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Desextinção do dodô: ciência promete trazer a ave de volta

O dodô era uma ave grande e não voadora, endêmica das Ilhas Maurício. Imagem: IA Google

A ideia de trazer uma espécie extinta de volta à vida, antes restrita a filmes de ficção científica, agora se torna uma possibilidade real. A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences está na vanguarda desse movimento, com um de seus projetos mais ambiciosos: a desextinção do dodô (Raphus cucullatus), a icônica ave que desapareceu da Terra há mais de 300 anos. A iniciativa levanta questões complexas sobre a ciência, a ética e o nosso papel na história evolutiva do planeta.

O projeto não se limita ao dodô, mas também visa a desextinção de outras espécies, como o tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus) e o mamute-lanoso (Mammuthus primigenius). “Este esforço de desextinção representa um marco na biologia da conservação,” afirmou o co-fundador da empresa, Ben Lamm. A tecnologia avança em passos largos, levantando a esperança de reverter as perdas de biodiversidade causadas pelo ser humano, embora o caminho seja repleto de desafios científicos e dilemas éticos.

A história do dodô: por que a ave foi extinta?

O dodô era uma ave grande e não voadora, endêmica das Ilhas Maurício, um arquipélago no Oceano Índico. Ele tinha cerca de 1 metro de altura e pesava em torno de 20 quilos, e se alimentava principalmente de frutas. A ave evoluiu em um ecossistema sem predadores naturais terrestres, o que a tornou completamente inofensiva e sem medo.

Quando os colonos holandeses chegaram às ilhas no final do século XVI, eles introduziram novos predadores, como porcos, cachorros e ratos. Esses animais predavam os ovos e os filhotes dos dodôs, que não tinham defesa. Além disso, a destruição do habitat e a caça por marinheiros em busca de alimento contribuíram para o rápido declínio da espécie. Em menos de um século após o contato humano, o dodô foi declarado extinto por volta de 1681.

O que é desextinção? A ciência por trás do projeto

A desextinção não é uma clonagem simples. Em vez de criar um ser geneticamente idêntico, a ideia é usar a engenharia genética para recriar um animal que seja o mais próximo possível do original. No caso do dodô, a equipe da Colossal Biosciences sequenciou o genoma da ave a partir de amostras de ossos e tecidos preservados.

Eles planejam usar a tecnologia de edição genética CRISPR para editar o DNA do pombo-de-nicobar (Caloenas nicobarica), o parente vivo mais próximo do dodô. Os genes do pombo seriam alterados para que ele se assemelhe geneticamente ao dodô, resultando em um embrião de dodô. Esse embrião seria então implantado em um ovo hospedeiro, que poderia ser de uma espécie de pombo maior, para que se desenvolvesse e nascesse.

O caso dos lobos: um avanço na desextinção?

Embora o foco seja o dodô, a Colossal Biosciences também está trabalhando na desextinção do lobo-da-tasmânia. Segundo o pesquisador-chefe da Colossal, Andrew Pask, “o sucesso de um dos projetos de desextinção, especialmente com o lobo-da-tasmânia, valida a nossa abordagem e nos dá esperança para o dodô”. A empresa já anunciou o nascimento de filhotes de lobo-cinzento (Canis lupus) que possuem genes de resistência a doenças, um passo importante para a reintrodução em ambientes selvagens.

Implicações éticas e controvérsias do projeto

A possibilidade de reverter a extinção divide a comunidade científica e a sociedade. Críticos argumentam que os recursos financeiros e o esforço técnico seriam mais bem empregados na conservação das milhares de espécies que estão em risco de extinção hoje. Eles questionam a real necessidade de trazer o dodô de volta se seu habitat original não existe mais da forma como era, e se não há predadores para controlar uma população potencialmente restaurada.

Por outro lado, defensores do projeto acreditam que a desextinção pode servir como uma ferramenta poderosa para a conservação. A tecnologia desenvolvida para trazer o dodô de volta pode ser usada para preservar espécies que estão à beira do desaparecimento ou para “reparar” a natureza.

Conclusão

A desextinção do dodô representa um avanço científico sem precedentes e um dilema ético profundo. A ciência nos dá as ferramentas para reescrever a história da vida na Terra, mas a grande questão permanece: deveríamos mesmo fazê-lo?

E você, o que pensa sobre a desextinção? Acredita que é um avanço necessário para a conservação, ou um risco que pode desviar o foco da proteção das espécies que ainda existem? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.

Nota: As informações sobre o projeto da Colossal Biosciences foram obtidas a partir de comunicados oficiais da empresa e entrevistas de seus pesquisadores em veículos de imprensa especializados.

Por MB.

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