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Peixe de 310 milhões de anos é o mais antigo a ter dentes na língua

Esta ilustração científica recria o Platysomus parvulus, um peixe de nadadeiras raiadas que viveu há 310 milhões de anos. O destaque da imagem é o seu mecanismo de “mordida de língua”, que mostra conjuntos de dentes no céu e no assoalho da boca, uma característica evolutiva única para esmagar presas duras, como insetos e conchas. Imagem: IA Google

O mais antigo exemplar de peixe com dentes adicionais na boca foi descoberto: um fóssil de peixe com nadadeiras raiadas de 310 milhões de anos, que evoluiu uma forma única de devorar suas presas. A descoberta preenche uma lacuna na compreensão sobre a evolução dos peixes após o evento de extinção em massa do Devoniano Superior.

O peixe, batizado de Platysomus parvulus, possuía um método de alimentação nunca antes visto em peixes dessa época. Ele utilizava uma “mordida de língua”, com um conjunto especial de dentes no céu e no assoalho da boca para esmagar e mastigar alimentos mais duros, como conchas ou insetos.

A maioria dos peixes hoje usa suas mandíbulas para morder e mastigar, mas alguns também têm mordidas de língua, que funcionam como um segundo conjunto de mandíbulas. No entanto, até agora, o peixe mais antigo conhecido com tal arranjo dental viveu cerca de 150 milhões de anos depois.

A descoberta e a mordida de língua

Publicando suas descobertas na revista Biology Letters, a equipe de pesquisa internacional usou uma tomografia computadorizada de alta resolução para reconstruir a anatomia interna do fóssil. O material foi descoberto em formações rochosas do Período Carbonífero no condado de Staffordshire, no Reino Unido.

Os pesquisadores descobriram um arranjo sofisticado de placas dentárias no céu da boca do peixe e no esqueleto branquial. A mordida de língua envolve conjuntos de dentes opostos, um no céu da boca e outro no esqueleto branquial, que trabalham juntos para segurar e esmagar a presa.

O fóssil de Platysomus estudado foi preservado em 3D, permitindo que os pesquisadores visualizassem o interior de sua boca e dissecassem digitalmente sua anatomia. Isso revelou uma placa dentária inferior de várias partes e uma placa superior estreita, ambas com uma única camada de dentes pontiagudos. Este arranjo sugere um estágio de transição na evolução de sistemas de mordida de língua mais avançados, vistos em peixes posteriores como o Bobasatrania.

Um elo perdido na evolução dos peixes

O professor Sam Giles, principal autor da pesquisa e da Universidade de Birmingham, comentou que a descoberta ajuda a entender como os peixes evoluíram após a extinção em massa do Devoniano Superior. “Após este evento, os peixes começaram a mudar e a desenvolver novas formas corporais e maneiras de se alimentar”, explicou. Ele também destacou que as mordidas de língua evoluíram muitas vezes em diferentes grupos de peixes, demonstrando ser uma ferramenta útil que os ajuda a comer uma variedade maior de alimentos e sobreviver em ambientes diversos.

Já o coautor Dr. Matthew Kolmann, da Universidade de Louisville, descreveu o Platysomus parvulus como um “elo perdido” entre os peixes com mandíbulas simples e os “mordedores de língua” mais avançados. Ele acrescentou que peixes posteriores, como o grupo Bobasatrania, tinham mordidas de língua mais avançadas e não usavam as mandíbulas, contando com essa ferramenta para esmagar alimentos duros.

A descoberta corrobora um modelo de inovação rápida em peixes com nadadeiras raiadas, que experimentaram novas estratégias de alimentação após a extinção em massa.

Por MB.

Nota:

Este artigo foi baseado em materiais fornecidos pela University of Birmingham e publicado na revista Biology Letters. As informações foram adaptadas para este texto.

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