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Dinossauros mais barulhentos: a ciência por trás dos sons esquecidos

O Parasaurolophus há aproximadamente 76 a 73 milhões de anos. Imagens: IA Google

A imagem clássica do dinossauro é frequentemente acompanhada por um rugido alto, profundo e ensurdecedor, popularizado pelo cinema. No entanto, os cientistas têm uma visão muito mais complexa e fascinante da paisagem sonora do período Mesozoico. Eles especulam que a maioria dos sons não vinha de um rugido de mamífero, mas sim de vocalizações guturais, como as de crocodilos, ou de gorjeios complexos, como os de aves. Além disso, para desvendar quem eram os dinossauros mais barulhentos do passado, uma categoria se destaca na produção de sons potencialmente altos e distantes: os hadrossauros de crista, com o Parasaurolophus no centro das atenções.

Portanto, para entender quem era capaz de “rugir” mais alto, é preciso mergulhar na anatomia fossilizada desses gigantes. A chave para desvendar esse mistério não está em tecidos moles que não fossilizam, como as cordas vocais, mas sim em estruturas ósseas únicas. É o caso da crista oca do Parasaurolophus, que funciona como uma câmara de ressonância natural, transformando o sopro de ar em algo muito mais grandioso. A exploração desses “instrumentos musicais” pré-históricos nos permite imaginar o quão comunicativos, e talvez barulhentos, esses dinossauros poderiam ter sido em seus ecossistemas.

O segredo da crista oca: O Parasaurolophus

O Parasaurolophus é, de longe, o dinossauro mais estudado quando se trata de vocalização. Este dinossauro herbívoro, pertencente ao grupo dos hadrossauros (ou “dinossauros bico de pato”), viveu durante o período Cretáceo Superior, há aproximadamente 76 a 73 milhões de anos.

Anatomia e o instrumento natural

Este animal era imponente, medindo cerca de 9,5 metros de comprimento e pesando até 2,5 toneladas. Sua característica mais distintiva era a longa e curvada crista óssea, que se projetava para trás de sua cabeça. Consequentemente, a crista não era sólida; ela era oca, formada por longos tubos nasais estendidos que serpenteavam através dela.

Quando o dinossauro exalava, o ar era forçado através desses tubos, agindo como um instrumento de sopro. Imagine ouvir um som que seria aterrorizante e melódico ao mesmo tempo: um som grave, ressonante e de baixa frequência, talvez como uma tuba gigante ou um berrante. Essa frequência, conhecida como infrassom, seria ideal para viajar longas distâncias através de florestas densas, permitindo que os indivíduos se comunicassem mesmo estando longe ou para atrair parceiros em épocas de acasalamento.

A perspectiva dos paleontólogos

O estudo da crista do Parasaurolophus não é apenas imaginação, ele é fundamentado em modelos acústicos. O paleontólogo David B. Weishampel, em sua pesquisa seminal sobre a anatomia interna dos hadrossauros, foi um dos primeiros a explorar essa ideia.

“Do ponto de vista acústico, a crista do Parasaurolophus era realmente capaz de atuar como uma câmara de ressonância para o som. De fato, a anatomia interna da crista do Parasaurolophus era muito semelhante a um instrumento de sopro chamado cromorne,” afirmou Weishampel, que chegou a criar um modelo da crista em PVC que soava “como uma tuba quando tocado”¹.

Além disso, Weishampel sugeriu que os indivíduos mais jovens, com cristas menores, poderiam emitir sons de frequência mais alta, que viajavam menos, o que reflete a estrutura social do grupo.

Imagine a cena: o Parasaurolophus, o T. Rex e o Edmontosaurus em uma discussão acalorada na floresta

Outras possibilidades de dinossauros barulhentos

Embora o Parasaurolophus seja o candidato mais forte por ter a estrutura óssea preservada, outras espécies são consideradas potencialmente barulhentas:

1. Tyrannosaurus rex

É importante ressaltar que o som do Tiranossauro Rex não era um rugido, mas provavelmente um estrondeio gutural de baixa frequência. Este predador colossal viveu no final do período Cretáceo, há cerca de 68 a 66 milhões de anos.

Por outro lado, a evidência mais forte para a vocalização do T. Rex vem da sua relação com aves e crocodilos. Assim, os cientistas teorizam que ele usava vocalizações de boca fechada, como o mugido dos crocodilos, para intimidar rivais ou se comunicar. Esses sons de baixa frequência poderiam ser sentidos através do chão antes de serem escutados.

2. Edmontosaurus (Outro hadrossauro)

Este parente do Parasaurolophus, que também viveu no Cretáceo Superior, não possuía uma crista óssea complexa. No entanto, alguns estudos sugerem que ele poderia ter sacos vocais infláveis na garganta ou no pescoço, como os de alguns sapos e pássaros modernos. Se fosse o caso, esses sacos poderiam ter amplificado sons consideravelmente, usando-os em exibição visual e sonora.

Nota:

¹ Weishampel, D. B. (1981). Analyses of Potential Vocalization in Lambeosaurine Dinosaurs (Reptilia: Ornithischia). Publicado em Paleobiology, 7 (2), pp. 252-261. O modelo acústico foi um experimento posterior, mas a pesquisa é frequentemente citada.

Por MB.

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