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Dinossauro com quatro asas caçava aves há 120 milhões de anos, revela fóssil na China

Ilustração artística do dinossauro de quatro asas Jian changmaensis planando entre as árvores com suas penas longas nos braços e pernas.
Impressão artística de Jian changmaensis, o “dragão de quatro asas” que pode ter planado entre as árvores e caçado algumas das primeiras aves da Terra. Imagem ilustrativa

Muito antes das águias, corujas e falcões dominarem os céus, um pequeno predador emplumado deslizava entre as árvores do que hoje é a China. Com penas nos braços e também nas pernas, o Jian changmaensis parecia um dragão em miniatura com quatro asas e, segundo os cientistas, pode ter caçado algumas das primeiras aves do planeta. Essa descoberta recente não apenas adiciona um novo nome à árvore da vida, mas redefine o que sabíamos sobre a era dos dinossauros.

De fato, o achado reforça a ideia de que o céu do período Cretáceo era um lugar muito mais movimentado e perigoso do que imaginávamos. Enquanto os grandes pterossauros dominavam as altitudes, esse pequeno caçador planador vigiava as copas das árvores, pronto para dar o bote em presas menores. Dessa forma, entender o comportamento dessa espécie é fundamental para desvendar um dos maiores mistérios da biologia: como surgiu o voo.

Entenda rápido

  • A nova espécie recebeu o nome científico de Jian changmaensis.
  • O animal viveu há cerca de 120 milhões de anos, durante o início do período Cretáceo.
  • Ele era um parente próximo do famoso Velociraptor, mas com adaptações para a vida nas alturas.
  • Diferente da maioria dos dinossauros, possuía penas longas e funcionais nos braços e nas pernas.
  • Com toda a certeza, sua anatomia sugere que ele planava entre árvores, de forma semelhante aos esquilos-voadores atuais.
  • A descoberta ajuda os cientistas a entenderem os passos evolutivos que levaram ao surgimento do voo nas aves modernas.

O fóssil encontrado na China

A descoberta ocorreu na Formação Xiagou, localizada perto da vila de Changma, na China. Essa região já é mundialmente famosa entre os paleontólogos por ser um verdadeiro santuário de fósseis de aves primitivas. No entanto, o achado do Jian changmaensis surpreendeu a equipe de pesquisadores, pois é o primeiro dinossauro não-aviário encontrado especificamente nessa bacia.

Embora o fóssil consista em apenas parte do ombro e do braço esquerdo, a preservação em três dimensões permitiu identificar detalhes anatômicos únicos. Segundo os pesquisadores do Museu de História Natural Carnegie, os ossos indicam que o animal tinha o tamanho aproximado de uma coruja-das-torres, com uma envergadura estimada em cerca de 1,2 metro.

O “dragão” de quatro asas

Visualmente, o Jian changmaensis era uma criatura extraordinária. Ao contrário das aves modernas, que possuem penas apenas nos membros anteriores, esse dinossauro de quatro asas ostentava plumagem longa também em suas patas traseiras. Esse arranjo criava superfícies extras de sustentação, permitindo que ele manobrasse com precisão entre os galhos.

Sua locomoção pode ser comparada à de animais modernos, como o esquilo-voador ou o petauro-do-açúcar. Ele provavelmente não batia as asas para voar longas distâncias, mas utilizava o salto e o planeio para se deslocar de árvore em árvore. É importante ressaltar que ele não era uma ave, mas sim um dinossauro terópode altamente especializado.

Parente do Velociraptor — mas muito diferente do cinema

O termo “raptor” costuma trazer à mente as criaturas escamosas e gigantescas da franquia Jurassic Park. Contudo, a realidade científica é bem diferente. O Jian changmaensis pertence à família dos dromeossaurídeos, a mesma do Velociraptor, mas faz parte do grupo dos microraptores.

Diferente da versão cinematográfica, o Velociraptor real era coberto de penas e tinha o tamanho aproximado de um peru. Já os microraptores, como o recém-descoberto na China, eram ainda mais leves e adaptados para um estilo de vida arborícola. Eles representam o momento em que a linha entre dinossauros predadores e aves primitivas se tornou extremamente tênue.

Como ele caçava?

A localização do fóssil oferece pistas valiosas sobre os hábitos alimentares desse predador. Como o local onde ele vivia era repleto de aves primitivas, os pesquisadores acreditam que o Jian changmaensis era um especialista em emboscadas aéreas. Ele possivelmente utilizava sua capacidade de planar para atacar presas de surpresa, vindo de cima.

Além disso, estudos em outros microraptores revelaram restos de peixes, lagartos e pequenos mamíferos em seus estômagos. Isso indica que eles eram caçadores oportunistas. No ecossistema de Changma, as aves eram abundantes, o que tornava o banquete garantido para um dinossauro ágil o suficiente para caçar entre a vegetação densa.

O que ninguém te conta sobre esse fóssil

A descoberta não revela apenas um novo dinossauro. Ela mostra que a fronteira entre aves e dinossauros era muito mais confusa do que imaginávamos há algumas décadas. Há 120 milhões de anos, existiam animais que possuíam penas, asas e capacidade de planar, mas que anatomicamente ainda eram dinossauros predadores com garras em forma de foice.

Isso prova que a evolução do voo não foi um caminho único e direto. Houve várias “experiências” evolutivas diferentes, como o uso de quatro asas, antes que a configuração atual das aves se tornasse o padrão dominante no planeta.

O elo entre dinossauros e aves

Para quem ama os pets, esse fóssil traz uma reflexão fascinante sobre os animais que temos em casa hoje. Toda vez que uma calopsita abre as asas (exibindo seu charmoso topete) ou um papagaio escala um galho, ela repete comportamentos que surgiram entre ancestrais que viveram ao lado de criaturas como o Jian changmaensis.

Aves modernas, como periquitos e canários, são os descendentes diretos dos dinossauros terópodes. Portanto, ao observar o voo de um pássaro no jardim, você está testemunhando o aperfeiçoamento de uma tecnologia biológica que começou a ser testada há milhões de anos por pequenos “dragões” planadores nas florestas da China. Hoje, os cientistas consideram as aves modernas os únicos dinossauros sobreviventes da extinção que ocorreu há cerca de 66 milhões de anos.

Conclusão

Embora representado por apenas parte do ombro e do braço esquerdo, o fóssil de Jian changmaensis reforça uma das descobertas mais fascinantes da paleontologia moderna: as aves não apenas descendem dos dinossauros — elas são os últimos dinossauros vivos da Terra. Investir em pesquisas sobre essas espécies extintas nos ajuda a valorizar ainda mais a biodiversidade que ainda temos o privilégio de proteger.

Fontes consultadas: Live Science, Annals of Carnegie Museum (v. 92, 2026), Carnegie Museum of Natural History, Field Museum of Chicago.

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