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O som dos dinossauros é um dos grandes mistérios que a paleontologia tenta desvendar. Por muito tempo, a imagem do Tiranossauro Rex emitindo um rugido aterrorizante foi a única que existia, popularizada pelo cinema. Entretanto, as pesquisas científicas mais recentes indicam que essa representação está muito distante da realidade. As vocalizações dos dinossauros eram, na verdade, muito mais complexas e inusitadas do que imaginamos. Uma pesquisa pioneira abriu o caminho, e descobertas recentes, com a análise de fósseis raros, vieram para confirmar essa nova teoria.
Hoje, a ciência tem uma compreensão mais clara de como esses gigantes se comunicavam. Em vez de rugidos altos, é muito provável que eles fizessem sons de baixa frequência, parecidos com gorjeios ou arrulhos profundos. Essas novas descobertas, combinadas com a análise de parentes vivos, transformaram a forma como pensamos e até ouvimos o passado.
A pesquisa que mudou tudo: sons de “boca fechada”
Em 2016, uma equipe de pesquisadores liderada pela paleontóloga Julia Clarke publicou um estudo revolucionário na revista Evolution. Este trabalho foi pioneiro ao sugerir que alguns dinossauros, em vez de rugir com a boca aberta, produziam sons de “boca fechada”.
A teoria se baseou na análise do sistema vocal de mais de 50 espécies de aves e crocodilos, os parentes vivos mais próximos dos dinossauros. A pesquisa mostrou que muitas dessas espécies fazem sons de baixa frequência, como arrulhos e mugidos, sem abrir o bico ou a boca. Julia Clarke explicou que essa forma de comunicação era mais provável em dinossauros grandes, já que anatomicamente eles não possuíam uma caixa vocal complexa como a das aves modernas. Portanto, o rugido que o cinema popularizou seria um som impossível de ser produzido.
As descobertas mais recentes que confirmaram a teoria
O estudo de 2016 foi um marco, mas as evidências fósseis que comprovam a teoria são recentes e ainda mais impressionantes. Em 2023, paleontólogos da China e do Japão fizeram uma descoberta extraordinária que mudou a conversa para sempre.
A laringe do Pinacosaurus
Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia em Pequim e de outras instituições internacionais encontrou no Deserto de Gobi um fóssil de Pinacosaurus grangeri com uma laringe cartilaginosa preservada. Essa estrutura vocal delicada, raramente encontrada, mostrou que o dinossauro, de forma semelhante às aves atuais, tinha uma laringe incapaz de produzir rugidos. Os cientistas concluíram que o Pinacosaurus provavelmente emitia sons de “boca fechada”, reforçando as suspeitas do estudo de Julia Clarke.
A pista do Pulaosaurus qinglong
Em 2025, novas evidências foram apresentadas com a descoberta de um fóssil de 120 milhões de anos do Pulaosaurus qinglong. Este pequeno dinossauro herbívoro, encontrado no nordeste da China por paleontólogos chineses, também possuía ossos da garganta e estruturas vocais que se assemelham às de aves. A descoberta, novamente, sugere que o som dos dinossauros era mais parecido com gorjeios ou pios do que com os rugidos que habitam o nosso imaginário.
Por MB.
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