
Imagem: IA Google
Um submersível chinês descobriu milhares de moluscos e vermes na Fossa das Marianas, a quase 10 mil metros de profundidade. Este feito, que a ciência classifica como a colônia de animais mais profunda já observada, traz novas e surpreendentes informações sobre a vida na Fossa das Marianas.
A revelação, noticiada em um estudo publicado na revista Nature, mostra a existência de um “oásis vibrante” de vida em um dos ambientes mais hostis e inexplorados da Terra. Conforme a geocientista marinha Mengran Du explicou à Reuters, a descoberta é inovadora não apenas pela profundidade, mas pela “impressionante abundância e diversidade” da vida observada.
A surpreendente vida nas profundezas
As comunidades recém-descobertas consistem principalmente de vermes tubulares (Polychaeta) e moluscos bivalves (Bivalvia), estendendo-se por mais de 2.500 quilômetros. A descoberta desafia os modelos atuais sobre a vida e o ciclo de carbono no fundo do oceano.
O estudo indica que essas criaturas, em vez de obterem energia por meio da fotossíntese (impossível sem luz solar), sobrevivem por meio da quimiossíntese. Esse processo utiliza substâncias químicas como o metano, que vazam através de rachaduras no fundo do oceano, como sua fonte de energia.
A jornada para o abismo
O submersível Fendouzhe realizou 23 mergulhos na Fossa das Marianas no último ano. A profundidade da trincheira supera a altura do Monte Everest e representa um ambiente extremo, onde nenhuma luz solar consegue penetrar.
O coautor do estudo, Mengran Du, descreveu a experiência como “extraordinária, como viajar no tempo”. O pesquisador Xiatong Peng acrescentou que comunidades quimiossintéticas podem ser “mais disseminadas do que o previsto”, dada a semelhança geológica com outras fossas hadais, sugerindo a existência de mais vida abundante no desconhecido.
A mineração no fundo do mar
A descoberta levanta um alerta importante no debate sobre a mineração em águas profundas. Cientistas oceânicos têm alertado que essa atividade, que busca minerais valiosos, pode destruir ecossistemas marinhos frágeis e pouco explorados. As novas evidências sobre a vida na Fossa das Marianas mostram que o fundo do oceano não é um deserto, mas sim um ecossistema complexo e vulnerável, que precisa ser protegido.
A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos ainda debate as regras que regem esse setor, e as descobertas servem como um lembrete do quão pouco se sabe sobre a vida marinha a grandes profundidades.
Por MB.
Notas:
- Fonte Principal: Resultados do estudo “Flourishing chemosynthetic life at hadal depths of the Mariana Trench” publicados na revista Nature.
- Referências Adicionais: Reportagens publicadas pela Oceanographic, Phys.org e Reuters.
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