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Lesma espinhosa de meio bilhão de anos revela antepassado dos moluscos

Espécime completo de Shishania aculeata visto do lado dorsal (esquerda). Espinhos cobrindo o corpo (direita). Imagem (Reprodução/University of Oxford). Crédito: G Zhang/L Parry

A descoberta de vários fósseis bem preservados, que viveram há mais de 500 milhões de anos no que é hoje o sul da China, está revelando novas pistas sobre os primeiros moluscos que surgiram na Terra.

Os fósseis da nova espécie, baptizada pelos cientistas de Shishania aculeata, foram encontrados no leste da província de Yunan e descritos por uma equipe internacional que inclui pesquisadores da Universidade de Yunan e da Universidade de Oxford, em Inglaterra. O artigo científico foi publicado na última semana na “Science”.

Os fósseis da nova espécie viveram há cerca de 514 milhões de anos, durante o período Câmbrico, e tudo indica que se assemelhavam a pequenas lesmas espalmadas, sem qualquer concha, mas com uma espécie de armadura protetora. “Os espécimes de Shishania têm todos poucos centímetros de comprimento e estão cobertos de cones espinhosos (escleritos) feitos de quitina, um material também encontrado em caranguejos, insetos e alguns cogumelos modernos”, descreve a Universidade de Oxford, em comunicado publicado sobre a descoberta.

Os cientistas acreditam que esta espécie teria existido ainda nos primeiros passos da evolução dos moluscos, um grupo que se diversificou rapidamente durante o período Câmbrico, entre 485,4 e 541 milhões de anos atrás – tal como aconteceu com outros grupos de seres vivos pela mesma altura.

“Tentar decifrar como era o antecessor comum de animais que parecem hoje tão diferentes, como uma lula e uma ostra, é um grande desafio para biólogos evolucionistas e paleontólogos – algo que não pode ser resolvido pelo estudo das espécies de agora”, comentou um dos autores do novo artigo, Luke Parry, pesquisador na Universidade de Oxford.

“A Shishania nos dá um ponto de vista singular sobre uma altura na evolução dos moluscos para o qual temos muitos poucos fósseis, e informa-nos de que os primeiros ancestrais dos moluscos eram lesmas armadas com espinhos, antes da evolução das conchas que vemos hoje nos modernos caracóis e amêijoas (também conhecidos como vôngoles).”

Por serem compostos por tecidos moles e difíceis de preservar, muitos dos fósseis estavam mal conservados e a equipe de cientistas teve dificuldade na análise. No início, descreveu o primeiro autor do estudo, Guangxu Zhang, aqueles espécimes do tamanho de um polegar lembraram “pequenos sacos de plástico em decomposição”. Mas, quando os observou com uma lupa, o pesquisador da Universidade de Yunan percebeu que eram “estranhos, espinhosos, e completamente diferentes”. Mais tarde, no laboratório, percebeu finalmente que se tratava de moluscos.

Hoje em dia, existem ainda outros moluscos com partes aguçadas, como é o caso dos quítones, mas aquelas são compostas por carbonato de cálcio mineral e não por quitina, como acontecia com a espécie fóssil encontrada. Segundo os cientistas, é possível encontrar atualmente estruturas semelhantes às dos quítones em grupos menos conhecidos como os braquiópodes e os briozoários, que juntamente com moluscos e anelídeos formam o grupo dos Lophotrochozoa.

Fonte: Wilder