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Gliptodonte: tatu gigante viveu na América do Sul durante o Pleistoceno

Fóssil coletado pelo paleontologista francês François Seguin, em 1871, na Argentina, em exposição no Museu Nacional de História Natural em Paris. Foto: Reprodução/A. Iatzura

Estima-se que o gliptodonte (Glyptodon asper), uma espécie de tatu gigante pré-histórico, surgiu na Terra há 37 milhões de anos e foi extinto há aproximadamente 10 mil anos, durante o término da última era glacial. Os maiores exemplares podiam pesar 2 toneladas e medir até 3 metros.

A carapaça deste mamífero herbívoro, composta por mil pequenas placas ósseas denominadas osteodermos, era completamente rígida e imóvel. Apesar de pouco ágeis, era essa armadura que os protegia de predadores, como as aves gigantes da família das forusracídeas e os tigres-dente-de-sabre.

Fósseis desses gliptodontes completos são raros, como o que está exposto no Museu de História Natural de Paris. Segundo a instituição, são suas pequenas placas que foram encontradas em grande número nos depósitos fossilíferos da América do Sul, datadas de vários períodos do Cenozoico.

Gigante de armadura

Os gliptodontes estão classificados na ordem Xenarthra – a qual pertencem os tatus, as preguiças e os tamanduás – e foram os maiores animais encouraçados que já existiram. Eles habitavam a América do Sul, em uma faixa que inclui o Brasil, Argentina e Bolívia, migrando posteriormente para as américas central e do norte através da formação do Istmo do Panamá, durante o Mioceno.

Além da armadura típica, os gliptodontes também tinham uma cauda com estruturas pontiagudas, possivelmente usada tanto na defesa contra predadores, quanto em disputas com indivíduos da mesma espécie.

Carapaça servia como defesa.
Foto: Reprodução/A. Iatzura

Chegada de humanos contribuiu para a extinção dos Gliptodontes

Por 60 milhões de anos, a América do Sul foi um continente-ilha isolado. Uma fauna, formada por espécies que não são encontradas em quase nenhum outro lugar, desenvolveu-se ali. Quando as duas Américas se uniram, há 3 milhões de anos, após a formação do Istmo do Panamá (estreita porção de terra entre o mar das Caraíbas e o oceano Pacífico que liga a América do Norte e a América do Sul), muitas espécies do Norte invadiram o Sul.

Essa invasão, combinada com mudanças climáticas repentinas e a chegada de humanos há cerca de 16.000 anos, pode ter contribuído para enfraquecer a fauna original sul-americana e causar o desaparecimento da megafauna do Pleistoceno, incluindo os gliptodontes e as preguiças gigantes.

Pesquisadores acreditam que os humanos pré-históricos tenham utilizado os gliptodontes como caça, além de outros usos, como o abrigo, para o qual aproveitavam as carapaças do animal.

Com informações do Museu Nacional de História Natural de Paris