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Verão: como proteger cães e gatos do calor

Use ventiladores apontados para baixo ou em áreas de descanso para circular o ar.
Imagem: IA Google

O calor é, sem dúvida, um dos maiores desafios para quem divide a casa com um pet. No Brasil, onde o verão costuma ser rigoroso e se estende por meses, o risco de superaquecimento não é apenas um incômodo, mas uma ameaça séria à saúde de cães e gatos, especialmente durante a agitação das festas de final de ano e das viagens em família. Conhecer os sinais de perigo e adotar medidas preventivas não é apenas um ato de amor, mas uma necessidade para garantir que seu companheiro peludo passe a estação mais quente com segurança e conforto.

O superaquecimento, ou hipertermia, pode evoluir rapidamente, exigindo conhecimento e ação imediata do tutor. Mas, afinal, como protegemos de forma eficaz um organismo que não tem a mesma capacidade humana de transpirar? Para a veterinária Maria Eduarda Silva, a prevenção começa com a informação. “O tutor precisa entender que o pet não sua como nós. A principal forma de resfriamento dele é ofegar, e, se o ambiente estiver muito quente, esse mecanismo pode falhar, levando a um colapso em minutos. Cuidado com o asfalto quente e a falta de água fresca!”, alerta a especialista. É por isso que preparamos um guia completo com 7 cuidados essenciais, desvendando mitos sobre tosa e protetor solar, para que você e seu pet possam curtir o verão sem sustos.

Por que o calor é perigoso para cães e gatos

Ainda que pareça óbvio, muitos tutores subestimam o quão rápido um cão ou um gato podem superaquecer. Diferente dos humanos, que possuem glândulas sudoríparas espalhadas pelo corpo e transpiram com facilidade, cães e gatos dependem majoritariamente de um único mecanismo para baixar a temperatura interna: a troca de calor pelo ofegar (respiração ofegante) e pela evaporação mínima que ocorre nas patas e no focinho.

Quando o clima está muito quente e úmido, ou quando o pet se exercita em excesso, esse sistema se torna ineficiente. A temperatura corporal sobe descontroladamente, afetando órgãos vitais e podendo levar à hipertermia, uma condição que coloca a vida do animal em risco. Raças braquicefálicas (focinho achatado) como Bulldogs, Pugs e Persas são ainda mais vulneráveis, pois suas vias aéreas naturalmente curtas dificultam a troca de calor, exigindo atenção redobrada durante os meses de verão.

Sinais de alerta: reconheça a hipertermia

Saber identificar os primeiros sinais de que seu pet está superaquecendo é a chave para a intervenção imediata. A veterinária Maria Eduarda Silva enfatiza que agir rapidamente pode salvar a vida do animal: “Ao notar qualquer alteração, o tutor precisa agir imediatamente, tirando o pet do calor e tentando resfriá-lo. O tempo aqui é vital para evitar danos cerebrais ou falência renal.”

Fique atento aos seguintes sintomas:

  • Respiração extremamente ofegante: Respiração muito rápida, barulhenta e superficial.
  • Salivação excessiva: Baba espessa ou espumosa.
  • Gengivas vermelhas: Gengivas brilhantes, secas ou com coloração vermelho-escura.
  • Vômitos ou diarreia: Pode haver sangue.
  • Desorientação: Dificuldade para andar, cambaleio ou colapso.

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A hidratação constante é a principal defesa contra a desidratação e o superaquecimento. Foto: Canva.com

7 cuidados essenciais para refrescar seu pet

Agora que você reconhece os perigos, veja as medidas práticas que devem ser adotadas diariamente para garantir a segurança e o bem-estar de cães e gatos no calor.

Horários e locais corretos de passeio

Esta é a regra de ouro do verão. Passear com seu cachorro nos horários de pico de calor é a causa mais comum de queimaduras nas patas e superaquecimento.

  • Evite o asfalto: Nunca saia com o pet entre as 10h e as 17h. O asfalto ou a areia podem estar quentes o suficiente para causar queimaduras de segundo ou terceiro grau. Faça o teste da sua mão: se você não conseguir manter a palma no chão por 5 segundos, seu pet também não consegue.
  • Duração: Limite os passeios de verão a 15 ou 20 minutos e dê preferência a gramados ou trilhas com sombra.

Hidratação e água fresca sempre à mão

A hidratação constante é a principal defesa contra a desidratação e o superaquecimento.

  • Água abundante: Mantenha sempre mais de uma tigela de água fresca em locais acessíveis da casa.
  • Gelo estratégico: Adicionar cubos de gelo à água ajuda a manter a temperatura baixa por mais tempo e pode ser divertido para o pet.
  • Refresco divertido: Lembre-se da dica dos petiscos congelados! Você pode congelar frutas permitidas (como melancia ou banana) com água ou iogurte natural para oferecer um picolé refrescante e seguro.

