
As calopsitas (Nymphicus hollandicus) são aves encantadoras e muito populares como pets, pertencendo à ordem dos psitacídeos, assim como papagaios, araras e periquitos. Essa classificação indica sua inteligência, sociabilidade e a capacidade de interagir e até mesmo imitar sons e falas. O tempo de vida da calopsita, quando bem cuidada, pode variar entre 15 e 20 anos, e em alguns casos, até mais, ultrapassando os 25 anos. Essa expectativa de vida considerável faz delas companheiros de longo prazo, e entender seu ciclo vital é fundamental para oferecer os cuidados adequados em cada fase, garantindo uma vida plena e saudável.
A longevidade de uma calopsita é diretamente influenciada pela qualidade do manejo, alimentação, ambiente e atenção veterinária. Ao longo de sua vida, elas passam por distintas fases de desenvolvimento, cada uma com suas particularidades comportamentais e necessidades específicas. Conhecer essas etapas – filhote, adulta e idosa – nos permite adaptar os cuidados e fortalecer o vínculo com essas aves inteligentes e afetuosas, que se tornam verdadeiros membros da família.
A fase filhote: descoberta e aprendizado (0 a 6 meses)
A fase de filhote da calopsita é um período de rápido crescimento e intenso aprendizado. É quando a ave começa a descobrir o mundo e a interagir com seu ambiente e tutores.
O nascimento sem penas e a alimentação no bico
As bebês calopsitas nascem sem penas, com a pele rosada e apenas uma penugem muito fina, parecendo pequenas bolinhas de algodão. Essa penugem inicial é gradualmente substituída por peninhas mais estruturadas que começam a nascer nas primeiras semanas, geralmente entre a segunda e a quarta semana de vida, preparando-os para deixar o ninho por volta dos 30 dias.
Nessa fase inicial, os filhotes são alimentados pelos pais com uma papinha regurgitada diretamente no bico. Se criados por humanos, eles precisarão receber uma papinha específica para filhotes de psitacídeos, administrada no bico com o auxílio de uma seringa ou colher. A consistência e a temperatura da papinha são cruciais, e o papo do filhote deve ser monitorado para garantir a digestão adequada.
Interação e primeiros sons
Quando bem filhotes, é a melhor fase para começarem a aceitar a interação humana e a se acostumar com o toque e a presença dos tutores. São mais maleáveis e receptivos, o que facilita o processo de amansamento. É também neste período que eles começam a aprender a reproduzir sons, assobios e, com paciência e repetição, podem até imitar palavras.
Características do filhote
- Aparência: Além da penugem inicial e o desenvolvimento das penas nas semanas seguintes, a plumagem final ainda não tem a coloração vibrante de um adulto. O topete é menor e mais arredondado.
- Comportamento: São mais dependentes, curiosos e um tanto desajeitados em seus primeiros voos curtos.
- Necessidades: Precisam de uma alimentação nutritiva e balanceada para o crescimento. O ambiente deve ser seguro, aquecido e sem correntes de ar. A interação constante e gentil é crucial para desenvolverem confiança nos humanos e estimularem o aprendizado de vocalizações.
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A calopsita adulta: plenitude e personalidade (6 meses a 10-12 anos)
Após a fase de filhote, a calopsita atinge a idade adulta, um período de plenitude física e comportamental. É quando a personalidade da ave se consolida e ela se torna um membro ativo e vibrante da família.
Características do adulto
- Aparência: A plumagem atinge sua cor e brilho máximos. O topete é bem formado e expressivo, movimentando-se de acordo com o humor da ave. A diferenciação sexual pela cor pode se tornar evidente em algumas mutações (por exemplo, machos com face mais amarela e bochechas mais alaranjadas em calopsitas de cor silvestre).
- Comportamento: São mais independentes, confiantes e estabelecem rotinas. A vocalização é mais complexa, podendo incluir assobios, repetição de palavras e até pequenas melodias aprendidas. Podem ser muito interativas, brincalhonas e afeitas a um tutor em particular. Alguns podem desenvolver comportamentos de acasalamento.
- Necessidades: A alimentação deve continuar balanceada, focando na manutenção do peso e da saúde. O enriquecimento ambiental é vital para evitar o tédio e o estresse; brinquedos, poleiros de diferentes texturas e oportunidades de voo supervisionado são importantes. Check-ups veterinários anuais ajudam a monitorar a saúde.
A calopsita idosa: Sabedoria e cuidados especiais (acima de 10-12 anos)
Assim como humanos, as calopsitas também envelhecem e entram na fase idosa, que exige um olhar mais atento e cuidados adaptados para garantir conforto e qualidade de vida.
Características da calopsita idosa
- Aparência: A plumagem pode perder um pouco do brilho, e algumas áreas podem ficar mais finas. Pode haver uma diminuição da massa muscular e a ave pode parecer um pouco mais frágil. Os olhos podem parecer mais “embaçados” ou opacos.
- Comportamento: Tornam-se menos ativas e mais propensas a descansar. Os voos podem ser mais curtos e menos frequentes. Podem ficar mais irritadiças ou, ao contrário, mais carinhosas e dependentes. A vocalização pode diminuir ou mudar de tom. Problemas articulares podem tornar o poleiro mais difícil.
- Necessidades: A dieta pode precisar de ajustes, talvez com suplementos para articulações ou alimentos mais macios e fáceis de digerir. Os poleiros podem ser substituídos por outros mais baixos e largos para facilitar o apoio. O ambiente deve ser aquecido adequadamente e sem correntes de ar. Visitas veterinárias semestrais ou anuais são essenciais para monitorar sinais de doenças comuns em aves idosas, como problemas renais, hepáticos, cardíacos ou tumores. Mais tempo de descanso e menos estresse são fundamentais.
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Cuidar de uma calopsita ao longo de suas diferentes fases é uma experiência gratificante que recompensa o tutor com anos de companhia e alegria. Ao adaptar os cuidados às necessidades de cada etapa, garantimos que esses pequenos seres alados desfrutem de uma vida longa, saudável e feliz ao nosso lado.
Por MB.
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