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Desmatamento na Amazônia ameaça uma das maiores águias do mundo

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A harpia (Harpia harpyja) é uma das maiores águias do mundo. Pode atingir uma envergadura de 2,2 metros. Foto: Pixabay

A harpia (Harpia harpyja) é uma das maiores águias do mundo e pode atingir uma envergadura de 2,2 metros. Foto: Parque das Aves/Reprodução

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que as águias-harpia, também conhecidas por gaviões-reais, têm dificuldade em alimentar as crias nas áreas desmatadas da Amazônia.

O estudo, liderado pela Universidade de KwaZulu-Natal, na África do Sul, e da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, foi publicado esta semana na revista “Scientific Reports”.

Os pesquisadores seguiram 16 ninhos de águias-harpia nos territórios de Floresta Amazônica do estado de Mato Grosso, com uso de câmaras e através da análise dos fragmentos de ossos de presas que encontraram. Desta forma, descobriram a que espécies pertenciam as presas caçadas por essas águias, quantas vezes eram alimentadas as crias e qual era o peso desses alimentos.

A equipe recorreu também a mapas e a imagens por satélite de alta resolução para estimar os níveis de desmatamento e qual era a situação ao redor de cada um dos ninhos.

A harpia (Harpia harpyja) é uma das maiores águias do mundo. Pode atingir uma envergadura de 2,2 metros e um peso de nove quilos e é também um dos predadores de topo da Amazônia. Pode ser encontrada em vários países da América Central e América do Sul, mas um estudo anterior, em 2019, concluiu que a perda de distribuição desta espécie já chega a mais de 40%.

Nas áreas afetadas em mais de 70% pela falta de árvores, os cientistas não encontraram qualquer ninho.
Foto: Reprodução/Wilderpq

Agora, os pesquisadores descobriram que essas águias se alimentam principalmente de mamíferos que vivem nas copas das árvores da floresta, como macacos e preguiças. O problema é que o número desses animais está caindo devido à perda de habitat.

No entanto, em vez de mudarem para outro tipo de presas nas áreas que estão desmatadas, as aves alimentam as crias menos vezes e em menor quantidade. Assim, as pequenas harpias morrem de fome nas zonas da Amazônia com menos árvores, nomeadamente em paisagens onde 50 a 70% do território foi desflorestado. Nas áreas afetadas em mais de 70% pela falta de árvores, os cientistas não encontraram qualquer ninho.

“Considerando que as águias-harpia têm o ciclo de vida mais lento de todas as aves, as suas hipóteses de se adaptarem a paisagens de floresta fragmentada está próxima do zero”, nota o autor principal do artigo, Everton Miranda, pesquisador na Universidade de KwaZulu-Natal, citado em comunicado. “Reter a conectividade dentro da floresta, transferir os espécimes juvenis e suplementar as crias com mais alimentos são iniciativas críticas se quisermos que persistam nessas paisagens modificadas pelos humanos.”

As áreas com mais de 50% de desmatamento não são apropriadas para as águias-harpia criarem com sucesso, concluiu a equipe, que estima que cerca de 35% do norte do Mato Grosso já não é adequado à reprodução desta espécie.

Saiba mais sobre a hárpia

Ficha técnica

Nome científico: Harpia harpyja
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes
Falconiformes
Família: Accipitridae
Género: Harpia
Espécie: H. harpyja

Hárpia e seu filhote. Foto: Reprodução/Pinterest

Características: A hárpia ou gavião-real é uma ave accipitriforme da família Accipitridae. É conhecida também como gavião-de-penacho, guiraçu (uirá, guirá = ave, açu = grande) e uiraçu. Embora não seja a maior das aves predadoras do planeta, é tida como a mais forte. Possui bico potente e suas garras são maiores que as do urso pardo americano. Suas pernas têm a grossura de um punho de um homem adulto.
Tem um crescimento populacional muito lento. Este fato, associado à destruição de grandes áreas florestais e à caça indiscriminada, torna a espécie ameaçada de extinção no Brasil.

Distribuição: Presente no Brasil em regiões florestais remotas, sobretudo na Amazônia, ou em áreas protegidas, como reservas de Mata Atlântica. Existem registros também para o cerrado e pantanal. Encontrado também do México à Argentina.

Tamanho: Mede entre 90 e 105 centímetros de comprimento e apresenta uma envergadura de mais de 2,2 metros. Ambos os sexos são semelhantes, mas a fêmea é bem maior. Seu peso varia entre 4 e 4,8 kg para os machos e entre 7,6 e 9 kg para as fêmeas..

Coloração: Os adultos apresentam partes superiores na cor cinza escuro. As asas são largas, relativamente curtas e arredondadas. A cauda longa é barrada de branco e apresenta a ponta arredondada. As partes inferiores são brancas, com exceção de uma faixa cinza escura no peito. As coxas são brancas, finamente barradas de preto. A cabeça é cinza, mais pálida do que as demais partes superiores, com uma coloração cinzenta conspícua. Apresenta uma bela crista erétil com penas de diferentes tamanhos na porção occipital da cabeça. O bico em forma de gancho é robusto e de coloração cinza escura e apresenta a cere cinza escura quase preta. Os olhos são marrom escuros. Pernas e pés são amarelos. Os pés são fortes e equipados com longas garras negras. O imaturo precisa de 4 a 5 anos para alcançar a plumagem adulta.

Alimentação: Animais grandes, como a preguiça-real, mutuns, coatás, macacos-prego e guaribas, filhotes de veados, araras-azuis, seriemas, tatus, cachorros-do-mato, iguanas e cobras. É rápido e forte em suas investidas, sendo capaz de arrancar preguiças agarradas a galhos de árvores. Há relato da captura de um macho de guariba que pesava em torno de 6,5 kg.

Hábitos: Espécie rara, habita florestas primárias densas e florestas de galeria. Vive solitário ou aos pares na copa das árvores. Apesar do seu tamanho, é bastante ágil e difícil de ser visto.

Reprodução: Faz ninho no alto das árvores maiores, como sumaumeiras e castanheiras, de onde observa tudo ao redor. O ninho, tão grande quanto o de um tuiuiú, é construído com pilhas de galhos. Põe 2 ovos cinza-esbranquiçados entre setembro e novembro, os quais pesam em torno de 110 g e têm período de incubação de 52 dias. Geralmente apenas um filhote sobrevive, podendo ocorrer cainismo, levando cerca de 5 meses para voar, e de 2 a 3 anos para se tornar adulto, dependendo dos cuidados dos pais por um ano ou mais. A espécie não se reproduz todos os anos, pois necessita de mais de um ano para completar o período reprodutivo.

MB com Wilder.pt e Wikiaves