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Axolote: o curioso animal que sorri e possui segredo da regeneração

Close do rosto de um axolote rosa sorrindo com suas brânquias externas aparentes.
Close do rosto de um axolote rosa sorrindo. Foto: Canva.com

O mundo subaquático esconde criaturas que desafiam a lógica da evolução, mas poucas são tão fascinantes quanto o axolote (Ambystoma mexicanum). Conhecido como o “peixe que caminha” do México, este anfíbio conquistou a internet com sua aparência exótica, marcada por brânquias externas que parecem plumas e um “sorriso” constante. No entanto, sua maior característica não é a estética, mas sim a sua capacidade biológica única: ao contrário de outros anfíbios, o axolote atinge a maturidade sem nunca passar pela metamorfose completa, mantendo suas características juvenis por toda a vida, um fenômeno científico chamado neotenia.

Além de sua aparência cativante, o axolote é uma das criaturas mais estudadas pela medicina moderna devido ao seu incrível poder de regeneração. Enquanto a maioria dos animais cicatriza feridas com tecidos fibrosos, este pequeno mestre da biologia consegue reconstruir membros inteiros, tecidos oculares, partes do coração e até porções do cérebro sem deixar qualquer cicatriz. Essa habilidade extraordinária faz dele uma peça-chave nas pesquisas sobre longevidade e recuperação de tecidos humanos, elevando o status deste anfíbio de uma simples curiosidade exótica a um verdadeiro milagre da natureza.

Origem e habitat do axolote

Historicamente, o axolote tem uma origem muito específica. Ele é endêmico do complexo lacustre de Xochimilco, próximo à Cidade do México. Antigamente, ele também habitava o Lago Chalco, que foi drenado para evitar inundações, restringindo sua distribuição atual apenas aos canais remanescentes de Xochimilco. O seu habitat natural é composto por águas lentas, ricas em vegetação aquática, onde ele pode se esconder de predadores.

Hábitos alimentares e reprodução

No que diz respeito à alimentação, o axolote é um carnívoro oportunista. Na natureza, ele se alimenta de pequenos crustáceos, larvas de insetos, moluscos e até pequenos peixes. Por não possuir dentes verdadeiros para mastigar, ele utiliza um sistema de sucção para engolir suas presas inteiras.

Já a reprodução dessa espécie ocorre geralmente uma vez por ano. O ritual é fascinante: o macho deposita pacotes de esperma (espermatóforos) no fundo do canal, e a fêmea os recolhe para fertilizar seus ovos, que podem variar entre 100 e 300 por postura. Por serem neotênicos, eles se reproduzem ainda mantendo a forma de “girino” com pernas, sem nunca precisar ir para a terra.

Axolote de lado mostrando suas quatro patas e cauda longa em ambiente aquático.
Axolote de lado mostrando suas quatro patas e cauda longa. Foto: Canva.com

Situação crítica na natureza

Apesar de ser extremamente popular em aquários e laboratórios ao redor do mundo, a situação do axolote na natureza é dramática. De acordo com a Lista Vermelha da IUCN (International Union for Conservation of Nature), a espécie está classificada como Criticamente Ameaçada (CR).

A poluição das águas, a introdução de espécies invasoras (como carpas e tilápias que comem seus ovos) e a urbanização desenfreada reduziram drasticamente sua população selvagem. Atualmente, existem mais axolotes vivendo em cativeiro do que em seu próprio habitat original, o que acende um alerta para a conservação dos ecossistemas de água doce.

É permitido ter um axolote como pet?

Apesar de sua situação crítica na natureza, o axolote se tornou extremamente popular no mercado de aquarismo mundial. Em países como os Estados Unidos, Japão e diversas nações da Europa, a criação em cativeiro é realizada em larga escala. Nesses locais, a venda de exemplares nascidos em cativeiro é legalizada e comum, existindo variações de cores (como o albino e o dourado) que são raramente vistas em seu habitat original.

No entanto, a situação no Brasil é bem diferente e muito rígida. O axolote (Ambystoma mexicanum) é uma espécie exótica e, de acordo com as normas atuais do IBAMA, a importação e o comércio de anfíbios exóticos para fins de estimação são proibidos. Não existe nenhum criadouro ou loja legalizado no país para venda doméstica. A posse desse animal só é permitida em instituições específicas, como zoológicos, aquários públicos ou centros de pesquisa científica, mediante autorizações especiais. Ter um axolote em casa no Brasil pode ser considerado crime ambiental, devido ao risco que a introdução dessa espécie representa para a nossa biodiversidade nativa.

Por MB.

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