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Animais misteriosos na mitologia: o simbolismo de corvos, lobos e corujas

Na mitologia nórdica, corvos eram os olhos e ouvidos do deus Odin. Fotos: Canva.com

O Halloween não celebra apenas bruxas e fantasmas; ele é um convite para mergulhar no folclore sombrio onde a natureza se encontra com o sobrenatural. Desde o uivo na escuridão até o voo silencioso na noite, certos bichos despertam na humanidade uma mistura ancestral de medo e fascinação. Estes animais na mitologia foram, ao longo da história, transformados de meras criaturas selvagens em símbolos poderosos de presságio, sabedoria e transformação.

A figura de um corvo pousado, de uma serpente rastejando ou de um lobo à luz da lua sempre serviu para dar corpo a contos de magia e mistério. Por essa razão, é impossível separar a mitologia popular da zoologia. Entender o papel desses animais na mitologia coletiva é compreender uma parte da nossa própria história cultural, que vai das civilizações egípcias aos contos de fadas modernos.

O corvo: mensageiro sombrio e profecia

O corvo é, sem dúvida, um dos animais mais icônicos, frequentemente associado à morte e ao conhecimento secreto. O corvo-comum (Corvus corax) é um grande pássaro passeriforme, encontrado em todo o hemisfério norte (América do Norte, Europa e Ásia), sendo a espécie de corvídeo mais cosmopolita. Na mitologia nórdica, por exemplo, os corvos Huginn (Pensamento) e Muninn (Memória) eram os olhos e ouvidos do deus Odin, voando pelo mundo para lhe trazer notícias.

O corvo como presságio de morte

Em muitas culturas europeias, o corvo que pousa no telhado de uma casa é visto como um prenúncio de doença ou morte iminente. De fato, eles são necrófagos, ou seja, se alimentam de carcaças, o que cimentou sua ligação com a esfera da morte. O corvo ganhou imortalidade moderna no poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe, onde repete a palavra “Nevermore” (Nunca mais), solidificando sua imagem de portador de desgraça.

Morcegos: sangue, azar e a noite

O morcego, com seu voo noturno e hábitos de vida em cavernas, é um símbolo universal de mistério e escuridão, tornando-o um dos principais animais na mitologia do Halloween. Sua associação com o vampirismo no folclore europeu foi reforçada pela literatura.

A transformação do vampiro

Apesar do que muitos pensam, a maioria dos morcegos é inofensiva. A ligação com o vampiro se consolidou porque algumas espécies sul-americanas se alimentam de sangue. No imaginário, a criatura se transforma em morcego para se mover na noite e se alimentar, fazendo do animal um mensageiro do submundo e um ícone de mistério.

Corujas: sabedoria ou presságio?

A coruja é um animal de dualidade notável. Na cultura grega, ela era o símbolo da deusa Atena e, portanto, da sabedoria e da inteligência. Entretanto, nas tradições medievais, a coruja que pia à noite era vista como um presságio ruim, ligada à bruxaria e à morte, pois só saía sob a escuridão, sendo capaz de ver o que está oculto.

Os olhos que veem a verdade

A visão noturna da coruja a tornou um símbolo de clareza em meio à escuridão. Nas culturas nativas americanas, algumas tribos a viam como protetora do conhecimento sagrado. Essa interpretação varia muito: ela é a guardiã da sabedoria oculta ou a parceira das trevas, dependendo do folclore regional.

A cobra-rei é uma serpente frequentemente associada a deuses e espíritos guardiões (ou vingativos)

Serpentes: traição, cura e eternidade

A serpente possui um dos papéis mais complexos entre os animais na mitologia. Por um lado, ela é a representação do mal e da traição (Jardim do Éden); por outro, devido à troca de pele, é um símbolo de renovação, cura e eternidade.

A serpente na medicina

Curiosamente, a serpente se mantém como um símbolo da medicina. O bastão de Asclépio (deus grego da medicina) é um bastão com uma serpente enrolada, representando o poder de cura e renascimento. Esse simbolismo mostra a dualidade: veneno e cura em um só ser.

Lobos: ferocidade e licantropia

O lobo ocupa um lugar de destaque nas lendas, frequentemente simbolizando ferocidade, liberdade e mistério. No folclore nórdico, Fenrir é um monstro que devorará Odin no fim dos tempos. No entanto, o arquétipo mais famoso é a licantropia, a transformação do homem em lobisomem, um ser que perde a razão e se entrega à ferocidade animal sob a lua cheia.

O lobo como guia e protetor

Por fim, vale lembrar que o lobo nem sempre foi visto como vilão. Na Roma Antiga, a loba que amamentou Rômulo e Remo, fundadores da cidade, conferia ao lobo um papel de progenitor e protetor, um guia selvagem.

Por MB.

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