
Um novo e abrangente estudo liderado pela Binghamton University, nos Estados Unidos, lança luz sobre o complexo fenômeno do declínio de insetos e o significado de seus amplos impactos. Publicada em abril de 2025, a pesquisa aponta que mais de 500 fatores interconectados contribuem para essa diminuição, desafiando a visão simplificada de que a agricultura intensiva é a única ou principal causa. Embora a intensificação agrícola, com suas mudanças no uso da terra e o uso de inseticidas, permaneça como um dos motores mais significativos, o estudo destaca que muitas outras causas, frequentemente subestimadas, como os impactos de conflitos, infraestruturas ou a poluição luminosa, desempenham papéis cruciais.
A análise da Binghamton University examinou mais de 175 revisões científicas, identificando mais de 500 hipóteses distintas sobre os impulsionadores do declínio de insetos e construindo uma rede de mais de 3.000 ligações causais. A pesquisa também salienta um viés no foco dos estudos científicos, que tendem a se concentrar mais em insetos “populares” como abelhas e borboletas. Isso pode levar à negligência de muitas outras espécies de insetos que também estão desaparecendo em taxas alarmantes, mas que recebem menos atenção na conservação e pesquisa.
O que dizem os pesquisadores
Para Christian Otto, um dos autores principais do estudo e pesquisador do Departamento de Ciências Biológicas da Binghamton University, a complexidade é a chave. “Ficamos surpresos com a incrível complexidade da questão. Inicialmente, pensávamos que o declínio de insetos era impulsionado por um ou poucos fatores principais”, explica Otto. “Mas nossa análise mostra que é um problema multifacetado, com muitos fatores agindo em conjunto de maneiras que ainda estamos começando a entender.”
Otto enfatiza a importância de uma abordagem mais ampla: “Este estudo deve servir como um chamado à ação para a comunidade científica olhar além dos culpados óbvios e explorar a miriade de fatores menos estudados que contribuem para essa crise ecológica.”
Cenário brasileiro
No Brasil, a situação não é diferente. Um estudo de 2022, publicado no periódico Biology Letters e conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), confirmou o declínio de insetos terrestres em biomas brasileiros. Espécies como abelhas (Apis mellifera e Xylocopa frontalis), borboletas (Hamadryas laodamia), formigas, besouros (da família Passalidae) e vespas estão entre as afetadas. Assim como no cenário global, a intensificação da agricultura, a perda e fragmentação de habitats, o uso de agrotóxicos e as mudanças climáticas são os principais fatores que contribuem para essa tendência preocupante em nosso país.
Ações para o futuro
Compreender a complexidade do declínio de insetos é fundamental para desenvolver estratégias de conservação mais eficazes. Não basta focar em uma única causa, mas sim em uma abordagem multifacetada que considere as interconexões entre os diversos fatores. A proteção de habitats, a redução do uso de pesticidas e a mitigação das mudanças climáticas são passos cruciais para reverter essa tendência e garantir a saúde dos ecossistemas.
Por MB.
Fontes:
¹ Binghamton University. “Insects are disappearing due to agriculture – and many other drivers, new research reveals”. Disponível em: https://www.binghamton.edu/news/story/5513/insects-are-disappearing-due-to-agriculture-and-many-other-drivers-new-research-reveals. Acesso em: 24 jun. 2025.
² Terra. “Por que os insetos estão desaparecendo do ecossistema do Brasil”. Disponível em: https://www.terra.com.br/byte/por-que-os-insetos-estao-desaparecendo-do-ecossistema-do-brasil,68dfeb42438b50e0a8bbbfac4ecd7dddz2m0tarx.html. Acesso em: 24 jun. 2025.
³ Revista FAPESP. “Insetos terrestres em declínio”. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2022/11/044-047_insetos_323.pdf. Acesso em: 24 jun. 2025.
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