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Atualmente, o cenário da biodiversidade global enfrenta desafios sem precedentes, com milhares de animais à beira do desaparecimento total. Consequentemente, a ciência da conservação está mobilizando ferramentas inovadoras para reverter esse declínio, unindo genômica e restauração de habitats. Espécies que antes eram consideradas “condenadas”, como a vaquita e o rinoceronte-de-java, agora contam com o suporte de tecnologias de ponta para sobreviverem.
Além disso, a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), que é a principal organização mundial na avaliação do estado da natureza, já lista mais de 44 mil espécies ameaçadas. Apenas a proteção física contra caçadores já não é mais suficiente para garantir a sobrevivência a longo prazo. Por isso, a integração entre a ecologia de campo e a tecnologia molecular define a nova era da conservação de espécies ameaçadas, acelerando a recuperação de populações críticas.
Tecnologias que combatem a extinção
Primeiramente, é importante destacar o papel de ferramentas como o CRISPR (edição genética) e o DNA ambiental (eDNA). O eDNA permite detectar a presença de animais raros apenas analisando amostras de água ou solo, sem a necessidade de capturar o animal. Da mesma forma, a inteligência artificial (IA) e os drones são usados para monitorar ninhos e movimentos migratórios em tempo real, prevenindo a caça ilegal antes mesmo que ela ocorra.
12 espécies em risco total
Logo após entender as ferramentas, veja como a ciência está intervindo diretamente na proteção de alguns dos animais mais raros do mundo:
- Vaquita (Phocoena sinus): Restam menos de 10 indivíduos; o uso de barreiras acústicas tenta evitar que elas fiquem presas em redes de pesca.
- Leopardo-de-amur (Panthera pardus orientalis): Cerca de 100 na natureza; são monitorados por câmeras com IA para proteger seu habitat.
- Saola (Pseudoryx nghetinhensis): Menos de 100; o eDNA em rios ajuda a localizar populações escondidas em florestas densas.
- Boto-do-yangtze (Neophocaena asiaeorientalis asiaeorientalis): Aproximadamente 1.000; programas de reprodução assistida preservam a diversidade genética da espécie.
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): Rastreamento via satélite ajuda a monitorar a desova e a sobrevivência dos filhotes.
- Gorila-do-rio-cross (Gorilla gorilla diehli): Apenas 300; drones vigiam seus ninhos em áreas de difícil acesso entre a Nigéria e Camarões.
- Rinoceronte-de-sumatra (Dicerorhinus sumatrensis): 40 no total; a fertilização in vitro (FIV) é a grande esperança para salvar a linhagem.
- Rinoceronte-de-java (Rhinoceros sondaicus): 75 indivíduos; o mapeamento de DNA fecal ajuda a rastrear o sucesso reprodutivo.
- Condor-da-califórnia (Gymnogyps californianus): 500 aves; o CRISPR ajuda a editar genes para diminuir a sensibilidade a doenças letais.
- Hurão-de-pés-pretos (Mustela nigripes): 370 animais; a clonagem de células dos anos 80 está trazendo novos indivíduos ao mundo.
- Tentilhão-de-mangue (Camarhynchus heliobates): Apenas 20 a 40; guardas de ninhos removem parasitas que matam os filhotes nas Galápagos.
- Tigre-de-sunda (Panthera tigris sondaica): 400 indivíduos; bancos de genes e corredores ecológicos evitam o isolamento dessas populações.
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Avanços na intervenção científica
Todavia, a tecnologia não substitui a necessidade de restaurar a natureza de forma urgente. O reflorestamento e a criação de corredores de vida selvagem são vitais para que os animais clonados ou criados em cativeiro tenham onde viver. Portanto, a conservação moderna é um esforço conjunto que envolve leis internacionais, tecnologias de laboratório e o apoio das comunidades locais para garantir que a biodiversidade sobreviva às próximas gerações.
Por MB.
Fontes: The Science Times: “Endangered Species and Conservation Strategies”.
IUCN Red List of Threatened Species (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Conservation Science and Practice Journal.
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