Anuncie

(21) 98462-3212

E-mail

comercial@meusbichos.com.br

10 erros que estragam o passeio do cão

Cachorro sem raça definida cheirando uma árvore durante passeio em rua residencial
Cheirar e explorar o ambiente fazem parte de um passeio enriquecedor para o cão. Imagem ilustrativa

Você sai para passear com seu cão, ele volta cansado e você considera a missão cumprida. Mas será que essa caminhada foi realmente enriquecedora para ele? Para a maioria das pessoas, o passeio é visto apenas como um momento de exercício físico ou uma oportunidade para o pet fazer as necessidades. Para o cão, porém, esse momento representa algo muito mais amplo: é a chance de explorar, cheirar, observar o ambiente, investigar novos estímulos e praticar comportamentos naturais da espécie.

Portanto, uma caminhada pode ser fisicamente cansativa e, ainda assim, pouco proveitosa do ponto de vista mental. Alguns hábitos muito comuns dos tutores, mesmo cometidos com a melhor das intenções, podem transformar uma atividade que deveria ser prazerosa em uma fonte de tensão, estresse e frustração.

A seguir, conheça os erros ao passear com o cão mais frequentes e saiba como transformar esse momento em uma experiência muito mais saudável para seu amigo de quatro patas.

1. Transformar o passeio em uma marcha

Um dos erros ao passear com o cão mais comuns é exigir que o animal caminhe o tempo todo no mesmo ritmo, sem interrupções. Para os humanos, o passeio costuma ser um deslocamento de um ponto A até um ponto B. Para o cão, contudo, o trajeto em si é o destino.

Em vez de impor uma marcha acelerada e contínua, o ideal é alternar momentos de caminhada com pausas para exploração. O olfato é uma das principais ferramentas usadas pelo cão para interpretar o mundo ao seu redor. Ao impedir constantemente que ele pare, cheire e investigue, reduzimos uma importante oportunidade de exploração e enriquecimento durante o passeio.

2. Puxar a guia quando o cão para para cheirar

Muitos tutores puxam a guia imediatamente assim que o cão encosta o focinho no chão, em uma árvore ou em um poste. No entanto, investigar cheiros faz parte da maneira como o cão coleta informações sobre o ambiente e pode tornar a caminhada mais estimulante.

Desde que o local seja seguro e não haja risco de contato com resíduos, alimentos, produtos químicos ou outros materiais perigosos, permita que o animal explore os cheiros que encontrar pelo caminho.

Para nós, a caminhada é principalmente uma experiência visual. Para o cão, é quase uma verdadeira leitura de notícias do bairro.

3. Transformar a condução em um cabo de guerra

Quando o cão puxa a guia, a reação instintiva do tutor costuma ser puxar de volta. O resultado pode ser uma disputa permanente pela direção, além de desconforto físico quando a tensão é exercida de forma contínua.

O cão pode puxar porque deseja chegar mais rapidamente a um cheiro, pessoa, animal ou outro estímulo. E, quando puxar funciona para levá-lo até aquilo que deseja, o comportamento pode acabar sendo reforçado.

O caminho mais eficiente é ensinar gradualmente a caminhada com a guia frouxa, utilizando recompensas para reforçar os momentos em que o cão caminha sem tensionar a guia. Quando ela esticar, o tutor pode interromper ou reduzir o avanço e retomar o deslocamento quando o animal voltar a acompanhar com mais tranquilidade.

4. Forçar encontros com outros cães

Acreditar que todo cão precisa cumprimentar todos os animais que cruza pelo caminho é um grande engano. Dizer “olha o amiguinho, vai lá dar oi” pode colocar o animal em uma situação desconfortável.

Aproximações frente a frente enquanto os cães estão presos à guia podem gerar ansiedade, frustração ou reatividade, especialmente quando um deles já demonstra desconforto diante de outros animais.

Isso não significa que todo encontro precise ser evitado. O importante é observar o comportamento dos cães e respeitar seus limites. Caso perceba tensão, medo, excitação excessiva ou desinteresse, simplesmente aumente a distância e siga o passeio sem transformar a aproximação em uma obrigação social.

