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Descoberto fóssil de nova espécie de pangolim na Europa

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O pangolim é um mamífero coberto de escamas da ordem Pholidota. Foto: Canvas

Atualmente, existem pangolins (Manis spp.) apenas na Ásia e na África. Mas nem sempre foi assim. Pesquisadores descobriram um úmero (osso) de uma nova espécie de pangolim que teria vivido na Europa no Pleistoceno (período compreendido entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás), ou seja, até bem mais tarde do que se pensava até agora.

A ‘nova’ espécie foi classificada de Smutsia olteniensis e partilha várias características únicas com outros membros vivos do gênero Smutsia, que hoje vivem apenas na África.

O osso, um úmero, foi achado em Grăunceanu, um sítio arqueológico rico em fósseis no Vale do Rio Olteţ, na Romênia. A descoberta foi publicada na revista Journal of Vertebrate Paleontology.

“Não é um fóssil impressionante”, comentou, em comunicado, Claire Terhune, professora de Antropologia na Universidade do Arkansas, nos Estados Unidos. “É apenas um único osso, mas é uma nova espécie de um animal um pouco peculiar. Estamos orgulhosos porque o registo fóssil de pangolins é muito escasso. Este é o mais recente pangolim descoberto na Europa e o único fóssil de pangolim da Europa do Pleistoceno”, acrescentou.

Novo espécime foi descrito a partir do fóssil da espécie Smutsia olteniensis. Foto: Claire Terhune/Reprodução

Durante quase uma década, Terhune e uma equipe internacional de pesquisadores focaram a sua atenção em Grăunceanu e em outros locais de Olteţ. Esses locais, inicialmente descobertos por causa de desabamentos de terras nos anos 1960, revelaram fósseis de uma grande variedade de espécies de animais, incluindo um grande macaco, uma girafa de pescoço curto, rinocerontes, tigres-de-dente-de-sabre e agora uma nova espécie de pangolim.

“O que é especialmente entusiasmante é que apesar de algum trabalho dos anos 1930 ter sugerido a presença de pangolins na Europa durante o Pleistoceno, esses fósseis se perderam e a comunidade científica começou a duvidar da sua credibilidade”, explicou a pesquisadora. “Agora sabemos com certeza que havia pangolins na Europa há pelo menos dois milhões de anos.”

Este novo fóssil de pangolim tem entre 1,9 e 2,2 milhões de anos. A sua identificação é importante porque investigações anteriores sugeriam que os pangolins tinham desaparecido dos registos paleontológicos europeus durante o Mioceno Médio, ou seja, há cerca de 10 milhões de anos. Pensava-se que os pangolins tinham sido empurrados para ambientes mais tropicais ou subtropicais por causa das tendências globais de arrefecimento.

Cobiçados pelo tráfico de animais silvestres

Hoje, os pangolins existem somente na Ásia e na África. Segundo a organização WWF (World Wildlife Fund) são oito espécies (pangolim chinês, pangolim malaio, pangolim do cabo, pangolim filipino, pangolim-da-barriga-branca, pangolim indiano, pangolim-gigante-terrestre e o pangolim da barriga preta), classificadas desde a categoria Vulnerável à Criticamente Em Perigo.

Muitas vezes considerados papa-formigas com escamas, os pangolins têm escamas da cabeça à cauda e são, frequentemente, identificados como répteis. Mas, na verdade, são mamíferos da ordem Pholidota e estão mais próximos dos carnívoros.

Os pangolins são um dos animais silvestres mais traficados em todo o mundo.

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