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Conheça a rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt, um anfíbio raro

A Holoaden luederwaldti, que pode chegar a 5 cm de comprimento, se desenvolve de maneira direta, ou seja, não passa pelo estágio de girino. Foto: Reprodução/Paula Garcia/ICB

Conhecido popularmente como rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt, esse pequeno anfíbio da espécie Holoaden luederwaldti foi descrito pela primeira vez pelo médico e cientista brasileiro Adolpho Lutz (1855-1940) – considerado pai da zoologia médica no país -, em 1958. Era um gênero endêmico do Brasil relativamente comum nas montanhas de altitude da Mata Atlântica, sob mantas de musgos que cobrem as rochas. Isso, até 1957, quando foi feito seu último registro, na localidade de Brejo da Lapa, no Parque Nacional de Itatiaia, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

E foi no mesmo Parque Nacional de Itatiaia que, em fevereiro deste ano, pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) encontraram um exemplar dessa rãzinha.

O registro, tão celebrado devido à raridade da espécie, foi realizado pela equipe de herpetologia (ciência que estuda os anfíbios e os répteis) do Departamento de Zoologia do ICB, que integra o projeto “Diversidade desaparecida – procura de espécies de anfíbios consideradas desaparecidas no Parque Nacional do Itatiaia“. O grupo é coordenado pelo professor Paulo Christiano de Anchietta Garcia e pela residente de pós-doutorado Bárbara Zaidan.

Segundo a literatura científica, a rãzinha pode medir de três a cinco centímetros de comprimento e sua reprodução ocorre de outubro a dezembro. Seu nome faz alusão à pele cheia de glândulas. Uma curiosidade é que essa espécie tem desenvolvimento direto – não passa pelo estágio larval, ou seja, de girino.

Espécie endêmica do Brasil está em extinção por perda de habitat

A rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt é do gênero Holoaden, endêmico do Brasil e do qual fazem parte outras três espécies: Holoaden bradei, Holoaden pholete e Holoaden suarezi. Estas rãzinhas pertencem à família Craugastoridae, que acredita-se ter se separado das outras famílias de anuros (anfíbios que não possuem cauda, como sapos, rãs e pererecas) há mais de 50 milhões de anos antes da grande elevação dos Andes.

Todo o gênero Holoaden figura na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção, do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), e também na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

A rãzinha-verrugosa-da-serra-de-Luederwaldt também habita o Parque Estadual de Campos do Jordão, área que, assim como o Parque Nacional de Itatiaia, é caracterizada pelo ecossistema de floresta úmida da Serra da Mantiqueira, com altitudes que variam de 1,5 mil a 2,1 mil metros.

Pesquisa ampla

“O achado é o resultado parcial de uma pesquisa mais ampla, que visa descobrir o maior número possível de espécies que sumiram do Parque há mais de 30 anos”, explica o professor Paulo Garcia, que também integra os programas de pós-graduação em Zoologia e em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre.

De acordo com o docente, desde novembro de 2020, já foram realizadas três campanhas em Itatiaia. “É a segunda espécie rara de anfíbio encontrada, em um período relativamente curto”, orgulha-se Garcia.

Antes da Holoaden luederwaldti, a rã Hylodes regius, também endêmica e considerada desaparecida há décadas, havia sido encontrada pela equipe, com contribuição de pesquisadores de outras instituições. “Isso mostra o impacto e a importância da preservação da área do Parque de Itatiaia para a conservação da fauna”, observa Bárbara Zaidan.

O projeto é financiado pelo CNPq e pela organização The Mahamed bin Zayed Species Conservation Fund, dos Emirados Árabes.


MB com informações do ICM/UFMG