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Pikachus da vida real comem cocô para sobreviver aos invernos tibetanos

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Esses pequenos mamíferos herbívoros, parecidos com coelhos, são comparados ao personagem Pikachu do ‘Pokémon’.
Fotos: Pixabay

A pika-de-lábios-negros ou pika-do-platô (Ochotona curzoniae) é um lagomorfo encontrado na China, Índia e Nepal. Um novo estudo concluiu que esses simpáticos bichinhos, que vivem em grandes altitudes, comem cocô de iaque para ajudá-los a sobreviver no inverno. O iaque (Bos grunniens) é um herbívoro de pelagem longa, da mesma família do boi, do búfalo e do bisão, encontrado na região do Himalaia, no sul da Ásia Central, Qinghai, no Planalto do Tibete, até à Mongólia, a norte.

Os pequenos animais parecidos com coelhos, muitas vezes comparados ao personagem Pikachu do “Pokémon”, não podem hibernar durante o inverno quando a comida é escassa. Então eles desaceleram seu metabolismo e comem cocô de iaque para sobreviver no planalto Qinghai-Tibetano, onde as temperaturas caem para menos de 30 graus Celsius.

“Os animais adotam todos os tipos de estratégias inesperadas para sobreviver”, disse o autor principal do estudo John Speakman, professor de biologia da Universidade de Aberdeen, na Escócia, e da Academia Chinesa de Ciências na China.

Segundo o pesquisador, comer cocô, ou coprofagia, pode ajudar os animais a absorver nutrientes que não conseguem digerir inicialmente de sua comida (geralmente, por dieta inadequada, deficiente). “Muitos animais, incluindo coelhos e pika, comem suas próprias fezes. Mas comer fezes de outras espécies é relativamente raro”, acrescentou Speakman.

Pikas são lagomorfos – ordem de pequenos mamíferos herbívoros, que inclui os coelhos, lebres e ocotonídeos, na qual se incluem duas famílias: Leporidae e Ochotonidae. Os lagomorfos se diferenciam dos roedores por terem quatro incisivos na mandíbula superior, ao contrário dos roedores que têm apenas dois.

Frequentemente, as pikas são associadas ao Pikachu, o Pokémon que tem um nome semelhante – embora o design original do personagem Pikachu tenha sido inspirado em um esquilo, de acordo com o site de videogame “Kotaku”.

As pikas-do-platô preferem viver em altitudes de 3.100 a 5.000 m, principalmente no platô tibetano,
que é a origem do nome comum

Mistério da sobrevivência

As pikas-do-platô vivem em prados de grande altitude até cerca de 5.000 metros acima do nível do mar. Esses animais não hibernam ou migram para climas mais quentes durante o inverno. Então exatamente como eles sobrevivem aos meses frios permaneceu um mistério.

Para responder a essa pergunta, Speakman e seus colegas monitoraram pika-do-platô por 13 anos usando várias técnicas, como filmar essas criaturas fofinhas ​​e implantar dispositivos de registro de temperatura nos animais. Suas descobertas foram publicadas na última segunda-feira (19/7) na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences“.

Para economizar energia, as pikas reduziram a temperatura corporal e limitaram a atividade física, como forragear (ato de procurar alimento). Em alguns dos locais de estudo, as pikas também comeram fezes de iaque doméstico (Bos grunniens), um fenômeno que a equipe de pesquisadores registrou em filme.

O iaque é um bovino grande e peludo, abundante nas terras altas dos planaltos tibetanos

Os iaques são abundantes em algumas partes do planalto e suas fezes são provavelmente facilmente digeríveis para as pikas, pois já passaram pelo sistema digestivo do iaque. Mastigar cocô de iaque pode ajudar as pikas a gastar menos energia do que fariam para buscar outras fontes de alimento, de acordo com o estudo. O esterco também pode conter nutrientes e água escassos, dos quais as pikas também se beneficiam.

A inclinação das pikas por fezes de iaque também pode explicar por que esses pequenos animais são encontrados em densidades mais altas, onde os iaques são mais abundantes, embora os cientistas pensem que as duas espécies competem entre si por comida.

“No momento, estamos estudando quais outros benefícios podem advir”, disse Speakman. “Existem custos potenciais óbvios também, como exposição a parasitas intestinais, então é provavelmente por isso que não é um comportamento muito comum”, concluiu o pesquisador.

FICHA TÉCNICA

Pika-de-lábios-negros ou pika-do-platô

Nome científico: Ochotona curzoniae
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Ordem: Lagomorpha
Família: Ochotonidae
Gênero: Ochotona
Espécie: O. curzoniae

Características: Pequeno mamífero herbívoro de hábitos diurnos e não hibernante, que pesa cerca de 140 g quando adulto. A coloração da pelagem é castanho-avermelhado na parte superior, com mais de um tom amarelo esbranquiçado na barriga.

Habitat: Preferem viver em altitudes de 3.100 a 5.000 m, principalmente no platô tibetano, que é a origem do nome comum. A espécie é encontrada em China, Paquistão, Índia e Nepal, em altos desertos alpinos, estepes e prados, bem como florestas montanas tropicais e subtropicais.

Alimentação: Herbívoro, se alimenta de plantas como junco, krobesia, gramíneas, perenes e relva.

Reprodução: A época de reprodução vai de abril a agosto. As pikas têm sistemas de acasalamento, como grupos monogâmicos e poliginândricos, composto por cerca de três machos e 3 a 4 fêmeas por família junto com seus descendentes. As fêmeas podem produzir 2 a 5 ninhadas de cerca de 2 a 7 crias, com um intervalo de três semanas entre cada ninhada, razão pela qual este grupo de lagomorfos é conhecido por ter as taxas de crescimento mais rápidas de sua ordem.

Curiosidade: As pikas-do-platô são o alimento preferido de ursos marrons da região. Além de seu papel como presas, esse animalzinho é importante na reciclagem de nutrientes no solo dos prados, pois a escavação da espécie ajuda a arejar o solo. Também fornecem micro habitats, aumentando a riqueza das plantas e suas tocas fornecem ninhos para pequenos pássaros e répteis.

Situação: A espécie atualmente é considerada ameaçada, principalmente devido às agressivas ações de envenenamento por parte das populações chinesas, principalmente para eliminar a competição por comida com o gado.

MB com informações do Live Science