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Você já parou para pensar que os animais arquitetos da terra não são apenas habitantes, mas verdadeiros moldadores do nosso planeta? Uma pesquisa global inovadora, liderada pela Queen Mary University of London e divulgada em 2024 pela EurekAlert!, revelou o impacto surpreendente de centenas de espécies na formação e manutenção das paisagens que conhecemos. Como a perda desses animais pode ter consequências catastróficas para o nosso ambiente?
Este estudo, que é o primeiro global sobre o tema, identificou mais de 600 espécies, desde minúsculas formigas (Formicidae) a imponentes hipopótamos (Hippopotamus amphibius), que influenciam ativamente os processos da superfície terrestre. Eles moldam rios, criam vastas redes de cupinzeiros visíveis do espaço e, de fato, transformam solos e drenagens. A energia que esses “engenheiros” animais liberam na modelagem da terra é, por vezes, comparável à de centenas de milhares de grandes inundações.
Pequenos grandes engenheiros da natureza
A pesquisa detalha como essas espécies agem. Por exemplo, os castores (Castor canadensis), conhecidos por construir represas complexas, são capazes de criar ecossistemas aquáticos inteiros. Da mesma forma, a desova de salmões (Oncorhynchus spp.) pode movimentar sedimentos em rios em uma escala que se assemelha a inundações anuais. Além disso, a ação constante de formigas (Formicidae) e cupins (Isoptera), embora pequena individualmente, altera a estrutura do solo e a drenagem em grande escala, influenciando vastas áreas.
O risco da perda: uma ameaça invisível
O estudo alerta que quase 30% das espécies identificadas como “arquitetas da terra” estão em risco, são raras ou endêmicas. Isso significa que processos geomórficos vitais, cruciais para a saúde dos ecossistemas, podem desaparecer antes mesmo que sua plena significância seja compreendida. A perda de biodiversidade não é apenas a extinção de uma espécie; é, sem dúvida, a perda de um pilar fundamental para a estrutura e funcionalidade do nosso planeta.
Reflexão: valorizando a interconexão da vida
Esta pesquisa nos convida, portanto, a reavaliar a forma como enxergamos a natureza. Os animais não são meros componentes do ambiente; eles são agentes ativos que moldam e mantêm a funcionalidade dos ecossistemas. A proteção da fauna, dessa maneira, é essencial não apenas por questões éticas, mas para a própria sustentabilidade do planeta e de todas as formas de vida.
Como podemos valorizar e proteger o trabalho desses “arquitetos” naturais antes que seja tarde demais?
Nota:
- Informações baseadas no estudo “Global quantification of terrestrial animal biotas’ contribution to Earth’s surface processes” da Queen Mary University of London, divulgado via EurekAlert! em março de 2024.
- Fontes consultadas: EurekAlert! e artigos relacionados ao tema em veículos de notícias científicas internacionais.
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Por MB.
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