
Você sabia que a polinização, essencial para a reprodução da maioria das plantas e para nossos alimentos, não acontece só de dia? Uma nova pesquisa da Universidade de Lund, na Suécia, revelou uma descoberta surpreendente: polinizadores noturnos, como as mariposas, são tão importantes quanto as abelhas e outros insetos diurnos em 90% dos casos estudados.
Descoberta redefine a atuação dos polinizadores
Por décadas, cientistas debateram se a polinização ocorre mais durante o dia ou à noite, sem um consenso claro. A pesquisa de Liam Kendall e Charlie Nicholson, da Universidade de Lund, reuniu dados de 135 estudos globais, analisando 139 espécies de plantas. O resultado? 90% das plantas apresentaram sucesso reprodutivo similar, independentemente de serem polinizadas durante o dia ou à noite.
Essa flexibilidade da natureza é fascinante. “Nossa análise mostrou o oposto do esperado — há muito mais flexibilidade. Um polinizador diferente do esperado pode contribuir o suficiente para uma espécie de planta se reproduzir”, explica Kendall.
O viés humano e a invisibilidade dos polinizadores da noite
Muitos de nós associamos a polinização a abelhas e borboletas, talvez por serem mais visíveis e até “bonitas”. No entanto, os pesquisadores apontam para um viés humano: tendemos a focar no que acontece enquanto estamos acordados, ignorando a atividade noturna.
“Temos essa ideia de que toda a magia acontece durante o dia, porque é quando estamos ativos, e é quando vemos abelhas e borboletas voando entre as flores”, comenta Kendall. Ele sugere que a percepção cultural de beleza também influencia, contrastando a imagem “fofa” das abelhas com a das mariposas, muitas vezes vistas como “cinzentas e empoeiradas”.
Protegendo os polinizadores noturnos: um apelo à conservação
A pressão da atividade humana sobre a biodiversidade exige que repensemos a conservação. Se os polinizadores noturnos são tão cruciais, medidas de proteção precisam considerá-los. Por exemplo, o ciclo de vida das mariposas é diferente do das abelhas, o que significa que suas necessidades ecológicas também são distintas.
“A análise mostra que precisamos mudar a forma como pensamos sobre como os ambientes podem apoiar polinizadores e a biodiversidade”, afirma Kendall. A pesquisa levanta uma questão crítica: a poluição luminosa (excesso de luz artificial) pode estar prejudicando esses polinizadores noturnos, que são essenciais para a reprodução das plantas.
Além disso, práticas como a pulverização de pesticidas à noite, feita para proteger insetos diurnos, podem estar inadvertidamente prejudicando os polinizadores noturnos. “Isso significa que poderíamos fazer muito mais, mas não pensamos o suficiente sobre isso até agora, e mais pesquisas são necessárias”, conclui Kendall.
É hora de reconhecer e proteger todos os polinizadores, garantindo a saúde de nossos ecossistemas e a segurança alimentar.
Fontes:
- Revisão da pesquisa conduzida por cientistas da Lund University, Suécia.
- Artigo “Pollination Across the Diel Cycle: A Global Meta-Analysis”, publicado na revista Ecology Letters.
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