5. Usar a guia retrátil em locais inadequados

As guias retráteis não precisam ser totalmente proscritas, mas exigem bastante critério. Utilizar esse equipamento em calçadas movimentadas, perto de vias de trânsito ou próximo a outros animais pode dificultar o controle rápido em uma situação inesperada.

A própria extensão da guia pode aumentar a distância entre tutor e cão e tornar mais difícil impedir que o animal alcance rapidamente uma rua, outro cachorro ou algum objeto perigoso. Também existe risco de acidentes e ferimentos quando a fita ou o cabo entra em contato com as pernas, mãos ou corpo.

Em locais de grande circulação, uma guia fixa de comprimento adequado costuma facilitar o manejo e permitir respostas mais rápidas. Em ambientes seguros e apropriados, equipamentos que oferecem maior liberdade podem ser utilizados com bom senso e supervisão.

6. Medir a qualidade apenas pela distância

Achar que um passeio só é eficiente se for longo e exaustivo é outro equívoco frequente. A qualidade do tempo gasto na rua pode ser muito mais importante do que a quantidade de quilômetros percorridos.

A idade, o porte, a condição física, o temperamento e as condições ambientais devem ser considerados para definir a duração e a intensidade da atividade. Uma caminhada mais curta, tranquila e rica em exploração pode ser mais adequada para determinado cão do que uma sessão prolongada de exercício intenso.

Temperaturas elevadas também exigem atenção especial. Asfalto quente, sol forte e esforço excessivo podem representar riscos, principalmente para cães idosos, filhotes, animais com problemas de saúde e raças mais sensíveis ao calor.

7. Focar apenas nas correções

Passar o percurso inteiro dizendo “não”, “para” ou “não puxa” torna o momento desagradável para ambos. Além disso, concentrar-se apenas na correção não deixa claro para o animal qual comportamento é esperado.

O segredo do aprendizado está em perceber e recompensar as atitudes corretas. Se o cão andou com a guia frouxa, olhou para você, acompanhou uma mudança de direção ou passou por um estímulo sem avançar, ofereça um petisco ou um elogio sincero.

Recompensar os acertos ajuda a tornar o comportamento desejado mais provável e transforma o passeio também em uma oportunidade de aprendizado.

8. Ficar distraído no celular

Caminhar no automático enquanto digita ou olha redes sociais compromete a segurança e a qualidade da interação. O ambiente urbano está repleto de surpresas, como carros, restos de alimentos no chão, ciclistas, motocicletas e outros animais.

Além de prevenir acidentes, estar atento permite perceber antecipadamente situações que podem deixar o cão desconfortável. Muitas vezes, o animal identifica um cachorro, uma bicicleta ou outro estímulo antes mesmo que o tutor perceba.

Estar presente durante o passeio ajuda a acompanhar as reações do cão e permite mudar de direção ou aumentar a distância quando necessário. Seu animal saiu para explorar o mundo; participar desse momento torna a experiência mais rica e segura para os dois.

9. Insistir quando o cão demonstra desconforto

Avançar mesmo quando o animal apresenta sinais de medo, estresse, desconforto ou excesso de excitação pode tornar a situação ainda mais difícil.

Rigidez corporal, cauda baixa ou recolhida, tentativas de recuar, congelamento, ofegação fora de contexto e dificuldade para se concentrar podem indicar que determinado estímulo está sendo intenso demais para aquele cão naquele momento. Ele não está necessariamente sendo desobediente. Pode simplesmente estar tendo dificuldade para lidar com a situação.

Nesses momentos, o mais sensato é aumentar a distância do estímulo, mudar a rota ou, dependendo da situação, reduzir a duração da caminhada e voltar para casa. Respeitar os limites do animal também faz parte de um passeio de qualidade.

10. Exigir que o cão ande colado na sua perna

A ideia de que um bom passeio exige que o cão caminhe o tempo todo colado à perna do tutor não corresponde ao objetivo de uma caminhada enriquecedora.

