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Castração: entenda como é o procedimento

A castração ou esterilização é a forma mais eficaz de evitar crias indesejáveis. Foto: Pexels

A população de cães e gatos de rua cresce a cada dia no país. E o problema não se resume aos animais abandonados, mas também ao acasalamento indesejado dos bichos que têm tutores. Portanto, a maneira mais eficaz de evitar criar, impedir a superpopulação, o abandono de animais e até mesmo a disseminação de doenças é a esterilização da fêmea e a castração dos machos.

Nas cadelas e gatas, a esterilização ou ovário-histerectomia, é um procedimento que consiste na retirada dos ovários e do útero. Nos machos, a castração consiste na retirada dos testículos. No procedimento é utilizada anestesia inalatória ou endovenosa. A cirurgia é considerada de baixo risco e o mascote pode ou não ficar internado, sendo que o período pós-operatório é de aproximadamente sete dias.

“A castração é recomendada a partir dos seis meses de vida. Antes disso, o animal precisa de  muitos estímulos hormonais para desenvolvimento de órgãos e crescimento”, explica a veterinária Mery Medeiros, proprietária do canil Gran Beckville Kennel.

Redução do risco de tumores

Entre os benefícios da castração, a veterinária destaca a redução no risco do desenvolvimento de tumores. “Estudos mostram que, em fêmeas, as chances de evitar um câncer de mama por exemplo, é 95% menor, se  castrada antes do primeiro cio. Portanto, quem pretende castrar suas fêmeas deve começar a se planejar a partir do quinto mês de vida do animal. Passar por consulta veterinária, fazer os exames pré-operatórios e agendar a data para que ao sexto mês esteja apta à castração”, orienta Mery Medeiros.

Segundo a profissional, a castração eletiva é considerada uma cirurgia de baixo risco: “Exames pré-operatórios e a escolha de profissionais qualificados minimizam as chances de insucesso.”

Os exames pré-operatórios variam de animal para animal. “Em geral, um animal jovem e  aparentemente saudável passa por uma consulta com exame clínico detalhado,  principalmente no quesito ausculta cardíaca e pulmonar, hemograma e bioquímicas hepáticas  e renais. Fígado e rins são órgãos fundamentais em qualquer processo anestésico. Em alguns casos específicos, o médico veterinário poderá solicitar, por exemplo, um eletro e um ecocardiograma, se julgar necessário”, detalha a veterinária.

A castração diminui o risco de fugas para acasalar. Foto: Unsplash

Cuidados pós-operatório

Os cuidados pós-operatórios são feitos com medicamentos anti-inflamatórios, antibióticos, curativos e repouso do animal. “Os machos têm recuperação muito mais rápida, pois a cirurgia é menos invasiva. Em média, com quatro dias o animal está completamente recuperado.  Em fêmeas, esse processo pode levar de sete a dez dias para a retirada dos pontos e completa  cicatrização. O risco de intercorrências é maior”, avalia Mery.

Para ambos os sexos, alguns cuidados são essenciais, como o uso de roupa cirúrgica ou colar Elisabetano, restrição de espaço e cumprimento dos horários das medicações prescritas  pelo médico veterinário.

“Meu gato foi castrado aos sete meses. Ele se recuperou rapidamente e foi a melhor decisão que tomei. Já tive um gato há muitos anos que não tinha sido castrado e era muito rueiro. O bichinho vivia se metendo em brigas, até que um dia desapareceu de casa”, lamenta a dentista Ana Júlia Carvalho.

Aumento de peso

Muitos tutores questionam se a castração provoca aumento de peso. De acordo com a veterinária Mery Medeiros, não é uma regra, mas é um efeito possível em boa parte dos casos. “Por isso, após a castração, recomendamos migração para um alimento light ou próprio para animais castrados. Estes têm menor teor de gordura”, explica.

Em geral, cadelas e gatas apresentam o primeiro cio por volta dos seis meses de vida. Algumas fêmeas podem ter cios mais tardios, outras mais precoces. Nas cadelas, o ciclo ocorre duas vezes por ano e as fêmeas de grande porte têm crias mais numerosas que as de pequeno porte. Já as gatas são poliéstricas, ou seja, têm vários cios ao longo do ano.

Para ter uma ideia em números, uma gata pode ter até seis crias por ano, gerando, em cada uma, de três a cinco filhotes. As cadelas, dependendo da raça, podem gerar de um a até 15 filhotes em uma ninhada.

“A castração é uma cirurgia simples, de baixo risco e grandes benefícios. Evita surgimento de  tumores em machos e fêmeas, infecções uterinas graves e gestação indesejada. Auxilia no  controle populacional, evita fugas, melhora a marcação de território dos machos e controla a  agressividade. Castrar é um ato de amor. Reprodução animal é assunto sério! Deve ser feita  apenas por profissionais”, ressalta Mery.

Agradecimento: Veterinária Mery Medeiros, proprietária do canil Gran Beckville Kennel. Intagram: @granbeckville