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Retrospectiva: 12 notícias do mundo animal que marcaram 2025

Romulus e Remus com 15 dias e aos 5 meses. Imagem: Colossal Biosciences (via Instagram/Reprodução)

O ano de 2025 foi um verdadeiro divisor de águas para a ciência e a conservação. Da biotecnologia que ‘ressuscita’ genes do passado às vitórias históricas de espécies brasileiras, a vida animal ocupou as manchetes com dados que trazem esperança e novos desafios. Confira a nossa retrospectiva mês a mês com os fatos que definiram o ano.

Janeiro: o nascimento de Romulus e Remus

O ano começou com um marco da Colossal Biosciences: o nascimento de Romulus e Remus. Eles são os primeiros lobos-cinzentos (Canis lupus) editados geneticamente com traços do extinto lobo-terrível (Aenocyon dirus). Atualmente, os filhotes estão saudáveis e vivem em uma reserva de segurança máxima nos EUA. Eles são monitorados 24h por biólogos para entender como o fenótipo mais robusto e a mandíbula mais forte afetam seu comportamento social e biologia. Até o momento, a adaptação tem sido considerada um sucesso absoluto pela equipe de pesquisa.

Fevereiro: o desafio das ararinhas-azuis

Em fevereiro, o Criadouro Ararinha Azul, na Bahia, enfrentou um impasse com o ICMBio. Embora o órgão ambiental tenha citado um surto de circovírus letal, a gestão do criadouro informou dados precisos: das 103 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii), apenas 5 testaram positivo para o vírus, enquanto as outras 98 aves apresentaram resultados negativos. A divergência de dados pausou as solturas na Caatinga para garantir a biossegurança total do projeto, que é a última esperança para a espécie na natureza.

O Titã da Amazônia viveu há cerca de 80 milhões de anos. Imagem: IA Google

Março: a descoberta do Titã da Amazônia

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) e do Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, impressionaram o mundo com a descrição de um novo dinossauro gigante: o Titã da Amazônia. Esse saurópode viveu no período Cretáceo Superior (há cerca de 80 milhões de anos). O tamanho do fêmur encontrado sugere um animal de 25 metros de comprimento, sendo um dos maiores herbívoros que já habitaram o norte do Brasil.

Abril: a vitória dos pandas-gigantes

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) confirmou que a população de pandas-gigantes (Ailuropoda melanoleuca) continua em crescimento estável. Estima-se que existam agora cerca de 1.900 indivíduos vivendo livremente na natureza. Esse número é o resultado direto da expansão dos corredores de bambu e do rigoroso sistema de parques nacionais da China.

Maio: o novo primata da Amazônia

Cientistas do Instituto Mamirauá e do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) descreveram uma nova espécie de macaco-zogue-zogue (Plecturocebus) em uma área remota entre os rios Juruá e Tarauacá. O animal possui uma pelagem avermelhada distinta e um canto territorial único. A descoberta reforça que a biodiversidade amazônica ainda guarda segredos valiosos para a ciência.

Junho: o boom das onças no Pantanal

O monitoramento do Onçafari registrou dados recordes: a população de onças-pintadas (Panthera onca) na região monitorada cresceu cerca de 15% em relação ao ano anterior. Estima-se que o Pantanal abrigue hoje uma das densidades mais altas do mundo, com mais de 10 indivíduos identificados a cada 100 km² em áreas de preservação ativa.

Julho: a supercolônia de abelhas subterrâneas

Pesquisadores da Universidade de Queensland, em parceria com instituições brasileiras, localizaram uma supercolônia milenar de abelhas-sem-ferrão (Meliponini) em uma área preservada do Cerrado mineiro. A estrutura possui túneis que se estendem por metros abaixo do solo, funcionando como um termostato natural contra as ondas de calor que atingem a região.

Agosto: tradução do canto das baleias

Cientistas do Projeto CETI (Dominica) utilizaram modelos de linguagem de IA para decodificar o “alfabeto” das baleias-cachalotes (Physeter macrocephalus). Eles descobriram que as baleias usam sequências de cliques chamadas “codas” para discutir direções de caça e, surpreendentemente, para “apresentar” membros novos do grupo a outros clãs, funcionando quase como um nome próprio.

Setembro: o pássaro que “voltou dos mortos”

O explorador e ornitólogo John C. Mittermeier registrou, na remota Ilha de Fergusson (Papua-Nova Guiné), o pombo-faisão-de-nuca-preta (Otidiphaps nobilis insularis). A ave não era documentada por cientistas há mais de 125 anos e sua redescoberta em setembro foi considerada o “Santo Graal” da ornitologia moderna.

Outubro: a conquista da tartaruga-verde

Durante o Congresso Mundial de Conservação em Abu Dhabi, a tartaruga-verde (Chelonia mydas) foi oficialmente reclassificada pela IUCN de “Em Perigo” para “Pouco Preocupante” em nível global. O esforço de décadas de proteção em praias de desova no Brasil e no Caribe foi citado como o principal motivo para a recuperação das populações nidificantes.

Novembro: o Projeto Mammoth e o permafrost

A empresa Colossal Biosciences anunciou avanços no “Projeto Mammoth”. Cientistas integraram 59 genes de resistência ao frio do mamute-lanoso (Mammuthus primigenius) em células de elefantes-asiáticos (Elephas maximus). O objetivo é criar um híbrido capaz de viver no Ártico para compactar o permafrost — a camada de solo permanentemente congelada que retém bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Ao pisar e compactar o solo, esses animais ajudariam a evitar o degelo dessa camada e a liberação de metano.

Lagostas são seres sencientes, capazes de sentir dor e reagir ao ambiente de forma consciente.
Imagem: IA Google

Dezembro: direitos da senciência animal

Para encerrar o ano, a ONU aprovou a Declaração Universal da Senciência Animal. O documento reconhece legalmente que todas as espécies vertebradas (e alguns invertebrados complexos) possuem senciência — a capacidade de sentir emoções, dor e prazer. A medida força os países membros a revisarem leis de transporte, abate e entretenimento com animais.

O saldo de 2025 é claro: a ciência avançou a passos largos, mas a proteção dos habitats continua sendo a nossa maior ferramenta de defesa. Que os marcos deste ano sirvam de base para um 2026 de ainda mais respeito e harmonia entre os humanos e todas as formas de vida que compartilham este planeta conosco.

Por MB.

Nota técnica e fontes: Dados baseados em relatórios da IUCN (Red List), Colossal Biosciences (De-extinction Division), Projeto CETI (Science Advances), e comunicações oficiais da Sociedade Brasileira de Paleontologia e ICMBio.

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