Como usar o ar-condicionado e ventilação

  • Ambiente controlado: Se tiver ar-condicionado, garanta que seu pet tenha acesso ao ambiente refrigerado nos dias mais quentes, especialmente raças de focinho curto e idosos.
  • Ventiladores: Use ventiladores apontados para baixo ou em áreas de descanso para circular o ar.
  • Sombra: Para pets que ficam no quintal, certifique-se de que a casinha ou área de descanso receba sombra durante todo o dia.

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Tosa, banho e mitos: o que é essencial no verão

Quando o calor aperta, a primeira reação de muitos tutores é correr para tosar o pet o mais baixo possível. No entanto, o que parece ser um alívio pode se tornar um risco grave de saúde, especialmente para raças específicas.

Tosa: o que deve ser evitado em raças específicas

Contrariando a crença popular, a pelagem densa de certas raças não é apenas um “casaco”; é um isolante térmico que protege tanto do frio quanto do calor, e também dos raios UV.

  • Raças de pelagem dupla (Double Coat): Cães como Husky Siberiano, Golden Retriever, Labrador, Samoieda e Spitz Alemão (Lulu da Pomerânia) possuem uma camada externa (pelos mais longos e duros) e um subpelo (pelos curtos e macios). A tosa muito baixa danifica permanentemente o subpelo, comprometendo a capacidade de isolamento e deixando a pele exposta. Nesses casos, a recomendação é apenas a escovação frequente para remover pelos mortos e arejar a pele.
  • Outras raças: Em raças de pelo simples, a tosa pode ser útil, mas nunca deve ser feita “na pele”, pois isso expõe o pet ao risco de queimaduras solares e superaquecimento direto.
  • Banho: O banho pode ser aumentado no verão, desde que sejam usados produtos adequados para pets e que a secagem seja completa para evitar fungos. O banho por si só não resolve a hipertermia, mas refresca o pet.

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Gatos podem ser tosados?

A tosa em gatos não é aconselhável como regra geral para refrescá-los. Gatos são mestres em regular sua temperatura corporal através da lambedura e troca de calor ambiente.

A tosa no gato só é recomendada em casos muito específicos e com foco higiênico:

  • Nós e bola de pelos: Em gatos de pelo longo que formam nós que não podem ser desfeitos.
  • Higiene: Tosa higiênica nas áreas próximas ao ânus para evitar acúmulo de sujeira.
  • Exceção médica: Em casos de obesidade extrema ou problemas articulares que impedem o gato de se lamber, o que pode justificar a tosa para higiene.

Protetor solar e água de coco: quando usar

  • Protetor solar: sim, é necessário! Cães e gatos de pelagem clara, rala ou branca (especialmente no nariz, orelhas e barriga) são suscetíveis a queimaduras solares e câncer de pele. Use protetores específicos para pets, sem cheiro ou corantes, e aplique 30 minutos antes da exposição ao sol.
  • Água de coco: pode dar, mas com moderação! A água de coco é um isotônico natural, excelente para reidratação rápida. No entanto, possui alto teor de potássio e pode ser diurética e levemente laxativa. Ofereça em pequenas quantidades, como petisco refrescante, e nunca substitua a água pura.

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Ações imediatas contra o superaquecimento

  1. Remova do calor: Leve o pet imediatamente para um local com sombra, ar-condicionado ou ventilação forte.
  2. Resfriamento localizado: Use água fria (não gelada) para molhar as áreas com maior fluxo sanguíneo, como pescoço, axilas e virilhas. Você pode usar toalhas molhadas e trocá-las a cada poucos minutos. Não cubra o corpo do pet com toalhas molhadas, pois isso pode prender o calor.
  3. Monitore a temperatura: Se possível, meça a temperatura retal do pet. Assim que ela cair para cerca de 39,5° C, pare o resfriamento.
  4. Água para beber: Ofereça pequenas quantidades de água fresca.

Queimaduras nas patinhas

Se o passeio foi inevitável no asfalto quente e o pet está mancando ou as almofadas das patas parecem vermelhas ou com bolhas:

  • Lave imediatamente: Lave as patas com água fria (ou temperatura ambiente) por pelo menos 10 minutos para parar a queimadura.
  • Não use pomadas: Não aplique manteiga, óleo ou cremes caseiros, que podem reter o calor.
  • Enfaixe levemente: Cubra a área com um pedaço limpo de pano ou gaze e procure o veterinário imediatamente. As patas são áreas sensíveis e as queimaduras podem infeccionar facilmente.

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Para a veterinária Maria Eduarda Silva, “O resfriamento é o primeiro socorro, mas não é o tratamento final. Após qualquer suspeita de hipertermia ou queimaduras, é crucial procurar a clínica imediatamente. Só o profissional poderá avaliar possíveis danos internos e garantir a recuperação completa do seu pet.”

Para aproveitar o verão e as festas de fim de ano com tranquilidade, a palavra-chave é prevenção. Seja nos passeios, na hidratação ou na hora de escolher a tosa ideal, a vigilância constante e a adoção dessas medidas simples são a garantia de que seu cão ou gato estará seguro. Com atenção e carinho, seu companheiro pode desfrutar da estação mais quente do ano com saúde e bem-estar.

Por MB.

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