Anuncie

(21) 98462-3212

E-mail

comercial@meusbichos.com.br

Vai viajar? Cuidados com peixes no aquário

Não basta jogar comida extra no aquário antes de viajar, até porque o excesso pode causar problemas.
Imagem: IA ChatGPT

As férias de janeiro finalmente chegaram e, com elas, surge a dúvida comum: o que fazer com o aquário durante a ausência da família? Diferente de cães e gatos, os peixes ornamentais não podem ser levados em viagens. Consequentemente, o planejamento antecipado dos cuidados com peixes é o que garantirá que você encontre tudo em ordem ao retornar para casa.

Além disso, muitos tutores cometem o erro de achar que basta jogar comida extra antes de sair. Segundo o biólogo Maurício Terra Júnior, esse é um perigo invisível: “O excesso de alimento que não é consumido apodrece rapidamente, alterando os níveis de amônia e podendo dizimar toda a fauna do aquário em poucos dias”. Por isso, o Meus Bichos preparou este guia para você viajar com tranquilidade.

Planejamento da alimentação

Primeiramente, a alimentação é a maior preocupação. Se você for passar apenas um final de semana fora, peixes saudáveis suportam bem o jejum. No entanto, para viagens mais longas, existem duas soluções principais: os alimentadores automáticos e os blocos de ração de liberação lenta.

Os alimentadores eletrônicos são mais precisos, pois liberam a quantidade exata de ração nos horários programados. Por outro lado, se optar pelos blocos de férias (aqueles brancos que se dissolvem), certifique-se de testá-los alguns dias antes da viagem. Isso ocorre porque alguns peixes podem não aceitar esse tipo de alimento ou a marca escolhida pode alterar o pH da água.

Espécies sensíveis ao calor de janeiro

De fato, o verão brasileiro exige atenção redobrada com espécies específicas. Os peixes de água fria, como o Kinguio (peixinho dourado), sofrem muito quando a temperatura sobe. Isso acontece porque o metabolismo deles acelera e o oxigênio na água diminui no calor, causando estresse severo.

Da mesma forma, em aquários marinhos, os corais são extremamente sensíveis. Se a temperatura passar dos 27°C ou 28°C por muito tempo, eles podem sofrer o chamado “branqueamento” e morrer rapidamente. Portanto, o uso de um chiller (equipamento de refrigeração que funciona como um ar-condicionado para a água) ou ventoinhas ligadas a um controlador é vital.

O desafio do aquário marinho

Além da temperatura, quem possui um sistema marinho precisa cuidar da salinidade. Devido à evaporação da água no calor, o sal fica mais concentrado, o que é fatal para animais marinhos. O uso de um repositor automático de água doce é indispensável na sua ausência.

Como reforça o biólogo Maurício Terra Júnior: “Em sistemas marinhos, a estabilidade é tudo. Deixar o aquário sem monitoramento de temperatura e densidade em janeiro é um risco altíssimo que pode ser evitado com automação básica”.

Atenção especial ao peixe Betta

Na verdade, quem possui apenas um Betta em uma beteira pequena corre um risco ainda maior no verão. Devido ao baixo volume de água, a temperatura do pote sobe muito rápido, “cozinhando” o peixe. Se for viajar, nunca deixe a beteira próxima a janelas onde bata sol.

“Beteiras pequenas sem filtragem acumulam sujeira muito rápido. Se você for ficar fora mais de dois dias, o ideal é passar o Betta para um aquário maior com filtro ou pedir para alguém trocar parte da água”, alerta o biólogo. Para o Betta, os blocos de alimento de fim de semana costumam funcionar bem, mas devem ser pequenos para não turvar a água.

Manutenção antes de partir

Logo após resolver a tecnologia, foque na qualidade da água. Essa etapa é essencial para ambos os tipos de aquário, sejam eles de água doce ou marinhos. Realize uma TPA (Troca Parcial de Água) cerca de cinco dias antes de viajar para garantir que os níveis de nitrato estejam baixos.

Todavia, nunca faça uma limpeza profunda ou troque as mídias filtrantes na véspera da partida. Se algum equipamento parar de funcionar após a manutenção ou se ocorrer um pico de amônia por excesso de limpeza, você precisará de tempo para observar e corrigir o problema antes de sair. No aquário marinho, essa antecedência é ainda mais crítica, pois qualquer variação brusca pode estressar os corais logo no início da sua viagem.

Segurança e automação

Realmente, a tecnologia é a melhor amiga do aquarista nessas horas. Além do alimentador, usar timers (temporizadores) para as luzes é essencial. Manter as luzes acesas direto causa surto de algas e estresse, enquanto deixá-las apagadas o tempo todo prejudica as plantas e o ciclo biológico.

Finalmente, se a sua viagem durar mais de uma semana, peça para um “fish sitter” ou um amigo de confiança visitar a casa. Oriente essa pessoa a apenas observar se os equipamentos estão ligados e se os peixes estão ativos. É fundamental ressaltar que você deve deixar a ração já separada em doses diárias para evitar que o ajudante ofereça comida demais por engano.

Por MB.

Fontes e referências:

  • Consultoria técnica com o biólogo Maurício Terra Júnior.
  • Manual de Cuidados da World Pet Association.

.

Leia mais: Quantos peixes cabem no seu aquário? Guia do iniciante para não errar

Leia mais: A iluminação do aquário: guia prático para a saúde de peixes e plantas

.