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A fauna brasileira é pilar da saúde global. Essa afirmação não é um exagero; ela reflete a realidade de um país que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta. Com uma variedade incomparável de espécies que habitam desde a vasta Amazônia até a Mata Atlântica e o Pantanal, o Brasil se destaca como um dos países mais ricos em biodiversidade. Essa riqueza biológica não só sustenta complexas cadeias alimentares e ciclos naturais dentro de suas fronteiras, mas também desempenha um papel crucial na regulação do clima, na manutenção da qualidade do ar e da água, e na polinização, impactando a vida muito além de seus limites geográficos.
Um estudo recente de junho de 2025, liderado por pesquisadores da USP e publicado na prestigiosa revista Nature Ecology & Evolution¹, veio a reforçar essa perspectiva, sublinhando que a conservação da fauna brasileira é de suma importância para a estabilidade climática e ecológica de todo o planeta. A pesquisa detalhou como a perda de espécies ou a degradação de habitats no Brasil pode desencadear efeitos dominó que reverberam globalmente, afetando desde padrões climáticos até a produtividade agrícola em outros continentes.
Por que a fauna brasileira é essencial
A contribuição da fauna brasileira para o planeta é multifacetada. Por exemplo, a diversidade de insetos como a abelha-sem-ferrão (Melipona scutellaris) e borboletas como a borboleta-monarca (Danaus plexippus), junto com aves polinizadoras como o beija-flor (Trochilidae), atua como polinizadores naturais, essenciais para a produção de alimentos tanto no Brasil quanto em outros países que dependem de culturas agrícolas polinizadas. Além disso, grandes mamíferos como a anta (Tapirus terrestris) e aves como o tucano (Ramphastidae) desempenham um papel vital na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração florestal e a manutenção da biodiversidade vegetal, que por sua vez, é crucial para a absorção de dióxido de carbono e a mitigação das mudanças climáticas.
Impacto global da perda de espécies
A perda de espécies na fauna brasileira não é apenas uma tragédia local. Como afirma a Dra. Ana Paula Dias, coordenadora do estudo da USP: “Cada espécie que perdemos no Brasil é um elo enfraquecido na teia da vida global. A interconexão dos ecossistemas significa que a degradação aqui tem consequências em cascata em todo o mundo”². Essa preocupação é corroborada por um relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), que em março de 2025, já alertava sobre a crise dos polinizadores e seu impacto direto na segurança alimentar global, tema intrinsecamente ligado à saúde da fauna brasileira³.
Ações de conservação
Diante desse cenário, a necessidade de políticas de proteção mais robustas e o engajamento internacional na salvaguarda da fauna brasileira são mais urgentes do que nunca. Iniciativas que promovem a criação de unidades de conservação, o combate ao tráfico de animais silvestres e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais são fundamentais. A conscientização global sobre o valor intrínseco e os serviços ecossistêmicos prestados pela fauna brasileira é o primeiro passo para garantir que essa megadiversidade continue a prosperar e a beneficiar todo o planeta.
Por MB.
Fontes:
¹ Estudo “The Global Significance of Brazilian Fauna Biodiversity” (junho de 2025) – Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), publicado na Nature Ecology & Evolution. ² Citação adaptada da Dra. Ana Paula Dias, coordenadora do estudo da USP. ³ Relatório da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) em conjunto com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) (março de 2025).
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