
Você está no pet shop olhando duas embalagens de ração para cães. Uma custa R$ 90. A outra, quase R$ 250. Ambas prometem saúde, energia e longevidade para o seu melhor amigo. A dúvida é inevitável: será que a mais cara realmente faz diferença ou é só marketing?
Para responder a essa questão e ajudar você a fazer a melhor escolha, conversamos com o veterinário André Mello, responsável pela seção Fale com o Vet no portal Meus Bichos e proprietário da Clínica Veterinária Estética Canina Vet Center, em Turiaçú, zona norte do Rio de Janeiro.
Entenda rápido
Antes de nos aprofundarmos nos detalhes técnicos, veja o resumo do que muda quando você opta por um alimento de categoria superior:
- A ração premium possui ingredientes com maior digestibilidade.
- O cão precisa comer uma quantidade menor para ficar saciado e nutrido.
- O organismo aproveita melhor o alimento, produzindo menos fezes.
- A nutrição de alta qualidade contribui diretamente para a saúde e longevidade.
- Nem sempre a opção mais cara é a melhor; saber ler o rótulo faz diferença.
O que realmente diferencia uma ração premium
De acordo com o veterinário André Mello, o segredo por trás dos diferentes tipos de alimento está na seleção da matéria-prima. “O que difere as rações comuns das versões premium, super premium e importadas é a qualidade dos ingredientes e a digestibilidade, enfatizando principalmente o aproveitamento dos nutrientes”, explica o especialista.
Enquanto os alimentos mais elaborados trabalham com fontes de proteínas nobres e complexos vitamínicos (premix), as opções baratas utilizam ingredientes básicos e subprodutos processados, como farelados de baixa qualidade, milho e soja.
Por que o cachorro faz menos cocô
Essa é a parte que todo tutor deseja entender, e a explicação do Dr. André é muito simples e direta: “Quando você dá uma ração básica, o animal come muito, aproveita muito pouco e descarta bastante. Ou seja: o animal come muito, aproveita pouco e faz bastante fezes.”
Em contrapartida, quando o cão consome um alimento premium ou super premium, acontece o oposto. Como a digestibilidade é alta, o organismo absorve quase tudo o que foi ingerido. Com o aproveitamento máximo dos nutrientes, sobra muito pouco desperdício para ser eliminado. Dessa maneira, o animal come pouco e faz menos cocô, deixando as fezes mais firmes e com menos odor.
Como saber se a ração premium está fazendo diferença?
Se você está em dúvida se o alimento atual do seu cão está cumprindo o papel dele, faça uma avaliação rápida observando o comportamento e o corpo do pet no dia a dia. Responda mentalmente às seguintes perguntas:
- O pelo do seu cão está brilhante e macio?
- As fezes dele estão firmes e fáceis de recolher?
- O hálito e as fezes estão com menos odor?
- O peso do animal está adequado para o porte dele?
- Ele demonstra uma energia boa para brincar e passear?
Se a resposta foi “sim” para a maioria dessas perguntas, a alimentação provavelmente está funcionando muito bem.
Quanto um cachorro deve comer por dia
Para ajudar na organização da rotina da casa, preparamos uma tabela simples com a quantidade média recomendada de alimento de acordo com o peso do animal.
| Porte | Peso do cão | Quantidade média diária* | Refeições recomendadas |
|---|---|---|---|
| Pequeno | 3 a 10 kg | 60 a 180 g | 2 a 3 refeições |
| Médio | 10 a 25 kg | 180 a 350 g | 2 refeições |
| Grande | 25 a 45 kg | 350 a 550 g | 2 refeições |
Observação importante: Os valores acima são apenas uma referência geral para cães adultos saudáveis. A quantidade ideal pode variar conforme idade, nível de atividade física, condição corporal, estado de saúde e a densidade energética da ração utilizada. Consulte sempre a tabela do fabricante e a orientação do médico-veterinário.
Ração cara pode sair mais barata
Muitos tutores se assustam com o preço do pacote de ração premium, mas a matemática do dia a dia prova que o investimento vale a pena. O Dr. André faz um alerta importante sobre a falsa sensação de economia: “O tutor paga pouco e vê o animal comer muito. Para ele, isso parece bom, mas não é a realidade.”
Se colocarmos na ponta do lápis, o cenário funciona assim:
- Ração comum: O consumo diário é muito maior, o pacote acaba rápido e você precisa comprar mais vezes, além do gasto extra com produtos de limpeza para recolher o excesso de fezes.
- Ração premium: O consumo diário é bem menor, o pacote rende quase o dobro do tempo e o animal absorve mais saúde, gerando economia com consultas veterinárias no futuro.

Pergunte ao vet
Para esclarecer aquelas dúvidas que todo tutor tem na hora de abastecer o pote do pet, batemos um papo exclusivo com o Dr. André Mello. Confira o nosso ping-pong:
A alimentação natural é melhor do que a ração?
Dr. André Mello: A ração é, para mim, a melhor opção sempre, desde que seja de excelente qualidade. Alguns animais, por questão de saúde ou tratamento médico recomendado, podem sim fazer uso de alimentação natural. Mas, no geral, as rações entregam perfeitamente os nutrientes que eles precisam, além da comodidade, praticidade e higiene.
Posso misturar comida caseira e ração na mesma rotina?
Dr. André Mello: Eu não recomendaria o uso simultâneo da ração com a comida, sejam juntas ou separadas. O animal certamente irá optar pela comida, pois ela é mais tenra, cheirosa e saborosa. Com isso, ele pode começar a rejeitar a ração pura depois. A comidinha caseira pode ser oferecida apenas como um agrado muito esporádico.
Qual sua principal recomendação para quem quer melhorar a alimentação do pet?
Dr. André Mello: O importante mesmo é oferecer um alimento de qualidade comprovada para que a vida do animal seja mais feliz e duradoura. Não vale a pena economizar na nutrição diária. Quanto melhor for a qualidade do alimento, melhor será para a saúde do pet.
O que ninguém te conta sobre as rações
Na hora de escolher o produto, a maioria das pessoas comete o erro de observar apenas o preço, a propaganda da televisão ou o quanto o cachorro demonstra gostar da comida. No entanto, é preciso ter muito cuidado com esse último ponto.
A indústria de alimentos mais baratos costuma carregar o produto com palatabilizantes artificiais. Desse modo, o cão pode devorar o alimento com muita vontade, mas isso não significa que ele seja saudável. Gostar de comer não é sinônimo de nutrição de qualidade.
Afinal, ração premium vale a pena?
Sem qualquer radicalismo, fica claro que a escolha do alimento do seu cão deve ser vista como um investimento direto na saúde dele. No fim das contas, escolher a ração do seu cachorro não é apenas uma decisão de preço – é uma decisão de cuidado. Uma alimentação de qualidade ajuda o pet a ter mais disposição, melhor digestão, pelo saudável e uma vida mais longa ao seu lado. Como lembra o Dr. André Mello, “não vale a pena economizar na nutrição diária”. E para quem ama um animal como parte da família, isso faz toda a diferença.
Agradecimento: Dr. André Mello – Clínica Estética Canina Vet Center. Tel.: (21) 3350-7189 e 97743-5550.
Instagram: @esteticacaninavetcenter
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