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Extinção de espécies migratórias dificulta adaptação de plantas às mudanças climáticas

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Perda na dispersão de sementes poderia se acelerar caso fossem extintas espécies como os elefantes.
Foto: Pixabay

A extinção de espécies capazes de espalhar sementes é prejudicial às plantas, porque elas perdem a capacidade de migrar para lugares que as mudanças climáticas não tornaram inóspitos, adverte um estudo científico publicado na última quinta-feira na revista “Science“.

“Quando perdemos aves ou mamíferos, não perdemos apenas essas espécies. Também perdemos sua importante função ecológica, que é a de espalhar sementes”, explicou Evan Fricke, da Universidade Rice, à AFP.

O estudo científico é o primeiro a quantificar o problema em nível global, e estima que a capacidade de adaptação às mudanças climáticas das plantas que precisam da colaboração dos animais já foi reduzida em 60%. As espécies de árvores presentes em regiões que se tornaram inóspitas podem, por exemplo, migrar para áreas onde chova mais, mas o fazem na forma de sementes. Metade das plantas dependem de que animais comam seus frutos e os transportem para mais longe, enquanto outras contam apenas com a ajuda do vento.

Esforços de proteção

Os pesquisadores dinamarqueses usaram dados de milhares de estudos anteriores sobre o comportamento animal para criar um mapa da contribuição dos mesmos para a dispersão de sementes. Depois, compararam um mapa que anula o efeito das extinções de espécies causadas pelo homem e a redução de seus territórios. Os resultados foram surpreendentes.

A perda na dispersão de sementes foi muito pronunciada nas regiões temperadas das Américas do Norte e do Sul, Europa e Austrália, apesar de elas terem perdido apenas uma pequena porcentagem de espécies de mamíferos e aves.

A perda foi menor nas regiões tropicais da América do Sul, África ou no Sudeste Asiático, mas poderia se acelerar caso fossem extintas outras espécies, como os elefantes. O estudo mostra que os esforços de proteção dos animais podem ajudar a combater as mudanças climáticas. “O declínio dos animais pode perturbar as redes ecológicas de forma que ameace a resiliência de ecossistemas inteiros”, concluiu Fricke.

Fonte: Science e AFP