
O mau hálito nos animais de estimação muitas vezes é visto como algo normal, mas ele é o primeiro sinal de que a saúde bucal do pet não vai bem. Eventualmente, o acúmulo de sujeira e bactérias endurece sobre os dentes, formando o tártaro em cães e gatos, que pode causar dores intensas e até a perda da dentição – sem falar no popular “bafo”.
Inquestionavelmente, o tártaro não é apenas um problema estético, mas uma porta de entrada para doenças graves. “O tártaro é um acúmulo de bactérias que, se não removido, causa inflamações graves e pode afetar a saúde geral do pet”, alerta a veterinária Dra. Mabel Paulino.
O que causa o tártaro nos pets?
O problema começa com a formação da placa bacteriana, que surge após o pet comer. Basicamente, os restos de alimentos se misturam com a saliva e criam uma película nos dentes. Se não houver escovação, essa placa mineraliza e vira o tártaro, que é aquela camada amarelada ou marrom impossível de remover em casa.
A partir de qual idade o problema começa?
Geralmente, o tártaro começa a se manifestar por volta dos 2 ou 3 anos de idade, mas em raças de cães pequenas isso pode acontecer ainda mais cedo. Por outro lado, nos gatos, a formação também é comum e exige atenção redobrada, já que os felinos costumam esconder muito bem qualquer sinal de dor ou desconforto na boca.
Riscos de não tratar o tártaro
Certamente, o maior perigo de ignorar o problema é a infecção se espalhar pelo corpo. Além da perda dos dentes, as bactérias da boca podem atingir a corrente sanguínea. “A falta de tratamento pode levar a infecções em órgãos como o coração, o que torna o problema bucal algo muito mais perigoso”, explica a veterinária.
Como é feita a limpeza profissional (tartarectomia)?
Muitos tutores têm dúvida sobre o que acontece dentro do consultório. Basicamente, o veterinário utiliza um aparelho de ultrassom odontológico que vibra em alta frequência para desgrudar o tártaro sem danificar o esmalte do dente.
Posteriormente, é realizado o polimento dos dentes. Esse passo é fundamental, pois alisa a superfície do esmalte, dificultando que novas placas de bactérias se prendam ali rapidamente. Sem dúvida, esse é um procedimento que apenas um profissional capacitado pode realizar com segurança.
Anestesia: riscos, segurança e tempo de duração
Muitos tutores adiam o tratamento por medo da anestesia necessária para a limpeza profissional. De fato, o procedimento não pode ser feito com o animal acordado, pois é preciso remover o tártaro escondido sob a gengiva e utilizar equipamentos de ultrassom que seriam impossíveis de manejar com o pet inquieto.
Todavia, é importante entender que nem todo animal apresenta o mesmo risco. Os riscos anestésicos são maiores em animais que possuem doenças pré-existentes não controladas, como problemas renais ou cardíacos avançados. Por isso, a realização de exames de sangue e cardiológicos antes da cirurgia é obrigatória para classificar o “risco cirúrgico” do pet.
Qualquer animal pode tomar anestesia?
Geralmente, a maioria dos animais pode passar pelo procedimento, desde que estejam estáveis. Mesmo animais idosos, que costumam ter mais tártaro, podem ser anestesiados com segurança se os exames estiverem bons. A medicina veterinária hoje utiliza protocolos personalizados para cada idade e condição de saúde.
Quanto tempo o pet fica anestesiado?
Basicamente, o tempo de anestesia dura apenas o período do procedimento, que leva entre 30 a 60 minutos, dependendo da quantidade de tártaro. Como a técnica mais segura é a anestesia inalatória, o pet acorda logo após o fim da limpeza. “A monitorização constante e os protocolos modernos fazem com que o risco de manter uma infecção na boca seja muito maior do que o do procedimento anestésico controlado”, diz Mabel Paulino.
O perigo das “receitas caseiras” para tirar tártaro
Infelizmente, circulam na internet muitas receitas milagrosas que prometem remover o tártaro usando substâncias ácidas ou raspadores manuais em casa. Todavia, isso é extremamente perigoso. Tentar raspar o dente do pet sem técnica pode criar microfissuras no esmalte, o que acelera ainda mais o acúmulo de bactérias no futuro, além de causar dor e estresse desnecessários ao animal.
Dicas práticas para começar a escovação em casa
Certamente, o melhor caminho é acostumar o animal com a higiene bucal ainda filhote, facilitando a aceitação ao longo da vida. Todavia, se o seu pet já é adulto e não tem esse hábito, você deve começar o processo aos poucos para não assustá-lo.
Primeiramente, apresente a pasta de dente específica para pets — nunca use a de humanos, pois o flúor é tóxico para eles. Deixe que o animal lamba um pouco do produto para se familiarizar com o sabor, que geralmente é de carne ou frango. Em seguida, use uma dedeira ou uma escova de cerdas macias para massagear levemente os dentes e a gengiva.
Certamente, no início ele pode estranhar o toque, mas com paciência e recompensas positivas após cada tentativa, a escovação se torna um hábito natural. Portanto, insistir nesse cuidado diário é um investimento que pode salvar a vida do seu melhor amigo e evitar sofrimentos futuros.
Como prevenir o tártaro no dia a dia
Felizmente, existem formas simples de evitar que o seu pet sofra com isso. A escovação frequente e o uso de brinquedos ou produtos que auxiliam na limpeza mecânica dos dentes são fundamentais. Portanto, criar o hábito de cuidar da boca do seu cão ou gato é o melhor investimento para garantir que ele viva muito e sem dor.
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