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Começa a temporada de desova de tartarugas em Fernando de Noronha

A cada temporada são registradas cerca de 300 desovas na Ilha. Foto: Projeto Tamar/Divulgação

É tempo de ‘baby boom’ de tartaruguinhas em Fernando de Noronha. O primeiro ninho da temporada de desova no arquipélago foi registrado no dia 17 de dezembro de 2021, pela Fundação Projeto Tamar. Este foi o marco do início de mais um período reprodutivo para as tartarugas-verdes (Chelonia mydas), única espécie que se reproduz na Ilha. De acordo com os pesquisadores, a temporada de desova em Ilhas Oceânicas vai até junho e é diferente do litoral, que acontece de setembro a março.

No Arquipélago de Fernando de Noronha são registradas cerca de 300 desovas por temporada e mais da metade acontece na praia do Leão. No caso das tartarugas-verdes, esse número de ninhos varia bastante, pois as fêmeas não desovam anualmente e sim a cada três anos, em média. As primeiras tartaruguinhas devem começar a nascer em fevereiro e, todos os anos, cerca de 16 mil filhotes nascem e chegam ao mar em segurança!

A transparência do mar de Fernando de Noronha oferece uma condição excelente para estudos sobre a biologia e o comportamento das tartarugas marinhas em seu ambiente, especialmente quando estão submersas. Além disso, a ilha é área de reprodução para tartaruga-verde e área de alimentação, crescimento e repouso para juvenis desta espécie e da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata).

Soltura de filhotes de tartarugas marinhas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por isso, além do monitoramento de fêmeas e ninhos no período reprodutivo, o Projeto Tamar em Fernando de Noronha desenvolve um programa de marcação e recaptura de tartarugas que utilizam a região durante uma etapa do seu ciclo de vida. Desde 1990, mais de 5 mil tartarugas já foram marcadas através de mergulho livre ou autônomo para capturar os animais.

Os pesquisadores do Projeto Tamar, que está presente no arquipélago desde 1984 realizando trabalho de pesquisa e conservação, trazem os animais para a areia para coletar dados e o trabalho pode ser acompanhado por quem estiver na praia. Duas tartarugas-de-pente marcadas ainda juvenis em Noronha foram recapturadas na África. Isso demonstra a capacidade que esses animais incríveis têm de viajar longas distâncias, até mesmo intercontinentais.

Cerca de 2 milhões de filhotes nascem nas praias brasileiras. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Principais ameaças para as tartarugas

Cinco das sete espécies de tartarugas marinhas desovam na costa brasileira e, tragicamente, todas elas estão ameaçadas de extinção. Destas, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-de-pente estão em estado crítico, conforme aponta a lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional Para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

De acordo com o Projeto Tamar, os animais têm ciclo de vida longo e levam de 20 a 30 anos para se reproduzir. A cada temporada, cerca de 2 milhões de filhotes nascem nas praias do país monitoradas pelo Tamar. O instituto também trabalha também na proteção de tartarugas jovens e adultas resgatadas de captura incidental na pesca, sobretudo durante o arrasto do camarão.

Acidentes com redes e anzóis, plásticos, o trânsito de veículos nas praias e o derramamento de óleo são fatores de risco para os animais.

Mas há ainda outro fator alarmante: o aquecimento global.

Aquecimento global, poluição e plásticos estão entre as ameaças. Foto: Canvas

O sexo desses quelônios é definido pela temperatura da areia onde está a ninhada: por volta de 29 °C, cerca de metade dos filhotes será formada por fêmeas e a outra metade por machos. Acima dessa temperatura, segundo os pesquisadores, mais fêmeas são geradas, e abaixo dela, nascerão mais machos.

Portanto, uma simples mudança de 1 °C na média global poderia impactar a distribuição dos sexos nas populações de tartarugas. Além disso, a alteração climática pode ocasionar o desvio de correntes marinhas, sendo que o fluxo das tartarugas marinhas também é gerido pelas correntes. Há ainda o risco de as mudanças climáticas também impactarem na disposição de alimentos em áreas onde elas visitam.

MB com informações do Projeto Tamar e Agência Brasil