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Branqueamento de corais: o alerta silencioso dos oceanos

Cerca de 80% dos recifes de coral do mundo já foram comprometidos. Foto: Canva.com

Os recifes de coral, vibrantes “florestas” subaquáticas, estão em uma crise global sem precedentes. Relatórios recentes e estudos científicos alarmantes indicam que cerca de 80% dos recifes de coral do mundo já foram comprometidos, seja por perda total, degradação severa ou branqueamento frequente. Essa estatística preocupante não poupa nenhum continente e atinge diretamente ecossistemas marinhos cruciais, inclusive os do Brasil. O fenômeno do branqueamento, uma manifestação visível do estresse dos corais, é um alerta silencioso sobre a saúde dos nossos oceanos e as profundas consequências da ação humana no planeta.

A degradação desses ecossistemas vitais tem um impacto cascata, afetando a biodiversidade marinha, a segurança alimentar de comunidades costeiras e até mesmo a proteção de litorais contra tempestades e erosão. Como resumiu o pesquisador brasileiro Marcelo Kitahara, no Jornal da USP: “O oceano está aquecendo e estamos percebendo de forma cada vez mais intensa os efeitos disso sobre os corais. É muito preocupante.” Compreender o que são os recifes de coral, a importância das espécies que neles habitam, as causas desse branqueamento e a situação específica em recifes globais e no Brasil é fundamental para mobilizar esforços de conservação e reverter, na medida do possível, esse cenário desolador.

O que são recifes de coral?

Recifes de coral são estruturas subaquáticas complexas formadas pela acumulação de esqueletos de carbonato de cálcio produzidos por colônias de pequenos animais marinhos chamados pólipos de coral. Esses pólipos vivem em uma relação simbiótica crucial com algas microscópicas, as zooxantelas, que vivem dentro de seus tecidos. As zooxantelas realizam fotossíntese e fornecem aos corais a maior parte de sua energia, além de lhes dar suas cores vibrantes. Em troca, os corais oferecem um ambiente protegido para as algas.

Biodiversidade e a importância do ecossistema de coral

Os recifes de coral são verdadeiros “oásis” de biodiversidade, abrigando uma vasta gama de vida marinha – por vezes, chamados de “florestas tropicais dos oceanos”. Estima-se que, embora cubram menos de 1% do fundo do oceano, eles forneçam habitat para cerca de 25% de todas as espécies marinhas conhecidas. Entre as espécies que ali vivem, encontramos:

  • Peixes: Diversas espécies de peixes recifais, como peixes-borboleta, peixes-papagaio, garoupas e peixes-palhaço, dependem dos recifes para alimentação, abrigo e reprodução.
  • Invertebrados: Milhares de espécies de invertebrados, incluindo estrelas-do-mar, ouriços-do-mar, caranguejos, camarões, moluscos e anêmonas, interagem nos recifes.
  • Tartarugas marinhas: Muitos recifes são áreas de alimentação e descanso para tartarugas-marinhas, como a tartaruga-verde e a tartaruga-de-pente.
  • Outros corais: Além dos corais duros formadores de recifes, corais moles também contribuem para a complexidade do ecossistema.

A importância desse ecossistema vai muito além da biodiversidade:

  • Proteção costeira: Atuam como barreiras naturais, protegendo as costas da erosão e do impacto de ondas e tempestades.
  • Fonte de alimentos: Sustentam pescas comerciais e de subsistência, sendo a base da cadeia alimentar para muitas comunidades costeiras.
  • Indústria farmacêutica: São uma fonte potencial de novos compostos para medicamentos, incluindo tratamentos para câncer, artrite e doenças cardíacas.
  • Turismo: Geram bilhões de dólares em receita global através do turismo de mergulho e observação.

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As causas do branqueamento de corais

O branqueamento de corais ocorre quando os corais, sob estresse, expelem as zooxantelas que vivem em seus tecidos. Sem as algas, os tecidos do coral se tornam transparentes, revelando o esqueleto branco de carbonato de cálcio por baixo. Embora o coral não morra imediatamente, ele fica enfraquecido e mais suscetível a doenças, com pouca chance de sobrevivência se o estresse persistir. As principais causas incluem:

  • Aumento da temperatura da água: A causa mais significativa. Temperaturas oceânicas elevadas por períodos prolongados estressam os corais, fazendo com que as zooxantelas sejam expelidas. Este é um efeito direto das mudanças climáticas globais.
  • Poluição marinha: Produtos químicos agrícolas, esgoto e plásticos podem comprometer a qualidade da água, tornando os corais mais vulneráveis.
  • Acidificação dos oceanos: O aumento da absorção de dióxido de carbono pela água do mar leva à diminuição do pH (acidificação), dificultando a capacidade dos corais de construir seus esqueletos de carbonato de cálcio.
  • Sedimentação: O desmatamento e o desenvolvimento costeiro aumentam o escoamento de sedimentos, que podem sufocar os corais e bloquear a luz solar necessária para a fotossíntese das zooxantelas.
  • Doenças: Corais enfraquecidos pelo estresse são mais suscetíveis a diversas doenças.

Maiores recifes ameaçados no mundo

Os maiores e mais ameaçados recifes de coral do mundo incluem:

  • Grande Barreira de Coral (Austrália): O maior sistema de recifes de coral do mundo, Patrimônio Mundial da UNESCO. Tem sofrido eventos de branqueamento massivo e recorrente nos últimos anos, perdendo grandes porções de coral vivo.
  • Recifes do Triângulo de Coral (Sudeste Asiático): Conhecido como a “Amazônia dos Mares”, possui a maior biodiversidade de corais e peixes do mundo. Também está sob grave ameaça devido ao aquecimento global e à pesca predatória.
  • Recifes do Caribe: Muitas áreas têm experimentado declínios drásticos na cobertura de corais nas últimas décadas, com eventos de branqueamento e doenças generalizadas.

A situação nos recifes do Brasil

O Brasil abriga a maior e mais rica área de recifes de coral do Atlântico Sul, estendendo-se por mais de 3.000 km da costa. Nossos recifes são considerados únicos por sua estrutura e pela alta taxa de endemismo de algumas espécies. No entanto, eles estão sob ameaça crescente:

  • Eventos de branqueamento: Os recifes brasileiros têm registrado múltiplos eventos de branqueamento em larga escala, especialmente na costa nordeste, onde a temperatura da água é naturalmente mais elevada e as ondas de calor marinho são mais intensas. Pesquisas indicam que as temperaturas anormais da água durante o El Niño, por exemplo, causaram branqueamentos significativos, com alta mortalidade em alguns pontos.
  • Poluição e impacto humano: Além das mudanças climáticas, os recifes do Brasil sofrem com a poluição de esgoto não tratado, o desmatamento costeiro que aumenta a sedimentação, a pesca excessiva e a pressão do turismo desordenado.
  • Consequências locais: A perda de corais afeta diretamente a pesca artesanal, a economia local baseada no turismo e a proteção de áreas costeiras vulneráveis.

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A crise dos recifes de coral é um chamado urgente para a ação. A redução das emissões de gases de efeito estufa, o combate à poluição local e a criação de áreas marinhas protegidas são passos essenciais para dar uma chance de sobrevivência a esses ecossistemas incríveis e vitais para o planeta.

Fontes:

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Por MB.

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