Anuncie

(21) 98462-3212

E-mail

comercial@meusbichos.com.br

Mudanças climáticas e a vida selvagem nos biomas brasileiros

Secas prolongadas e incêndios florestais representam uma ameaça crescente à Amazônia. Fotos: Canva.com

As mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças à vida selvagem em todo o planeta. O aumento das temperaturas, a alteração dos padrões de chuva e a intensificação de eventos extremos, como secas e inundações, estão transformando habitats naturais e colocando em risco a sobrevivência de inúmeras espécies. A fauna, que já enfrenta desafios como a perda de habitat e a poluição, agora precisa lidar com um fator adicional de estresse, que pode levar à extinção de populações inteiras.

No Brasil, país megadiverso, os impactos das mudanças climáticas são particularmente preocupantes. A Amazônia, por exemplo, está cada vez mais vulnerável a secas prolongadas e incêndios florestais, que afetam diretamente a vida de animais como a onça-pintada (Panthera onca) e o peixe-boi (Trichechus inunguis). O Pantanal, por sua vez, sofre com a intensificação das secas, que prejudicam a reprodução de aves aquáticas e jacarés. A Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, vê seus remanescentes florestais cada vez mais isolados e vulneráveis às mudanças climáticas, o que dificulta a dispersão de animais como o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia).

Além disso, a acidificação dos oceanos prejudica os recifes de coral brasileiros, como os de Abrolhos – arquipélago brasileiro localizado no Oceano Atlântico, a cerca de 70 km da costa do extremo sul da Bahia -, e as alterações nos padrões de migração dificultam a vida de aves e peixes.

O aumento da temperatura global pode ser ainda maior em regiões como Amazônia, Nordeste e Pantanal

DADOS E IMPACTOS RECENTES

Aumento da temperatura:

– Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média global já aumentou cerca de 1,1°C em relação aos níveis pré-industriais. No Brasil, esse aumento pode ser ainda maior em algumas regiões, como a Amazônia, o Nordeste e o Pantanal.

– Este aumento de temperatura causa o stress térmico em diversos animais, além de mudanças em seus habitats.

Eventos extremos:

– Secas severas e ondas de calor estão se tornando mais frequentes e intensas, afetando a disponibilidade de água e alimento para a vida selvagem.

– Inundações e tempestades também causam a destruição de habitat e a morte de animais.

Impacto na biodiversidade:

– Um estudo da WWF aponta que, se o aumento da temperatura global chegar a 4,5°C, quase 50% das espécies em áreas prioritárias de conservação estarão em risco de extinção local.

– Um estudo publicado na Mongabay mostra que as mudanças climáticas estão afetando aves até em áreas intocadas da Amazônia, como o uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus aradus) que se alimenta de insetos próximos ao solo.

– As tartarugas marinhas, que desovam nas praias brasileiras, tanto em ilhas oceânicas quanto no litoral continental, são afetadas pelo aumento do nível do mar e pela alteração da temperatura da areia, o que interfere na reprodução e no desenvolvimento dos filhotes.

– Muitas espécies de peixes de água doce, que habitam rios e lagos brasileiros, são sensíveis às mudanças na temperatura e na qualidade da água, que são afetadas pelas mudanças climáticas.

Conflitos entre humanos e animais:

– Um estudo recente mostra que as mudanças climáticas aumentam os conflitos entre humanos e animais, devido a disputa por recursos como água e comida.

Aumento de doenças:

– As mudanças climáticas podem favorecer a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos, o que aumenta o risco de doenças transmitidas por animais, como a dengue e a febre amarela.

Impacto nas interações ecológicas:

– As mudanças climáticas podem desequilibrar as interações ecológicas entre as espécies, como a predação e a polinização, o que pode levar à extinção de espécies e à perda de biodiversidade.

Para proteger a vida selvagem, é fundamental reduzir as emissões de gases de efeito estufa, promover a conservação de habitats naturais, implementar medidas de adaptação às mudanças climáticas, fortalecer as áreas protegidas, restaurar ecossistemas degradados, intensificar o monitoramento e a pesquisa, e criar e implementar políticas públicas eficazes.