O cão precisa de liberdade controlada para explorar, cheirar e tomar pequenas decisões dentro de limites seguros. Ensinar o animal a acompanhar o tutor quando necessário é importante, principalmente em locais movimentados ou diante de situações de risco. Mas isso não significa transformar todo o passeio em uma marcha rígida.

Um cão bem-educado não é aquele que anda como um soldado durante todo o percurso, mas aquele que consegue aproveitar o ambiente com segurança sem perder a conexão com você.

Como seria um passeio ideal

Um passeio de qualidade não precisa ser perfeito ou rígido. Na verdade, uma caminhada equilibrada costuma ser composta por diferentes momentos integrados:

  • Caminhada em um ritmo confortável.
  • Pausas para exploração olfativa.
  • Oportunidades para observar e investigar o ambiente.
  • Distanciamento preventivo de situações que gerem medo ou tensão.
  • Momentos de interação positiva entre tutor e cão.
  • Pequenas oportunidades de treinamento e recompensa.
  • Segurança do início ao fim do percurso.

Não existe um formato único e universal. O melhor modelo de caminhada é aquele que respeita a idade, a condição física, o temperamento, as necessidades e os limites de cada cão.

O passeio precisa combinar com o cão

Dois cães podem viver na mesma casa e ainda assim ter necessidades completamente diferentes durante o passeio.

Um cão jovem e cheio de energia pode precisar de mais atividade física. Um animal idoso pode se beneficiar de caminhadas mais tranquilas. Um cão medroso pode precisar de percursos mais previsíveis e de maior distância de determinados estímulos. Já um cachorro muito curioso pode aproveitar especialmente as oportunidades de exploração.

Por isso, não existe uma duração, distância ou velocidade que seja ideal para todos. O tutor deve observar o próprio cão e adaptar o passeio àquilo que ele consegue realizar de maneira confortável e segura.

Cachorro sem raça definida puxando a guia durante passeio com o tutor
Quando o cão puxa a guia, o passeio pode virar uma disputa de força entre animal e tutor. Imagem ilustrativa

E se o meu cachorro puxa muito

A atitude de puxar a guia pode ter diferentes origens. O cão pode estar tentando chegar a um cheiro, pessoa ou animal, demonstrando excitação, medo ou frustração, seguindo um hábito aprendido ou simplesmente não ter desenvolvido ainda a habilidade de caminhar com a guia frouxa.

Por isso, transformar o passeio em uma sequência de trancos e correções não resolve necessariamente a causa do problema. Métodos e equipamentos aversivos podem provocar dor, desconforto, medo e estresse e prejudicar o bem-estar do animal.

O treinamento deve ser gradual, baseado em recompensas e adequado ao indivíduo. Se o cão puxa de maneira intensa, apresenta medo, reage fortemente a pessoas ou animais ou torna o passeio difícil de controlar, o auxílio de um profissional qualificado em comportamento canino pode tornar o processo muito mais seguro e eficiente.

O verdadeiro objetivo da caminhada

O passeio perfeito não é aquele em que você anda mais rápido ou chega mais longe. O verdadeiro sucesso da caminhada está em proporcionar ao cão a oportunidade de se exercitar, usar os sentidos, explorar o ambiente, aprender coisas novas e retornar para casa tendo vivido uma experiência positiva ao lado do tutor.

Às vezes, o melhor passeio não é o que rende mais quilômetros no aplicativo do celular. É aquele em que o cachorro teve tempo para parar, cheirar, observar, escolher caminhos dentro de limites seguros e simplesmente ser cachorro.

Consultoria técnica: Dr. Rafael Menezes — médico-veterinário.

Leia mais: O tempo ideal de passeio com o seu cão

Leia mais: Passeio tranquilo: como evitar cão que late e puxa na guia

Leia mais: Seu cão fica te olhando enquanto faz xixi durante o passeio? Saiba as razões

Banner do portal Meus Bichos: Explore todo nosso arquivo de matérias sobre pets e natureza.