
Imagem: IA Google
Um novo estudo científico identificou um biomarcador molecular promissor que pode ajudar médicos a detectar o câncer de bexiga agressivo em estágio inicial, como o carcinoma urotelial não-músculo-invasivo de alto grau (NMIBC), tanto em cães quanto em humanos. Essa descoberta avança o conhecimento sobre como esse tipo de câncer se comporta em ambas as espécies e estabelece as bases para métodos inovadores de detecção e tratamento mais eficazes. A nova proteína molecular, chamada integrina α5β1, atua como um “sinal de alerta” para tumores agressivos.
Por que cães e humanos compartilham o câncer de bexiga?
O câncer de bexiga afeta cães e humanos com características clínicas semelhantes, incluindo mutações genéticas e respostas a tratamentos. O carcinoma urotelial canino (TCC) é o tipo mais comum no trato urinário dos cães. Por espelhar a doença humana tão de perto, os pesquisadores o consideram um poderoso modelo comparativo, mais preciso que os roedores usados em laboratório. Os cães desenvolvem a doença espontaneamente e compartilham com humanos alvos de tumores e até mesmo microbiomas intestinais e urinários.
“Os cães desenvolvem câncer de forma muito similar aos humanos, até mesmo a nível molecular”, explica o Professor Davide Danilo Zani, pesquisador veterinário da Universidade de Milão. “Como eles envelhecem mais rápido, podemos observar o curso natural do câncer e avaliar os efeitos dos tratamentos em um período mais curto. Isso os torna excelentes modelos para o estudo de novas terapias.”
A integrina α5β1 é um indicador de tumores agressivos
A equipe de pesquisa do projeto PHIRE utilizou uma combinação de estudos microscópicos de tecidos e técnicas moleculares para identificar a integrina α5β1 e demonstrar que sua expressão está fortemente correlacionada com a agressividade do tumor. Isso a torna um indicador confiável de casos de alto risco que provavelmente progridem ou recidivam. A descoberta pode ajudar clínicos a distinguir entre pacientes que precisam de monitoramento e tratamento intensivo e aqueles que não precisam.
O Dr. Massimo Alfano, coordenador do projeto PHIRE, afirma que a identificação da integrina α5β1 permite usá-la como um alvo. “Agora podemos desenvolver moléculas específicas que se liguem a esse marcador. Isso pode ser usado para entregar medicamentos ou substâncias que tornam os tumores mais fáceis de ver em exames, diretamente para as células cancerosas”, explica.
Ao identificar esse biomarcador altamente específico e compartilhado entre as espécies, a descoberta fortalece a colaboração entre a medicina humana e veterinária no combate ao câncer de bexiga. Isso promete não apenas inovações mais rápidas para tratamentos humanos, mas também uma melhoria nos cuidados e resultados para nossos companheiros de quatro patas.
Fontes:
- Entrevista: Dr. Massimo Alfano e Pr. Davide Danilo Zani explicando a descoberta. Disponível em: https://www.phire-project.eu/interviews/
- Artigo Científico: Lucianò, R. et al. “High-grade non-muscle invasive urothelial carcinoma in dogs and humans share specific expression of integrin α5β1”. Frontiers in Oncology, maio de 2025. Disponível em: https://www.phire-project.eu/resources/scientificpaper-frontiers-in-oncology/
- Financiamento do Projeto: O projeto PHIRE é financiado pela União Europeia.
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Por MB.
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