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Nova espécie de tartaruga de água doce é descoberta por pesquisador em Juruti (PA)

Mesoclemmys jurutiensis é a nova espécie de tartaruga de água doce da Amazônia brasileira.
Foto: Fábio Cunha/Arquivo pessoal

Batizada com o nome Mesoclemmys jurutiensis, em homenagem a Juruti, cidade onde mora o biólogo Fábio Andrew Cunha, no oeste do Pará, a nova espécie de tartaruga de água doce da Amazônia brasileira foi recentemente descrita na renomada revista internacional Chelonian Conservation and Biology.

Com o título “A New Species of Amazon Freshwater Toad-headed Turtle in the Genus Mesoclemmys (Testudines: Pleurodira: Chelidae) from Brazil” (“Uma nova espécie de tartaruga cabeça de sapo do gênero Mesoclemmys do Brasil” – tradução para o português), a publicação destaca os estudos do biólogo Fábio Andrew G. Cunha realizado juntamente com pesquisadores da Universidade Federal do Pará/UFPA e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/INPA, entre eles, a professora Iracilda Sampaio.

“Apesar da cidade de Juruti não ser minha cidade natal mas escolhi por inúmeros motivos, deixar cravado na história mundial essa cidade que tanto considero e estimo. Fica aqui minha homenagem por tudo que me propiciou e, ainda me proporciona pois é onde eu realizo minhas pesquisas do doutorado”, explicou Fábio Cunha ao portal G1.

O doutorando em Ecologia Aquática e Pesca pela UFPA, lamenta que embora na Amazônia os pesquisadores estejam diante da maior biodiversidade do planeta, eles tenham que realizar suas pesquisas sem apoio do governo brasileiro. E diz que em meio a tantos cortes nos investimentos à pesquisa e tecnologia, os pesquisadores seguem resistindo e seu protesto está em fazer ciência de ponta.

Apesar das dificuldades, Fábio Cunha que veio de família humilde e estudou em escolas públicas comemora a descoberta da nova espécie de tartaruga brasileira e pede que as pessoas sigam acreditando na ciência e na educação.

“Só a educação muda a realidade. Hoje, o caboclo da vida inteira de escola pública, de universidade federal, filho de mãe solo, criado pelos avós, virou cientista. Se tornou taxonomista. Acreditem na ciência, acreditem na educação”, disse Fábio Cunha.

Características da espécie

O trabalho de pesquisa realizado durante 3 anos envolveu análises das características morfológicas e análises genéticas do DNA dos animais capturados.

De acordo com Fábio Cunha, a espécie recém descoberta é de médio porte, completamente diferente das outras espécies de tartarugas da Amazônia. Ela possui carapaça em tons de coloração vermelhas e o plastrão amarelo queimado. Possui cabeça triangular, completamente preta e os grandes olhos próximo as narinas.

Outra característica da Mesoclemmys jurutiensis é que ela vive em poças formadas por águas da chuva dentro da floresta tensa. As pesquisas também mostraram que ela se alimenta de girinos (filhotes de sapos) e pequenos insetos aquáticos.

Com essa descoberta o Brasil passa a ter 33 espécies de tartarugas descritas.

Escolha do nome

O primeiro nome Mesoclemmys é o gênero em que a tartaruga recém descoberta está inserida, de acordo com as regras internacionais de nomenclatura da zoologia (ciência que estuda os animais), já o segundo nome, chamado de epíteto específico, faz referência a alguma característica da espécie ou do lugar onde foi encontrada, nesse caso da Mesoclemmys jurutiensis.

O pesquisador Fábio Cunha escolheu Juruti, a pequena cidade às margens do rio Amazonas, onde foi encontrada a maior parte dos animais. Há também um registro na cidade de Aveiro, no oeste do Pará.

Mesoclemmys jurutiensis sp. nov. é uma espécie que dedico as pessoas de grande importância na minha vida e, que não estão mais entre nós. Minha vó Lourença Cunha e, meus dois professores, Dr. Horácio Schneider e meu orientador Dr. Richard Vogt, renomados cientistas que eu me espelho e que nos fazem muita falta”, explicou Fábio Cunha.

Fonte: Portal G1/Por Sílvia Vieira