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Diabo-da-Tasmânia volta a nascer na Austrália continental após 3 mil anos

Diabo-da-Tasmânia em seu habitat natural no santuário de Barrington Tops.
O retorno do diabo-da-Tasmânia ao continente australiano é um marco para a conservação.
Foto: Canva.com

O mundo da conservação ambiental celebra um marco histórico que parecia impossível há poucas décadas. Após mais de 3.000 anos de ausência total na Austrália continental, o icônico diabo-da-Tasmânia (Sarcophilus harrisii) voltou a nascer e se reproduzir em solo firme, fora da ilha da Tasmânia. O nascimento desses filhotes, conhecidos como “joeys”, em um santuário de 400 hectares em Barrington Tops, representa não apenas a sobrevivência de uma espécie, mas a esperança de restauração de todo um ecossistema que estava em desequilíbrio desde que esses predadores desapareceram do continente.

Este sucesso é fruto de um esforço conjunto e incansável entre organizações como a Aussie Ark, Re:wild e WildArk. Em outubro de 2020, em meio a desafios globais, 26 exemplares adultos foram soltos estrategicamente em uma área protegida de Nova Gales do Sul. O monitoramento rigoroso confirmou que a adaptação foi imediata: os animais não apenas sobreviveram, como começaram a formar grupos sociais e a procriar naturalmente. Ver novos joeys saindo das bolsas de suas mães em 2021 e a continuidade desse ciclo saudável até hoje, em 2026, é a prova viva de que a natureza pode se recuperar quando recebe o auxílio correto.

Por que eles desapareceram do continente?

Estudos arqueológicos indicam que o diabo-da-Tasmânia foi extinto da Austrália continental há cerca de três milênios devido, principalmente, à introdução do dingo (Canis lupus dingo), um predador que competia pelos mesmos recursos. Com a pressão dos dingos e mudanças climáticas da época, a espécie ficou restrita à ilha da Tasmânia. No entanto, na ilha, eles enfrentaram outra ameaça terrível nas últimas décadas: uma forma rara de câncer facial transmissível (DFTD) que dizimou quase 90% da população selvagem. Trazer exemplares saudáveis de volta ao continente funciona como uma “apólice de seguro” para evitar a extinção total do diabo-da-Tasmânia.

Curiosidades fascinantes sobre o “devorador de ossos”

O diabo-da-Tasmânia é o maior marsupial carnívoro do mundo e carrega características únicas que impressionam biólogos e entusiastas da natureza:

  • Mordida de gigante: Proporcionalmente ao seu tamanho, o diabo-da-Tasmânia tem uma das mordidas mais fortes do reino animal, capaz de triturar ossos e até metal de armadilhas.
  • Engenheiro do ecossistema: Ao se alimentar de carcaças, eles limpam o ambiente, evitando a proliferação de doenças que poderiam afetar outros animais e até humanos.
  • Controle de pragas: Eles são a arma secreta contra espécies invasoras. Onde há o diabo-da-Tasmânia, as populações de gatos selvagens (Felis catus) e raposas-vermelhas (Vulpes vulpes) diminuem, protegendo pequenos mamíferos e aves nativas.
  • O nome “Diabo”: Receberam esse nome dos primeiros colonizadores europeus, que ouviam seus gritos agudos e rosnados aterrorizantes durante a noite na floresta.

O impacto na conservação atual

Até este início de 2026, os censos no santuário de Barrington Tops mostram que a população de diabo-da-Tasmânia está saudável e em plena expansão. Este projeto serve de modelo para o “rewilding” em outras partes do mundo. Ao devolver um predador de topo ao seu habitat ancestral, os biólogos estão conseguindo frear a degradação ambiental causada por espécies não nativas, provando que o equilíbrio ecológico depende de cada peça do quebra-cabeça biológico.

Por MB.

Fontes consultadas:
Aussie Ark – Organização líder no projeto de reintrodução da espécie na Austrália continental.
Re:wild – Organização ambiental global co-fundada por Leonardo DiCaprio, parceira estratégica no projeto.
The Guardian – Reportagens especiais sobre o monitoramento e o nascimento dos “joeys” em Barrington Tops.
National Geographic – Estudos sobre o impacto ecológico do diabo-da-Tasmânia no controle de espécies invasoras.

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