
Muitos tutores chegam em casa e são recebidos com uma verdadeira “sessão de beijos”. Embora esse comportamento seja quase sempre associado ao amor que o animal sente pelo dono, a ciência explica que a lambida é uma ferramenta de comunicação multifuncional, usada pelos cães para expressar desde fome até respeito.
Entender esses sinais é fundamental para fortalecer o vínculo com o seu pet. Quando um cachorro lambe você, ele está processando informações químicas através do paladar e do olfato, tentando entender por onde você passou e até como está o seu humor no momento. É uma troca de informações biológicas camuflada de carinho.
O instinto por trás das lambidas
Desde filhotes, os cães utilizam a língua para se comunicar. Na natureza, lamber o focinho da mãe é um sinal de submissão e também uma forma de pedir comida. Portanto, quando seu pet lambe você, ele pode estar demonstrando respeito.
“A lambida é o ‘cartão de visitas’ sensorial do cão. Além do afeto, eles buscam o sal da nossa pele e tentam decifrar nosso estado emocional através das alterações químicas que o suor carrega”, explica Ricardo Menezes, adestrador e terapeuta comportamental canino.
Curiosidades sobre a língua dos cães
Você sabia que a língua do seu pet é muito mais do que um distribuidor de “lambeijos”? Além de possuir cerca de 1.700 papilas gustativas, ela funciona como o sistema de resfriamento do animal. Como os cães não suam como nós, eles usam a evaporação da saliva na língua para regular a temperatura do corpo.
Outro fato curioso é que a língua dos cães funciona como uma colher invertida na hora de beber água: eles dobram a ponta para trás, criando uma pequena concha que transporta o líquido rapidamente para a boca.
Quando a lambida indica estresse
É importante observar a frequência desse hábito. Se o cachorro lambe as pessoas ou a si mesmo de forma compulsiva, isso pode ser um sinal de ansiedade ou tédio.
Segundo o Ricardo Menezes, “se a lambida se torna repetitiva e o cão parece não conseguir parar, ele pode estar usando o gesto para se acalmar em momentos de estresse. Nesses casos, o tutor deve oferecer estímulos mentais e não apenas carinho.”
Cuidados com os “lambeijos” e riscos
Apesar de ser um gesto gentil, o famoso “lambeijo” exige cautela. O veterinário Marcos Lemos alerta que a boca dos pets abriga uma microbiota vasta. Embora a saliva canina tenha algumas propriedades que ajudam na cicatrização de feridas do próprio cão, para humanos o cenário é diferente.
“Existem bactérias na boca dos pets, como a Capnocytophaga, que podem causar infecções graves em pessoas com o sistema imunológico baixo ou se entrarem em contato com feridas abertas no tutor”, explica o veterinário. Além disso, se o cão não estiver com o vermífugo em dia, ele pode transmitir parasitas acidentalmente através da lambida no rosto ou boca.
Assim, o ideal é retribuir o carinho com carícias e brincadeiras, mantendo sempre a higiene em dia para uma convivência saudável e segura.
Por MB.
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