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Por que as picadas de mosquito em algumas pessoas coçam mais do que as de outras? Cientistas apontam resposta

A pele é densamente povoada por neurônios sensoriais. Foto: Canva.com

Algumas pessoas simplesmente não conseguem parar de se coçar depois de serem picadas por um mosquito — mas nem todo mundo fica com coceira depois de uma picada de inseto ou algo similar que desencadeia alergia. Agora, uma nova pesquisa realizada em camundongos aponta diferenças na atividade do sistema imunológico que podem determinar se você acaba sentindo coceira.

A pele é densamente povoada por neurônios sensoriais, que são células nervosas que detectam mudanças no ambiente e então desencadeiam sensações, como dor, em resposta. Quando uma pessoa encontra um agente alérgeno potencial, como saliva de mosquito, esses neurônios o detectam e podem desencadear uma sensação de coceira em resposta. Eles também ajudam a ativar células imunológicas próximas, que iniciam uma reação inflamatória com inchaço e vermelhidão.

Algumas pessoas que são repetidamente expostas a um alérgeno podem desenvolver inflamação alérgica crônica, que muda fundamentalmente os tecidos onde essa inflamação está ocorrendo. Por exemplo, as células imunes que respondem a alérgenos podem mudar a sensibilidade dos nervos, tornando-os mais ou menos propensos a reagir a uma substância.

Ao portal ‘Live Science’, a autora sênior do estudo, Dra. Caroline Sokol, explicou: “Todos nós temos neurônios sensoriais, então todos nós podemos sentir coceira. Mas nem todos nós temos alergias, mesmo que estejamos cercados pelos mesmos alérgenos”, disse ela, que é professora de alergia e imunologia na Harvard Medical School e no Massachusetts General Hospital, nos EUA. “Então, o que define quais neurônios sensoriais disparam em resposta a alérgenos e quais não?”

Etapas do estudo

Para desvendar, Sokol e seus colegas expuseram camundongos a uma substância química chamada papaína , que causa uma sensação de coceira que faz os roedores coçarem a pele. Os diferentes grupos de camundongos de laboratório na análise não tinham diferentes células imunológicas. A pesquisa, publicada na última quarta-feira (4 de setembro) na revista ‘Nature’, descobriu que camundongos que não tinham um tipo específico de célula T não se coçavam quando eram expostos à papaína.

Os pesquisadores queriam descobrir como essas células, chamadas células GD3, conduziam as respostas nervosas sensoriais. Eles cultivaram células GD3 em laboratório e as trataram com um produto químico para fazê-las liberar moléculas de sinalização chamadas citocinas. Então, eles injetaram em camundongos com sistemas imunológicos normais o líquido contendo citocinas em que as células foram cultivadas.

Este tratamento não desencadeou coceira por si só. No entanto, ele intensificou as respostas de coceira dos camundongos a uma variedade de alérgenos, incluindo cuspe de mosquito. Isso sugeriu que algo liberado pelas células GD3 aumentou a coceira induzida pelos nervos.

Ao comparar as substâncias químicas secretadas pelas células GD3 com aquelas de outras células imunes na camada central da pele, os pesquisadores descobriram que apenas um fator era exclusivo das células GD3: a interleucina 3 (IL-3), que é conhecida por ajudar a regular a inflamação.

Somente alguns neurônios sensoriais responderam à IL-3. Aqueles que responderam tornaram-se mais propensos a desencadear uma coceira – um sinal de que a citocina “prepara” os neurônios para reagir aos alérgenos.

Em contraste, quando os pesquisadores removeram os genes para IL-3 ou seus receptores – ou removeram as células GD3 inteiramente – os camundongos não conseguiram iniciar uma resposta alérgica. Com experimentos posteriores, a equipe concluiu que a IL-3 ativa dois sinais separados: um que promove a coceira induzida pelos nervos e outro que controla o lado imunológico da resposta alérgica.

Ao liberar IL-3, as células GD3 foram “absolutamente essenciais” para definir o limite no qual um nervo sensorial reagiria a um alérgeno, disse Sokol. Essa reação em cadeia envolvendo IL-3 “pode ​​nos dar um novo caminho para tratar pacientes com distúrbios crônicos de coceira”, acrescentou.

No entanto, até o momento, o estudo foi conduzido somente em camundongos. Então os pesquisadores não podem ter certeza de que as células humanas se comportarão exatamente da mesma maneira. Embora as células imunes de camundongos na análise tenham genes e proteínas muito semelhantes aos seus equivalentes humanos, Sokol enfatizou que é importante entender se e como as células T humanas reagem à IL-3. Esses dados são necessários para traduzir a descoberta em tratamentos para coceira ou maneiras de prever quem pode estar em risco de alergias.

“Todos nós temos aquele amigo que não reage a picadas de mosquito e o amigo que parece horrível depois de um dia ao ar livre”, destacou Sokol. “Acreditamos que [a via IL-3] está determinando isso em tempo real, porque quando olhamos para a coceira induzida por picada de mosquito — e a resposta imune alérgica que se segue — vemos que ela é completamente dependente das células nesta via.”

Confira AQUI o estudo na íntegra ‘Nature’.

Fonte: Live Science