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Imagine uma criatura microscópica, de apenas um milímetro de comprimento, com oito pernas e uma capacidade de sobrevivência que desafia a ciência. Conhecido popularmente como urso d’água ou urso do musgo, o tardígrado é um animal minúsculo, mas de reputação gigantesca. Encontrado em praticamente qualquer lugar, desde o fundo do mar até os picos mais altos de montanhas, ele nos fascina com sua habilidade de resistir às condições mais extremas do planeta.
Para além de sua aparência peculiar, o tardígrado tem uma biologia única que o torna um verdadeiro “super-herói” do reino animal. Sua fama se deve, sobretudo, a um estado de suspensão de vida chamado criptobiose, que é ativado quando as condições ao seu redor se tornam insustentáveis. É justamente essa capacidade extraordinária que o diferencia de qualquer outro ser vivo e o coloca no centro de inúmeros estudos científicos.
O que são tardígrados?
Os tardígrados são micro-invertebrados que compõem o filo Tardigrada. Eles possuem oito pernas curtas e uma cutícula flexível, que os faz se parecerem com pequenos ursos. A maioria das 1.300 espécies conhecidas vive em ambientes aquáticos ou úmidos, como musgos, líquens e na serapilheira (a camada de folhas e detritos no solo da floresta), mas podem ser encontrados em quase todos os biomas.

Os superpoderes dos tardígrados: a criptobiose
A principal característica dos tardígrados é sua resistência extrema. Eles entram em um estado de “morte suspensa” ou criptobiose para sobreviver a condições letais para a maioria dos seres vivos. Nesse estado, o metabolismo deles desacelera para cerca de 0,01% do normal e eles se encolhem, perdendo quase toda a água do corpo. Por exemplo, eles podem:
- Sobreviver a temperaturas extremas: Desde o frio quase absoluto do espaço (-272°C) até o calor de 150°C.
- Resistir à radiação: Conseguem suportar doses de radiação ionizante centenas de vezes maiores do que a dose letal para humanos.
- Vácuo e pressão: Sobrevivem no vácuo do espaço e em pressões até 6.000 vezes maiores que a atmosférica.
- Desidratação completa: Podem ficar sem água por décadas e, quando reidratados, voltam à vida.
Tardígrados no espaço: a prova definitiva
Sim, eles estiveram lá! Em 2007, a Agência Espacial Europeia (ESA) enviou tardígrados na missão espacial FOTON-M3 para testar sua resistência fora da Terra. Os animais foram expostos ao vácuo e à radiação solar. O resultado foi impressionante: eles não apenas sobreviveram, mas alguns até conseguiram se reproduzir após o retorno.
De acordo com Ingemar Jönsson, professor da Universidade Kristianstad, na Suécia, e um dos cientistas responsáveis pelo estudo, os tardígrados se tornaram o primeiro animal a sobreviver à exposição direta ao espaço. Essa descoberta abriu novas portas para a astrobiologia, pois sugere que a vida pode ser muito mais resiliente do que se pensava.
Curiosidades e fatos fascinantes sobre os tardígrados
- Longevidade em modo de espera: Um tardígrado pode viver por décadas em estado de criptobiose, esperando as condições certas para “acordar” e voltar às suas funções normais.
- Dieta variada: Existem espécies de tardígrados que se alimentam de algas, enquanto outras são carnívoras e caçam micro-organismos menores, como rotíferos.
Por que os tardígrados são tão importantes para a ciência?
A pesquisa sobre os tardígrados está em constante avanço e pode ter aplicações revolucionárias. Os cientistas estudam os genes e as proteínas que conferem essa resistência extrema na esperança de criar, por exemplo, vacinas que não precisam de refrigeração, ou até mesmo desenvolver maneiras de proteger células e órgãos humanos de danos causados pela radiação e por ambientes hostis. Portanto, o futuro da medicina e da exploração espacial pode ter um pouco do DNA desses pequenos e fascinantes animais.
Por MB.
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