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Inteligentes, curiosos, fáceis de reproduzir, amansar e treinar, os psitacídeos – aves de bico curvado – têm conquistado muitos lares. Por isso, se você está pensando em ter uma ave de companhia, saiba que a popular calopsita (Nymphicus hollandicus) é um bom pet e está entre os favoritos. Fazem parte dessa família aves como agapórnis, arara, cacatua e periquito, entre outros parentes do papagaio.
A calopsita, em particular, tem ganhado espaço como ave de estimação por sua capacidade de interação total com o tutor. Além disso, é possível ter essas aves soltas pela casa e convivendo pacificamente com outras espécies de animais, desde que tenham se acostumado a essa convivência ainda filhotes. Elas sobem no ombro, pedem carinho, dançam e aprendem a pegar pequenos objetos.
Para ter um exemplar dócil e de fácil manuseio, a principal dica é adquirir um filhote que tenha acabado de se tornar independente dos pais, o que ocorre entre seis a oito semanas de vida. Portanto, “Se alimentadas no bico, costumam se tornar companheiras muito mansas e divertidas”, destaca o biólogo Flávio Fialho.
Outro fator essencial para que os bichos fiquem mansos é o carinho. “Dou atenção, brinco muito e converso todos os dias com minha calopsita, a Margarida. Embora, se eu não der atenção, ela não para quieta também e faz muito barulho para chamar minha atenção. É uma figura!”, comenta a estudante Priscilla Araújo.

Psitacídeos que falam e assobiadores: aprenda a diferença
De fato, muitos psitacídeos são hábeis imitadores da fala humana, como o papagaio (Amazona aestiva), a lóris (Lorius, Charmosyna e outros) e a jandaia (Aratinga jandaya). Por exemplo, um caso de ave esperta é a papagaia Juju, de 15 anos. “Ela é tagarela, dança, assobia, imita sons como o do telefone tocando e brinca muito fora da gaiola. A Juju fala o nome dela, pede café, canta ópera e o hino do Flamengo. Fora que ela é exibida e também está sempre dando uma de atriz nos vídeos que produzo para as redes sociais”, conta, orgulhosa, Silvania dos Santos, que é criadora e proprietária da loja Atelier dos Pássaros.
Já o agapórnis (Agapornis), a calopsita e a arara (Ara spp) não falam, mas emitem sons agudos e aprendem a assobiar com desenvoltura. Ensinar a falar depende de determinação e paciência.
Em primeiro lugar, “Comece o treinamento com uma única palavra, curta e simples, como olá, oi e lôro. Repita várias vezes ao dia, por 10 a 15 minutos. Em geral, entre 30 a 60 dias após o início das lições, a ave começará a pronunciá-la”, ensina Flávio. Além disso, outra maneira de ensinar é por associação. “Diga ‘bom dia’ ao acordar, ‘boa noite’ ao apagar das luzes e com o tempo a ave repetirá a expressão correspondente com a situação”, garante o biólogo.

Dicas de cuidados para calopsita e periquito
CALOPSITA (Nymphicus hollandicus): A gaiola deve ter espaço suficiente para que a ave se movimente e abra as asas, com varandas externas que permita ao tutor manusear e soltar a calopsita com mais facilidade. É necessário ter alguns brinquedinhos para o enriquecimento ambiental. A alimentação deve ser variada, à base de mix de sementes, ração extrusada e farinhadas à base de ovos, específica para a espécie e complementada diariamente com frutas, verduras e legumes.
PERIQUITO (Melopsittacus undulatus): A gaiola deve apresentar dimensões mínimas que permitam ao pássaro voar. Os poleiros têm de ser construídos com madeira não tóxica, pois os periquitos têm tendência a bicar, especialmente na época de reprodução. Dê frutas como maçã, laranja, goiaba e verduras como brócolis, talo de espinafre, chicória, espiga de milho crua, além de ração industrializada de boa qualidade e mistura de sementes para periquitos – sem girassol e em pequena quantidade.

Manejo e alimentação do papagaio e agapórnis
PAPAGAIO (Amazona aestiva): Existem mais de 25 espécies no país. A mais popular é o papagaio-verdadeiro. Imita a fala humana e prefere as vozes femininas. Quanto mais espaço melhor. As medidas da gaiola ou viveiro devem corresponder ao dobro do tamanho da ave com as asas abertas. Como alimento principal, ração extrusada específica, mistura de sementes (evite dar girassol), frutas, legumes e verduras. Venda somente sob licença do Ibama, em criadouros autorizados.
AGAPÓRNIS (Agapornis): Devido ao comportamento monogâmico (fiel ao parceiro) tornaram-se popularmente conhecidas como ‘lovebirds’, os pássaros do amor. Não falam, mas emitem gritinhos agudos e são muito interativas. Gaiola de no mínimo 70 cm x 40 cm x 30 cm. Dê ração extrusada específica para a espécie, mistura de sementes, farinhada, frutas, legumes e verduras.

Ring Neck e jandaia: cuidados e licenciamento
RING NECK (Psittacula krameri): Também conhecido como periquito de colar, se destaca principalmente pelas belas cores das penas em variedade de tons. A espécie, que tem cerca de 40 cm de comprimento quando adulta, com cauda longa e afilada é originária do norte e centro da África, portanto, sua aquisição só pode ser realizada em criadouros certificados pelo Ibama. Assim como os papagaios, quanto maior o viveiro, melhor. Sua alimentação deve ser a base de ração extrusada, mistura de sementes, grãos e frutas. Quando treinada desde filhote, ela pode ser solta em local fechado e interagir com os tutores.
JANDAIA (Aratinga jandaya): Também conhecidas como periquitões, maitacas e maritacas, costumam ser muito barulhentas, aprendem a falar com clareza e memorizam um vasto vocabulário. Viveiro com no mínimo 1,5 m x 80 cm x 70 cm. Alimente com ração própria para a espécie, mistura de sementes, legumes e verduras. Venda somente sob licença do Ibama, em criadouros autorizados.

Agradecimento: Atelier dos Pássaros
Por MB.
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