamento e seus impactos na fauna

Bovinos pastam em área desmatada na Amazônia, ilustrando o impacto da pecuária. Foto: Canva.com

O Brasil é lar de uma biodiversidade exuberante, crucial para o equilíbrio ecológico global. Assim sendo, o país enfrenta um desafio alarmante: o desmatamento e a fauna brasileira sofrem diretamente com a incessante derrubada de florestas e a conversão de áreas naturais em pastagens, lavouras e áreas urbanas alteram a paisagem. Por conseguinte, desencadeiam uma crise silenciosa que afeta diretamente a vasta e singular fauna brasileira. Para inúmeras espécies, cada hectare perdido representa a supressão de seu lar. Representa também a perda de suas fontes de alimento e de seus refúgios. Em virtude disso, isso as empurra cada vez mais perto da extinção.

A complexa teia da vida floresce na Amazônia, na Mata Atlântica, no Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e nos Pampas. Sobretudo, essa teia depende intrinsecamente da integridade de seus habitats. Quando esses ecossistemas são fragmentados ou destruídos, as consequências para os animais são dramáticas. Rotas migratórias são interrompidas. A competição por recursos se intensifica. Ademais, a vulnerabilidade a predadores e a eventos climáticos extremos aumenta exponencialmente. O impacto do desmatamento reverbera por toda a cadeia alimentar. Em última análise, ele desestabiliza intrincadas relações ecológicas que levaram milênios para se formar.

Desmatamento e fauna brasileira: bioma a bioma

Amazônia

Na majestosa Amazônia, o desmatamento representa uma ameaça direta a espécies icônicas. Em primeiro lugar, a principal causa é a expansão agropecuária e a mineração ilegal. Dados recentes do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam uma queda de 22,3% na taxa de desmatamento em 2023 em relação ao ano anterior. Não obstante, a área desmatada ainda atingiu 9.001 km², um número alarmante. Essa situação continua a pressionar a fauna local [2]. Um estudo publicado na revista Nature Climate Change estimou que a Amazônia poderá perder até 69% de seu habitat até 2050. Desse modo, isso trará consequências catastróficas para a sua rica biodiversidade [1].

Mata Atlântica

A outrora vasta Mata Atlântica já perdeu mais de 85% de sua cobertura original. Em decorrência de essa devastação histórica, espécies endêmicas foram severamente impactadas. O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) e a anta (Tapirus terrestris) são exemplos. Eles lutam pela sobrevivência em um território cada vez menor e mais isolado. Por conseguinte, isso dificulta o fluxo gênico e aumenta sua vulnerabilidade a doenças.

Cerrado

O Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo. Contudo, ele também sofre com o avanço da agricultura e da pecuária. A conversão de suas áreas nativas para plantações de soja e pastagens tem dizimado populações de animais emblemáticos. O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) são afetados. A razão disso é que eles dependem de grandes áreas para caçar e se reproduzir. Dados do MapBiomas indicam um aumento significativo no desmatamento no Cerrado em 2022. A área desmatada foi de 1.114.473 hectares, um crescimento de 31,2% em relação a 2021 [3].

Caatinga

Na árida Caatinga, o desmatamento agrava os desafios de um bioma já naturalmente resiliente à seca. Principalmente, a produção de lenha e a expansão da agricultura são as principais causas. Espécies como a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) e o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) enfrentam a perda de seu habitat. Afinal de contas, a sobrevivência nesse ambiente já é uma batalha constante.

Pantanal

O Pantanal é resiliente aos ciclos de inundação e seca. Não obstante, ele sente os impactos do desmatamento nas áreas de sua bacia hidrográfica. Em virtude disso, isso altera o regime das águas e afeta a vida de animais como a capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), o jacaré (Caiman latirostris e Caiman yacare) e diversas aves aquáticas.

Pampas

Até mesmo os Pampas sofrem com a conversão para a agricultura e a silvicultura. De maneira similar, seus campos aparentemente infinitos são impactados. A fauna campestre, como o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) e o quero-quero (Vanellus chilensis), também sofre.

Desmatamento e o futuro da fauna brasileira: um silêncio crescente?

A perda de habitat, impulsionada pelo desmatamento, não é apenas uma questão ambiental. Aliás, é também econômica e social, com impactos diretos no futuro da desmatamento e fauna brasileira. A biodiversidade é a base de serviços ecossistêmicos essenciais. Polinização, regulação do clima e purificação da água são cruciais para a nossa própria sobrevivência. Por conseguinte, a extinção de espécies representa a perda irreparável de um patrimônio natural único. Representa também a perda de potenciais descobertas científicas e médicas.

Para refletir:

Considerando a intrínseca ligação entre a saúde dos nossos biomas e a sobrevivência da nossa fauna, e reconhecendo que somos parte dessa mesma teia da vida, qual o papel que cada um de nós pode e deve desempenhar para frear o desmatamento e proteger o futuro da rica biodiversidade brasileira? De que formas podemos pressionar por políticas mais eficazes e adotar práticas mais sustentáveis em nosso dia a dia?

Notas:

[1] Soares-Filho, B. S., Moutinho, P., Nepstad, D., Anderson, A., Rodrigues, H., Garcia, R., … & Maretti, C. (2006). Future scenarios of forest cover loss in the Amazon. Nature Climate Change, 6(7), 744-748.

[2] Agência Gov. (2023, 9 de novembro). Taxa de desmatamento na Amazônia cai 22,3% em 2023. Recuperado de https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202311/taxa-de-desmatamento-na-amazonia-cai-22-3-em-2023-1

[3] MapBiomas. (2023, 12 de junho). Desmatamento nos biomas do Brasil cresceu 22,3% em 2022. Recuperado de https://brasil.mapbiomas.org/2023/06/12/desmatamento-nos-biomas-do-brasil-cresceu-223-em-2022/

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