Anuncie

(21) 98462-3212

E-mail

comercial@meusbichos.com.br

Espécies invasoras: uma ameaça silenciosa à biodiversidade

O peixe-leão é uma espécie invasora que ameaça a biodiversidade marinha no Brasil. Foto: Canva.com

A biodiversidade do nosso planeta enfrenta múltiplos desafios, e um dos mais insidiosos, muitas vezes subestimado, é a forma como as espécies invasoras ameaçam a biodiversidade, gerando um desequilíbrio ecológico devastador. Esses seres, sejam plantas, animais ou microrganismos, são introduzidos em novos ambientes e, sem predadores ou controles naturais, proliferam descontroladamente. O resultado é um desequilíbrio ecológico devastador que ameaça a sobrevivência de espécies nativas e altera ecossistemas inteiros.

Ainda que muitas delas cheguem a novos locais de forma não intencional, seu impacto é vasto e preocupante. Compreender a dimensão desse problema e os exemplos mais marcantes de como essas espécies afetam a natureza é crucial para que possamos agir de forma mais eficaz na proteção do nosso patrimônio natural.

Espécies invasoras: o que são?

Espécies invasoras são aquelas introduzidas em um ecossistema fora de sua área de distribuição natural, onde se estabelecem, se dispersam e causam impactos negativos na biodiversidade nativa, nos serviços ecossistêmicos, na economia ou na saúde humana.

Impacto das invasoras na biodiversidade

A proliferação de espécies invasoras é uma das cinco maiores causas diretas da perda de biodiversidade globalmente. Dados recentes do Relatório de Avaliação do IPBES sobre Espécies Exóticas Invasoras e seu Controle (2023) revelam a dimensão do problema:

  • Existem atualmente mais de 37.000 espécies exóticas introduzidas pela atividade humana em todo o mundo.
  • Desse total, mais de 3.500 são classificadas como espécies exóticas invasoras prejudiciais.
  • Essas espécies são um importante impulsionador de extinções: cerca de 60% de todas as extinções documentadas de plantas e animais no mundo foram causadas por espécies invasoras, ou elas contribuíram para essas extinções.

Elas competem com espécies nativas por recursos, predam-nas, transmitem doenças e modificam habitats, levando à redução de populações e, em muitos casos, à extinção.

O alto custo econômico

Além do impacto ambiental, as espécies invasoras geram um fardo econômico colossal. O mesmo relatório do IPBES (2023) estima que o custo anual global das espécies invasoras já excede US$ 423 bilhões. Esse valor quadruplicou a cada década desde 1970, mostrando uma tendência de crescimento alarmante. Os custos incluem perdas na agricultura, pesca, infraestrutura e saúde humana, além dos gastos com controle e erradicação.

Exemplos notórios de invasores

Diversas espécies se tornaram invasoras em novos territórios, causando grandes prejuízos:

  • Peixe-Leão (Pterois volitans ou Pterois miles): Originário do Indo-Pacífico, esse peixe marinho de beleza exótica e veneno potente tornou-se um grande problema em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil. Em locais como Fernando de Noronha, ele se reproduz rapidamente e não possui predadores naturais, competindo com espécies nativas por alimento e alterando ecossistemas de recifes de corais. Sua picada, embora não seja fatal para humanos, causa dor intensa e outros sintomas.
  • Javali (Sus scrofa): Introduzido em várias partes do mundo para caça, o javali causa destruição generalizada de lavouras, ecossistemas naturais e até mesmo ataca animais domésticos e silvestres, competindo por alimento e habitat.
  • Rã-touro (Lithobates catesbeianus): Originária da América do Norte, a rã-touro é criada para consumo em muitos países. Quando escapa ou é solta, torna-se uma predadora voraz de anfíbios, répteis e pequenos mamíferos nativos, além de competir por alimento e transmitir doenças.
  • Mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei): Vindo da Ásia, esse molusco bivalve aquático se incrusta em superfícies rígidas. No Brasil, causa entupimento de tubulações de usinas hidrelétricas e estações de tratamento de água, além de alterar a cadeia alimentar e a qualidade da água em rios e reservatórios.
  • Capim-braquiária (Urochloa brizantha, Urochloa decumbens): Plantas forrageiras introduzidas para pastagem. Embora úteis na pecuária, tornam-se invasoras agressivas em áreas naturais, alterando o solo, competindo com a flora nativa e aumentando o risco de incêndios.

Como elas se espalham?

As espécies invasoras se espalham principalmente através de atividades humanas, como o transporte de mercadorias (navios, aviões), comércio de animais de estimação exóticos, jardinagem, agricultura e pesca. A conscientização sobre essas vias de introdução é essencial para a prevenção.

Controle e erradicação: histórias de sucesso

Apesar dos desafios, a luta contra as espécies invasoras tem mostrado resultados promissores, especialmente quando há detecção precoce e ação coordenada. O IPBES (2023) aponta que mais de 80% das erradicações de espécies invasoras em ilhas têm sido bem-sucedidas ou estão em andamento.

  • Ilha Henderson (Oceano Pacífico): Considerada Patrimônio Mundial da UNESCO, a ilha foi infestada por ratos-pretos (Rattus rattus) que predavam filhotes de aves marinhas. Após um esforço de erradicação de ratos, as populações de aves, incluindo o petrel-de-Henderson, estão se recuperando notavelmente.
  • Geórgia do Sul (Oceano Atlântico): Esta ilha subantártica passou por um dos maiores projetos de erradicação de roedores da história, removendo ratos e renas. O resultado foi a revitalização das populações de aves nativas e da vegetação.
  • Ilhas da Nova Zelândia: A Nova Zelândia é um exemplo global na erradicação de espécies invasoras em ilhas, como ratos, gambás e mustelídeos, salvando muitas de suas espécies únicas de aves.

Esses exemplos mostram que, embora a tarefa seja complexa, a erradicação de espécies invasoras é possível e traz benefícios significativos para a restauração da biodiversidade.

Agir é preciso

A ameaça das espécies invasoras é real e crescente, com impactos ecológicos e econômicos inegáveis. No entanto, o conhecimento e a ação são nossas maiores ferramentas. Ao apoiar pesquisas, projetos de controle e erradicação, e ao adotar práticas conscientes para evitar a introdução e dispersão dessas espécies, podemos proteger nossos ecossistemas e garantir um futuro mais biodiverso para todos.

Referências:

  • IPBES (Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services). (2023). Summary for Policymakers of the Thematic Assessment of Invasive Alien Species and their Control. Bonn, Germany: IPBES secretariat. (Disponível no site oficial do IPBES).

Por MB.

Leia mais: A incrível resiliência das garças: símbolo de vida em meio à poluição