
Recentemente, as primeiras aves marcaram o início da reintrodução de araras-canindé (Ara ararauna) no Rio de Janeiro, sobrevoando novamente o Parque Nacional da Tijuca. Essa iniciativa histórica faz parte de um esforço de conservação liderado pelo Projeto Refauna, em parceria com o ICMBio e o apoio de diversas instituições. O retorno da espécie, que ocupa um dos maiores parques urbanos do mundo, traz vida e cores vibrantes de volta à paisagem carioca após mais de dois séculos de ausência.
O planejamento para este ano é intenso e prevê que outras seis araras-canindé ganhem a liberdade ainda durante o primeiro semestre, após passarem por um rigoroso processo de aclimatação. O objetivo estratégico do projeto é audacioso: alcançar um grupo de 50 aves vivendo livremente nos próximos cinco anos. Vale destacar que a espécie estava desaparecida da capital fluminense desde o início do século 19. O último registro oficial de um exemplar em liberdade na cidade ocorreu em 1818, quando o naturalista Johann Natterer (1787-1843) realizou a captura de um indivíduo para estudos.
A história da espécie e sua conservação
A arara-canindé, membro ilustre da família dos psitacídeos (Psittacidae), é famosa por sua plumagem azul e amarela. No Brasil, ela é encontrada em biomas como a Amazônia e o Cerrado, mas na Mata Atlântica do Rio de Janeiro, foi dizimada pela caça e pelo desmatamento secular. Embora sua situação global de conservação seja classificada como “pouco preocupante”, a reintrodução é vital para recuperar as funções ecológicas que foram perdidas.
Como funciona a ambientação na floresta
A princípio, as aves não são apenas soltas. Elas precisam reaprender comportamentos naturais no viveiro de aclimatação dentro da própria Floresta da Tijuca. Nesse sentido, os biólogos monitoram a capacidade de voo e a busca por alimentos silvestres. Além disso, o projeto já reintroduziu outros animais importantes, como o bugio (Alouatta guariba) e o jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus), combatendo o fenômeno da “floresta vazia”.
O papel da população no monitoramento
De fato, o sucesso da adaptação depende do respeito dos moradores e visitantes do entorno do parque. Portanto, as recomendações são claras: não alimentar e não tentar tocar nas aves. Caso você registre a presença delas, pode utilizar o aplicativo SISS-Geo da Fiocruz ou entrar em contato com o Projeto Refauna. Registros fotográficos e vídeos são ferramentas preciosas para que os pesquisadores acompanhem a dispersão das aves pelo Alto da Boa Vista.
Reflexão sobre o futuro da nossa fauna
Por fim, o voo dessas araras nos faz questionar: estamos prontos para dividir a cidade com a natureza que nós mesmos afastamos no passado? A volta das cores ao céu da Tijuca é um presente, mas a permanência delas depende da nossa consciência. Você já pensou em como suas ações diárias podem ajudar a proteger a biodiversidade que está voltando para casa?
Fonte: G1, Projeto Refauna e Parque Nacional da Tijuca.
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